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sábado, 22 de outubro de 2011

Saudades já era...





Saudades já era ...

Saudades de que, de quem se estou indiferente ao tudo e ao nada? Talvez apenas seja saudades de sentir saudades, de ter aquele nozinho na garganta ao ouvir It's Impossible , pensando em alguém. A saudade agora assim morninha não é saudade, é indiferença, coração frio, razão dominando totalmente minhas atitudes. Lá fora uma chuvinha incessante lavando o dia friinho e nada mais. Eu tentando escrever e nada me sai na mente, como um rio que se secou num estio prolongado. A televisão desligada , o computador saturado de emails chatos e repetitivos com seus mil PPS melosos e, por aqui, um Yamaha PSR-230 esquecido no canto do meu quarto-escritório fazem-me o tédio ser bem maior. Vontade de dormir pra não ter vontade de pensar no nada. Acho que vou pegar o carro e dar umas andadas por aí procurando-me em algum imprevisto que surja... quem sabe ver uma batida espetacular de carros? Ou um sorriso convidativo? Ou um bem-te-vi cantando e procurando-me na chuva ?
Aqui sozinho em casa não sai nada. Tédio versus tédio... Acho que minha saudade já era. Tenho urgentemente que fazer novas saudades. Minha poesia exige ! A vida não pode ser tão chata e tão sem graça! E saber que ela pode estar sentindo a mesma coisa...É foda! Há dias que parecem noites insones intermináveis ...
nelson antonio

terça-feira, 9 de agosto de 2011

sábado, 6 de agosto de 2011

Modinha Desiludida













Modinha Desiludida
nelson antonio

5/8/11


Onde foi o menino que cantava
À namorada escondida em seu coração?
Pra onde foi a menina que sonhava
Encantada com aqueles versos vãos?

Trôpego caminhante da vida
Trago de mim só espinhos
E pétalas de saudade recolhidas,
Pedaços de mim pelos caminhos...

No peito em súplica condoído
Versejo o que a vida me inspira
Prum amor insensível de mentira ...

Torna-se triste esta ilusão risível :
Encontrar ainda a paz e um abrigo
Preste Amor num coração impassível !














quinta-feira, 28 de julho de 2011

Mamãe, 87 anos de vida! Salve 31 de julho !

Uma rosa...um coração transpassado




Mamãe Iracema






Óleo sobre tela 120 X 80: meu pra ela




Mamãe, Dona Zenaide e Rafinha







Mamãe e Dona Zenaide, hoje fazem carteado no Céu...






Mamãe e Maria Elga, irmã







Óleo sobre tela 70 X 50 - De mim pra ela , num outro Dia das Mães






Ficou uma rosa... ofereço-a a você...






Mamãe, 87 anos de vida!



Nelson Antonio, escrevinhador poeta





" Minha mãe querida
Vem cantar com os filhos seus,
Hoje é o dia mais lindo da vida,
É o dia dos anos seus! "



( música simples feita para minha mamãe querida que completa 87 anos em 31 de julho)





Quando à tarde eu chegava em casa, cansado da lida diária, muitas vezes minha mãe estava à minha espera, sentadinha na copa da casa, e me pedia para tocar violão com ela. Aquilo fazia um bem danado pra nós dois pois me relaxava das tensões diárias e eu convivia com a infância / adolescência da minha mãe, saudosamente cantando juntos, em duetos de primeira e segunda voz, aquelas canções do arco-da-velha. Cancões muito antigas, grafadas num caderno amarelado pelo tempo e cheio de orelhas, que lhe falavam muito ao coração. Às vezes parávamos de cantar e mamãe recitava versos que meu pai, também músico-poeta, tinha deixado para ela antes dele falecer aos 33 anos de tuberculose pulmonar no Sanatório Imaculada Conceição, em Belo Horizonte!
Foi assim, com minha sonora mãe-canarinho, que eu aprendi a ser feliz nas pequenas coisas , como nas seis cordas de um violão que ela mesma me dera aos 15 anos, num Natal.
Mamãe adorava particularmente a dolente música " Melancolia " , que tinha que ser tocada uma dúzia de vezes pois eu sentia a emoção transbordando em sua voz , enrouquecida pelo maldito cigarro que , anos depois, a levaria de todos nós como a fumaça pelo vento.
Mamãe era imprevisivelmente uma mãe de atitudes inesperadas e maravilhosas: éramos sete filhos e uma enteada dela, quase da idade dela, que veio com o segundo casamento. Vez e outra , mamãe adentrava casa a dentro com uma sacola cheia de mangas madurinhas e apetitosas ( ubá, espada, coquinho, sapatinha, coração de boi...) e as esparramava entre nós, sentados e dispersos pelo chão, num festival gastronônimo que movimentava toda nossa casa a tarde toda, quebrando a monotonia do nosso dia-a-dia. Às vezes, eram abacaxis-pérola, enormes e madurinhos, docinhos como mel , vindos de Lagoa Santa, um para cada filho que se refestelava com a preciosa surpresa e o tamanho daquela fruta enorme só pra cada um. Também, baciadas de jabuticabas gordonas e enormes de Sabará.. que a gente colocava sobre as pernas e as ia engolindo , gulosamente, com casca e tudo...Cachos de bananas de todos os tipos, principalmente os de banana-ouro quando ela voltava das constantes viagens ao Rio de Janeiro ,com nosso segundo pai a trabalho, faziam a alegria de todos nós, criançada feliz. Doces, queijos, balas, biscoitos, bolos , pirulitos, sorvetes...mamãe sabia nos conquistar pela boca, como passarinha que leva minhoca graúda no bico para seus filhotinhos aninhados e famintos.Também, casacos e roupas coloridas que ela distribuía prazeirosamente, a cada um , muitas vezes saídos de sua própria máquina de tear , comprada com finalidades comerciais mas, num balanço final, pouco restando para vender aos interessados que ela escriturava em suas cadernetinhas de controle.
Ah minha mãe querida, poderia escrever vários tomos de livros sobre você na minha vida e de meus irmãos no carrocel da vida que girava conosco numa doce convivência familiar ! Você não era dessas mães beijoqueiras e que vivem abraçadas grudentas aos seus filhos mas tinha mil atitudes presentes e constantes de amor e carinho a todos nós, tocando-nos a alma diariamente.
Hoje, 31 de julho, você faz 87 anos. Estou aqui mamãe, cabisbaixo , de violão mudo na mão, balbuciando algumas daquelas canções que você me ensinou vida à fora. Estou sozinho , mamãe, abandonado de você que partiu há exatos 13 anos e 2 meses. Lembro-me que era um Dia das Mães, rosas pra todos os lados, em todas as esquinas , e nas minhas mãos que ia levá-las para você, internada há 132 dias no CTI do Mater Dei, com insuficiência respiratória enfisematosa e muitas outras complicações devido ao cigarro que a foi matando, impiedosamente , devagarinho, a cada baforada através de tantos e todos anos de sua vida adulta . Naquele domingo que estava festivo em todos os lares, quando cheguei ao Hospital, você já não estava lá e estava sendo prepararada para o seu velório no Bonfim. Aquelas rosas na minha mão, flores viçosas , jovens, perfumadas,muitas em botão, vermelhinhas como sangue, impregnavam meu corpo e minhas vestes de um aroma indefectível, doce e marcante. Abatido, mais tarde fui levá-las a você, minha mãe querida, com os olhos marejados de lágrimas, no velório mais triste que já marcou minha alma e eternizou-se em minhas recordações. Naquela espaçonave de madeira em que você partiria para sempre ao infinito , mamãe, você recebeu minhas flores aos seus pés, como se adorna uma santa num altar , e à tarde, quando um lusco - fusco invadiu aquele ambiente triste, vi plantarem você naquela terra vermelha, seca e sem vida, Mas na minha alma senti que você subia aos céus, gloriosa e triunfante, como quem tivesse o dever cumprido e recebi no coração uma chuva de pétalas das rosas que a cobriam . Ali, num cantinho do meu coração, placidamente adormecem suas saudades...
Parabéns, mamãe, pelos seus 87 anos de vida dentro de mim.Você é a coisa mais importante e bonita que já tive na vida. Tenho tantas saudades de você, mamãe, que sempre desejo estar o mais breve possível perto de você, ao seu lado, onde você estiver. A vida aqui sem você tá uma merda, mamãe! Insuportável de viver como sentir esta sua saudade bonita mas cheia de espinhos como rosas selvagens!
Com todo o Amor do meu coração, aguarde-me! Breve nos veremos e cantaremos tudo aquilo de novo !
Seu filho ,
Nelson Antonio








sábado, 16 de julho de 2011

Minha pequena viagem interior ao meu interior



















Minha pequena viagem interior ao meu interior

Compartilhando um lado meu... dar amor aos que necessitam !

Minha pequena viagem interior ao meu interior de todas as quartas :
quando chego é como se o sol estivesse timidamente entrando num mundo que é tão frio e tão escuro, tão cheio de vazios e de paradoxos pois seus envelhecidos habitantes têm todo o tempo do mundo e não têm todo o tempo do mundo talvez amanhã. Em cada pessoinha, amadurecida além da conta, vejo abrir-se um sorriso sem dentes, descarnado e um rosto cheio de rugas em corpos deformados pelo peso da idade ou pelas doenças que os envergam como tênues varas de bambu ao vento forte e constante da vida. Mas são sorrisos lindos, francos, saídos do fundo do coração de cada um deles, encantadores e que envolvem minha alma de uma ternura que eu jamais supuz ter. Há no ar aquele cheiro abafado de urina e fezes incontidas pelas fraldas geriátricas mas sinto-me no meio de um jardim de rosas perfumadas e em botão... como eles o são
Então, pego meu violão, acompanho-me de meu filho musical , também adoentadinho, e tento tecer um longo bordado musical de coisas antigas e que deem alento a eles todos . Em cada rosto sinto a satisfação de estarem sendo amados, numa visita a um tempo que pode não ter amanhã , nem para eles, nem para mim. É uma viagem de Amor... em que minha alma sai de dentro de mim e vai dormitar na alma dos meus pobres velhinhos indefesos. E pelo ar ecoa minha voz emocionada e terna a lhes cantar suavemente, num violão dolente, cantigas de Roda, de Amor, de Mãe, de Serestas, de Saudades e de força de vida para lhes dar ânimo para as horas futuras que não estarei ali . Dona Amélia nunca deixa faltar os seus balbucios , quase inaudíveis, da Amélia que tenho, compulsoriamente, de lhe cantar .
Quando saio, após uma hora musical, levando minhas partituras e violões, sinto no olhar deles aquele desespero de quem suplica para que eu e Rafa não partamos e fiquemos com eles mais algumas horas . Não posso interromper por muito tempo a rotina fisioterápica ou alimentar deles mas, como digo a eles , jamais deixarei de ir lá pois eles todos são meus amantes de todas as tardes de quartas quando eu me visto de humano e sinto a alma tão leve que acho que chega a Deus. Como alguns deles que vão, um a um, se despedindo de mim e da vida pois na outra semana fico sabendo que Dona Geraldina faleceu, seu Guilhermino não despertou da noite de sábado, Dona Iraildes Cantadeira partiu ontem sorrindo e cantando " No Céu com minha Mãe estarei...".
Engulo a lágrima que quer me saltar dos olhos e a escondo num sorriso dissimulado como tudo na vida dos que a vivem para si e não se distribuem ao outro ,sem saber que o Amor repartido se multiplica.
nelson antonio, apenas isto... um nelsantonio.

Hoje, como todas as quartas me proponho, de 14 às 15 horas, vou cantar nos Asilos de Beagá para dar um pouco de alegria aos que foram lá largados e abandonados pelas suas famílias.É um momento filantrópico meu para comigo mesmo. De uma certa maneira, estou em ambiente familiar pois cantava , até há poucos anos atrás, com meus avós e tias velhas até suas partidas , nossas coisas antigas onde sou imbatível pois tenho exatos 200 anos no coração envelhecido . Foi gratificante eu e Rafael Duarte, meu filho músico convalescente, fazermos dupla musical com o coro desajeitado e balbuciante mas divinal dos velhinhos, cheios de lágrimas saudosas nos olhos e muito enlevo. Serenata em pleno início da tarde ... novo plenilúnio na lua nova da vida deles.
Não me entendo muito bem neste aconhego aos mais velhos mas adoro saber-me útil a eles. Gravo tudinho da cantoria e estou aqui, escutando-nos, embevecido e maravilhado com os belos momentos e indeléveis que passei com eles. É uma música que sai diretamente da saudade para o coração de todos nós participantes.
Não troco uma velhinha daquelas, muitas com seus noventa e tantos anos e adoentadinhas , por nenhuma menininha bonitinha e das perninhas grossas. Porque nos mais velhos eu me identifico e ficamos em uníssonos de alma prazeirosamente . Preferível ao " uníssono corporal " que não chega à alma , exceto com quem eu amo... mas que me desdenha sempre. Doce castigo... talvez merecido.
Mando algumas fotos " mandáveis " , a maioria das fotos poderia expor os meus velhinhos queridos que tanto amo e tanto fazem bem a mim e ao Rafa. Se alguém quiser fazer-me Feliz fale-me bem de velhos e seus abandonos ... eu amá-la-ei!
Meu abreijo,
nelsantonio

PS - Se alguém quiser indicar-me asilos e casas de recolhimento de idosos eu ficar-lhe-ia muito grato. É uma coisa do meu coração que se reparte , gratuitamente , onde a maior paga é o ato em si. Sinto-me muito feliz, Rafa também, de doar um pouco do que temos musicalmente em qualidade para os que necessitam tanto de serem amados. Fiquem com Deus.
fone 9111-8477( telemóvel ) e 3332-139 ( escritório pessoal residencial)

Compartilhando um lado meu... dar amor aos que necessitam !

















Compartilhando um lado meu... dar amor aos que necessitam !

Hoje, como todas as quartas me proponho, de 14 às 15 horas, vou cantar nos Asilos de Beagá para dar um pouco de alegria aos que foram lá largados e abandonados pelas suas famílias.É um momento filantrópico meu para comigo mesmo. De uma certa maneira, estou em ambiente familiar pois cantava , até há poucos anos atrás, com meus avós e tias velhas até suas partidas , nossas coisas antigas onde sou imbatível pois tenho exatos 200 anos no coração envelhecido . Foi gratificante eu e Rafael Duarte, meu filho músico convalescente, fazermos dupla musical com o coro desajeitado e balbuciante mas divinal dos velhinhos, cheios de lágrimas saudosas nos olhos e muito enlevo. Serenata em pleno início da tarde ... novo plenilúnio na lua nova da vida deles.
Não me entendo muito bem neste aconhego aos mais velhos mas adoro saber-me útil a eles. Gravo tudinho da cantoria e estou aqui, escutando-nos, embevecido e maravilhado com os belos momentos e indeléveis que passei com eles. É uma música que sai diretamente da saudade para o coração de todos nós participantes.
Não troco uma velhinha daquelas, muitas com seus noventa e tantos anos e adoentadinhas , por nenhuma menininha bonitinha e das perninhas grossas. Porque nos mais velhos eu me identifico e ficamos em uníssonos de alma prazeirosamente . Preferível ao " uníssono corporal " que não chega à alma , exceto com quem eu amo... mas que me desdenha sempre. Doce castigo... talvez merecido.
Mando algumas fotos " mandáveis " , a maioria das fotos poderia expor os meus velhinhos queridos que tanto amo e tanto fazem bem a mim e ao Rafa. Se alguém quiser fazer-me Feliz fale-me bem de velhos e seus abandonos ... eu amá-la-ei!
Meu abreijo,
nelsantonio

PS - Se alguém quiser indicar-me asilos e casas de recolhimento de idosos eu ficar-lhe-ia muito grato. É uma coisa do meu coração que se reparte , gratuitamente , onde a maior paga é o ato em si. Sinto-me muito feliz, Rafa também, de doar um pouco do que temos musicalmente em qualidade para os que necessitam tanto de serem amados. Fiquem com Deus.
fone 9111-8477( telemóvel ) e 3332-139 ( escritório pessoal residencial)


Minha pequena viagem interior ao meu interior
Minha pequena viagem interior ao meu interior de todas as quartas :
quando chego é como se o sol estivesse timidamente entrando num mundo que é tão frio e tão escuro, tão cheio de vazios e de paradoxos pois seus envelhecidos habitantes têm todo o tempo do mundo e não têm todo o tempo do mundo talvez amanhã. Em cada pessoinha, amadurecida além da conta, vejo abrir-se um sorriso sem dentes, descarnado e um rosto cheio de rugas em corpos deformados pelo peso da idade ou pelas doenças que os envergam como tênues varas de bambu ao vento forte e constante da vida. Mas são sorrisos lindos, francos, saídos do fundo do coração de cada um deles, encantadores e que envolvem minha alma de uma ternura que eu jamais supuz ter. Há no ar aquele cheiro abafado de urina e fezes incontidas pelas fraldas geriátricas mas sinto-me no meio de um jardim de rosas perfumadas e em botão... como eles o são
Então, pego meu violão, acompanho-me de meu filho musical , também adoentadinho, e tento tecer um longo bordado musical de coisas antigas e que deem alento a eles todos . Em cada rosto sinto a satisfação de estarem sendo amados, numa visita a um tempo que pode não ter amanhã , nem para eles, nem para mim. É uma viagem de Amor... em que minha alma sai de dentro de mim e vai dormitar na alma dos meus pobres velhinhos indefesos. E pelo ar ecoa minha voz emocionada e terna a lhes cantar suavemente, num violão dolente, cantigas de Roda, de Amor, de Mãe, de Serestas, de Saudades e de força de vida para lhes dar ânimo para as horas futuras que não estarei ali . Dona Amélia nunca deixa faltar os seus balbucios , quase inaudíveis, da Amélia que tenho, compulsoriamente, de lhe cantar .
Quando saio, após uma hora musical, levando minhas partituras e violões, sinto no olhar deles aquele desespero de quem suplica para que eu e Rafa não partamos e fiquemos com eles mais algumas horas . Não posso interromper por muito tempo a rotina fisioterápica ou alimentar deles mas, como digo a eles , jamais deixarei de ir lá pois eles todos são meus amantes de todas as tardes de quartas quando eu me visto de humano e sinto a alma tão leve que acho que chega a Deus. Como alguns deles que vão, um a um, se despedindo de mim e da vida pois na outra semana fico sabendo que Dona Geraldina faleceu, seu Guilhermino não despertou da noite de sábado, Dona Iraildes Cantadeira partiu ontem sorrindo e cantando " No Céu com minha Mãe estarei...".
Engulo a lágrima que quer me saltar dos olhos e a escondo num sorriso dissimulado como tudo na vida dos que a vivem para si e não se distribuem ao outro ,sem saber que o Amor repartido se multiplica.
nelson antonio, apenas isto... um nelsantonio.

sábado, 11 de junho de 2011

Vovó, minha primeira namorada....

Eu perdido nas ruas de Ouro Preto, como suas coisas antigas como eu...




Coração sangrante , lanceteado pela rosa do Amor.




Vovó Lena, um pedaço de mim pelo caminho...

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Vovó, minha primeira namorada...
nelson antonio
12-06-2011


Sim, você foi a minha primeira namorada, a mais sincera, a que restou de tantas emoções que perfilaram em frente ao meu coração mas sem tocá-lo em reciprocidade pelo carinho, pela sinceridade, pelo Amor...que transbordava de você!
Você me chamava de Cré-Não cria- nem de Noite nem de Dia, desde o meu berço! Às vezes de Nelseira ... Mas quase sempre me chamava pelos seus olhos amorosos e seu cantar antigo...
Fiz-lhe então esta canção - poema, quando você partia leucêmica, parece que ontem.
Hoje, recebendo seu rosto encantado, como presente do Dia dos Namorados, pelas mãos da minha companheira pintora, mãe de meus filhos, revendo-o revejo também a canção - poema do menino que fui e deixei de ser.
Hoje sou uma velha lembrança desbotada.
Cheirando à naftalina do meu passado tão distante mas ainda tão perto ...em mim!


Vovó, minha véia...
minha música de 02-10-1978 ( a melodia fica aqui comigo)

Pela tristeza-cansaço deste seu jeito de você sorrir minha véia,
Nesta boca sem dentes, nestes olhos sem brilho, nesta pele cheia de elasticidades,
Nestas mãos plenas de calos onde você se agarra à vida,
Neste corpo tombado vivendo talvez de teimosia ...
É assim vovó: os seus lábios já tanto enrrugados
Ainda têm forças pra me aconselhar
Nestas horas em que este seu neto, coitado , está a penar!...
E é você, minha vó, minha amiga, que com sua pouca força
me sustenta o braço jovem!
É você com seu corpo cansado que me ajuda a levantar !
É você com seu pouco valor que é o meu tesouro mais caro!
É você com seus anos morridos, talvez já sem anos,
Que é tão menina, vovó!....
Você , vovó, é uma pessoa e eu não sou,
Você é música, vovó, eu sou apenas uma nota!
Você é alegria de minha tristeza, e é o que importa!
É que eu vim de você e isto é legal
E isto é alegria em mim em saber que você, minha vó,
Foi minha semente, é todo o meu amor e minha vida!...
Você, vovó, você que é a força que existe em mim
É você, minha vó, que me abraça, se afasta e diz-me:
" - Estou no fim..."
E eu vovó, com minha mocidade não vejo que você vai passar...
Eu vivo na banalidade de uma vida
Que um dia, eu sei, um dia sua falta sentirá , minha vó, minha vida!
Eu estou apaixonado com ela, a vida,
Que eu sei que vive a iludir tanta gente!...
Vovó, você é para mim sua semente, um passado presente!
Talvez amanhã não esteja aqui, talvez amanhã eu não possa lhe abraçar
Mas eu quero lembrar de você e sentir que eu fui imensamente feliz!
Porque você me deu minha mãe.
Minha mãe pariu-me preste mundo que aí está está
E meu filho talvez seja eu, seja minha mãe
e seja você, minha vó !...
Enxugue seus olhos vovó,
Mão chore por este neto que é seu,
Porque, minha vó, este neto será você!...
Eternamente , vovó, você viverá!
Eternamente, vovó, você viverá, em mim ... em NÓS!!!!

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domingo, 2 de janeiro de 2011

A sétima arte(cinema) auxilia o aprendizado psiquiátrico- Prof Luiz Carlos Calil







A sétima arte ( cinema ) auxilia o aprendizado psiquiátrico

O Professor Luís Carlos Calil, da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro (FMTM) - Uberaba /MG, na disciplina de Psiquiatria, nos mostra como os filmes nos ajudam a entender a Psiquiatria.

Introdução - Para alunos de Graduação do curso médico, a introdução da Psiquiatria com o estudo da Psicopatologia e Psicodinâmica é muitas vezes desestimulante e vista como linguagem hermética, dada a terminologia que lança mão e necessária abstração de idéias. Resulta que muitos estudantes se desinteressam pelo aprendizado de Psiquiatria que, muitas vezes, é concebida de forma estereotipada, como se não fosse uma especialidade médica.
Objetivo - A linguagem cinematográfica tem uma riqueza de recursos, desde o roteiro, atuação dos personagens e efeitos visuais muito atraentes e de fácil assimilação. Propõe-se utilizar filmes como instrumento facilitador do aprendizado de Psicopatologia e Psicodinâmica explorando a linguagem metafórica das obras.
Método - Partindo-se do Plano de Curso de Psiquiatria da Graduação médica da FMTM, elaborou-se uma lista correlacionando os temas do curso com conteúdos de filmes. A lista é oferecida aos alunos, sugerindo que assistam aos filmes antes das aulas sobre os temas.
Listaremos alguns títulos de filmes relacionados a Transtornos Psiquiátricos e/ou dinâmicas do funcionamento mental. Nosso propósito é fornecer subsídios à compreensão da Psicopatologia e Psicodinâmica de forma agradável. Obviamente deverão ser complementados por leitura de textos específicos. Lembramos que a linguagem cinematográfica é fantasiosa e romanceada. Retrata uma realidade, mas nunca será como a realidade dos pacientes aos quais nos depararemos. As referências para classificação serão a CID -10 e Teorias Psicanalíticas.
As interpretações dos filmes constituem-se numa leitura particular e não única das obras, portanto, podem ser contestadas e abertas à discussão.

Resultados - Em dois anos de experiência, os filmes têm se mostrado um bom recurso motivador de discussões em aulas e os próprios alunos têm sugerido inserção de filmes na listagem. Pretende-se em breve apresentar os filmes em anfiteatro da faculdade, seguido de discussão em grupo, idéia proposta pelos próprios alunos.

Esquizofrenias e psicoses no sentido amplo

Título: Um estranho no ninho
Resenha Psicopatológica: O efeito da lobotomia é um quadro demencial orgânico.


Título: O gênio indomável
Resenha Psicopatológica: Um gênio matemático com afetividade primitiva.
Nos anos 50 John Nash Jr. aos 21 anos elaborou a “Game Theory”. Aos
29 anos apresentou surto psicótico diagnosticado como Esquizofrenia,
submeteu-se a internações e ECT sem resultado, perambulava como
homeless no campus de Princeton. Aos 30 anos remitiu quadro. Em
1994, recebeu Nobel de Economia. “A beaultiful mind: A biography of
John Forbes Nash Jr.” Autora: Sílvia Nasar que é jornalista. Provável
erro diagnóstico. Nesta época a escola americana superdiagnosticava
Esquizofrenia.

Título: Shine
Resenha Psicopatológica: História de um músico e evolução da doença com
evidente prejuízo no funcionamento social e criativo. Chama a atenção como
fator estressor , que pode ter contribuído para a manifestação da doença, a
educação rígida imposta pelo pai.

Título: Gêmeos, mórbida semelhança
Resenha Psicopatológica: Relação fusionada –
ambos perdem a identidade, os limites do Ego (self).
Analiticamente é um quadro de Esquizofrenia.

Título: Asas da liberdade
Resenha Psicopatológica: Autismo, cisão com a realidade.

Título: Atração fatal
Resenha Psicopatológica: Relação de paixão sem qualquer consideração
pelo outro ou pela realidade. O modelo de relação é psicótico.

Transtornos de humor

Título: Mr. Jones
Resenha Psicopat ológica: Transtorno de Humor Bipolar II – o personagem
apresenta episódios de Depressão e de Hipomania
Transtornos de ansiedade

Transtornos de ansiedade

Título: Melhor Impossível
Resenha Psicopatológica: Quadro de Transtorno Obsessivo-Compulsivo
(TOC), com rituais de limpeza, temor de contaminação, compulsão de
repetir ações com rituais para andar nas ruas. Defende-se do contato
afetivo com hostilidade, manifesta que esconde temor de estabelecer
vínculos e sofrer com eles.

Reação a estresse grave e transtornos de ajustamento

Título: Querem me enlouquecer
Resenha Psicopatológica: Transtorno de ajustamento com perturbação
predominante de conduta. O estressor é o abuso sexual.
Transtornos mentais orgânicos

Transtornos mentais orgânicos

Título: Meu pé esquerdo
Resenha Psicopatológica: Paralisia cerebral sem retardamento mental.
O comprometimento é motor. Habitualmente a causa é lesão cerebral
durante o parto ou nos 1os anos de vida.
Esquizofrenias e psicoses no sentido amplo

Transtornos alimentares

Título: Quando a amizade mata
Resenha Psicopatológica: História de duas adolescentes com distorção da
imagem corporal – uma com bulimia e outra com anorexia nervosa.


Transtornos de personalidade

Título: O silêncio dos inocentes
Resenha Psicopatológica: Hanniball parece ser uma Personalidade antisocial,
como escreveu Kurt Schneider – sofre, faz sofrer e não aprende
com a experiência, portanto, intratável. Buffalo Bill retrata um Transtorno
Borderline de Personalidade. Há uma perturbação: a identidade sexual.
Tenta reconstruir à partir das peles que retira das mulheres, uma
identidade para si. Os crimes são uma tentativa psicótica da construção
de um self.

Título: Caça ao terrorista
Resenha Psicopatológica: Retrata um terrorista – Carlos o Chacal.
Transtorno de Personalidade Anti-social. Chama a atenção a falta de
vínculo afetivo e crueldade fria.

Transtornos de desenvolvimento

Título: Rain Man
Resenha Psicopat ológica: Transtorno invasivo do desenvolvimento
– autismo infantil, com ilha de estilhaço (habilidade restrita a um tipo de
cálculo) Irrompe ansiedade quando muda rotina. Expressão pobre de
afeto.

Título: Código para o inferno
Resen ha Psicopat ológica: Garoto autista com ilha de estilhaço – decifra
códigos. Pânico quando tocado por estranhos e frente a estímulos sonoros


MisceIânia

Título: Tempos modernos
Resenha Psicopatológica: Diferenciar trabalho (que é
elaborado), de atividade (repetição mecânica, sem reflexão).
Pode-se exercer a Medicina como Atividade, portanto pouco
racional.

Título: O nome da Rosa
Resenha Psicopatológica: Ensino do pensamento
Aristotélico.

Título: Sem saída
Resenha Psicopatológica: Somente a prova de realidade discrimina
o delírio (pensamento que pode ser lógico, mas não é real) do fato
real.

Título: O campo dos sonhos
Resenha Psicopatológica: Filme de ritmo lento. Oniricamente é a Equipe
que gostaríamos de ter para trabalhar.

Título: Don Juan De Marco
Resenha Psicopatológica: O psiquiatra fica identificado com as
fantasias de sedução do paciente e muda seu comportamento
na relação conjugal. Essa identificação pode ser muitas vezes
catastrófica.

Título: Mentes que brilham
Resenha Psicopatológica: Integração emocional de garoto superdotado
intelectualmente
.
Título: Dormindo com o inimigo
Resenha Psicopatológica: O homem tem traços paranóides de
personalidade e TOC.

Título: O príncipe das marés
Resenha Psicopatológica: Psiquiatra incompetente para lidar com
relações transferenciais e angustia de morte. Envolve-se com irmão do
paciente que trata.

Título: A vida de Brian
Resenha Psicopatológica: Comédia onde na busca fanática por um
Messias, fazem interpretações alegóricas às falas concretas do
personagem.

Título: Filadélfia
Resenha Psicopatológica: Preconceito ao homossexualismo e AIDS.

Título: Equus
Resenha Psicopatológica: Objeto de desejo é um
cavalo. Perturbação do desenvolvimento da identidade
psicossexual.

Título: Cabo do medo
Resenha Psicopatológica: Preso injustamente, o personagem
cultiva ódio e vingança contra seu advogado. Seu rancor,
fundamentado na realidade, denuncia um núcleo fortemente
paranóide.

Título: Óleo de Lorenzo
Resenha Psicopatológica: Baseado em fato real de pais que
procuram descobrir a cura para filho portador de doença
neurológica.

Título: Tempo de despertar
Resenha Psicopatológica: Baseado em fato real de médico buscando a
cura da Encefalite Letárgica.

Título: Sociedade dos poetas mortos
Resenha Psicopatológica: Neste filme e no próximo, ambos
protagonizados por Robin Williams, observa-se relações permeadas por
transferência, contra-transferência, identificação projetiva e resultados
imprevisíveis como um suicídio e um homicídio.
Um professor carismático que conduz alunos para uma visão
idealizada e irreal; culminando em um suicídio. Remete a
uma reflexão sobre como manipular adolescentes e seus
riscos.

Título: Patch Adams - O amor é contagioso
Resenha Psicopatológica: História de um médico nos anos
60, que utiliza o humor como recurso terapêutico. Visão
romanciada para lidar com a dor e a morte, o que não invalida
o idealismo. Ocorre um homicídio de uma discípula-amante do
protagonista.

Título: Betrayed trust
Resenha Psicopatológica: História baseada em fato real ocorrido nos
anos 70, nos EUA. O psiquiatra Jules Massermann, ex-presidente da
Associação Americana de Psiquiatria, usava Amital sódico para proceder
narcoanálise. Mantinha relações sexuais com as pacientes sob narcose.
Um exemplo a não ser seguido na manipulação e mau uso da confiança
estabelecida na relação médico-paciente.