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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Olhos tristes... mas guerreiros !

















Olhos tristes... mas guerreiros !
30-12-2010


nelson antonio


Estas lágrimas que inundam o seu rosto,
Descendo dos seus olhos como cascatas,
Me lembram os riachos fecundando as matas,
São olhos que sorriem ante o desgosto.

A ternura aveludada do seu olhar
A pureza que se reflete em tantos brilhos,
Faz um milagre! Pois se um olho põe-se a chorar
O outro, comovido , sorri entre seus cílios!

Se os olhos ante o sofrimento entornam
E a gente se prosta como quem deplora...
Seja firme, alma guerreira, de coragem rara!

Lembre-se de Deus que não nos desampara
E não nos dá maior que nossa FORÇA tais procelas.
Enquanto Ela houver lute, e se lhe faltar.. lute sem Ela!












Única







ÚNICA
( dedicada a meu único e sincero Amor que me ensinou a Comer, Amar e Rezar...)

Nelson Antonio


No turbilhão da vida cotidiana

há sempre um rosto oculto de mulher.

Há no tumulto da existência humana

alguém que a gente quis e que ainda quer



E numa sede de paixões insana,

cego e humilhado aceita outra qualquer.

Mas sem íntimo ardor, de alma profana,

porque a alma nunca acordará sequer.



E vão passando assim uma por uma ,

mulheres e mulheres, como vieram,

sem depois nos deixar saudade alguma



Pobre de quem, como eu, vê que infeliz :

Teve todas aquelas que o quiseram,

mas nunca teve aquela que ele quis.

ÚNICO ( versão para as mulheres )






ÚNICO
( versão feminina, a pedido delas ...afinal sou ginecologista! )

Nelson Antonio Corrêa, médico aprendiz de gente




No turbilhão da vida cotidiana

há sempre um segredo oculto de mulher.

Há no tumulto da existência humana

alguém que se quis e que ainda se quer


E numa sede de paixões insana,

cega e humilhada aceita outro qualquer.

Mas sem íntimo ardor, de alma profana,

porque a alma nunca acordará sequer.



E vão passando assim uma por uma ,

pessoas e pessoas, como vieram,

sem depois lhes deixarem saudade alguma



Pobre de quem, como ela, vê que infeliz :

Teve todos aqueles que a quiseram,

mas nunca teve o que ela sempre quis.
















quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Porto Seguro


PORTO SEGURO...
nelson antonio


Não quero ser uma simples

Passagem em sua vida,

Nem tampouco um vendaval capaz

De tirar você do seu porto seguro...

Prefiro ser o momento inesquecível

Que você jamais viveu...

Não quero ser a pedra

Fundamental de uma saudade qualquer,

Nem tampouco a violação do impenetrável

Á chave do seu segredo...

Prefiro ser a constatação do

Respeito ao ser humano,

Aquele que dá valor ao que tem

Realmente valor...

Não quero ser o fogo e você a palha

Não quero ser o seu dia

E você minha noite,

Não quero ser um príncipe encantado ,

De uma princesa adormecida ,

Não quero encontrar você

E deixar você perdida,

Apenas quero que nosso encontro

Não seja um ponto pequenino,

Desses que não passam de um

Encontrar de retas diferentes

E depois indiferentes...

Quero que nosso encontro seja

Motivo de uma continuidade

Mais feliz, mais amorosa,

Doce, mais humana...

Não quero ser apenas uma coisa

Nova em sua vida

E depois envelhecer

Quando amanhecer o dia...

Quero apenas dobrar a esquina

Do seu mundo

E deixar a sensação

de que não fui embora!

Porto Alegre




Porto Alegre




"Estrela da manhã " ( poetisa )

(frase de um anjo, gestando a Saúde :" O prenúncio da sorte talvez seja as cores que enxergamos nas cores..." )

"Um porto alegre é bem mais que um seguro, na rota das nossas viagens no escuro " ( Caetano Veloso )


Se não naveguei em teu barco
Fui o porto em que ancoraste

Se nunca te vi amanhecer
Vi o sol nascer em teus olhos e iluminar todo o teu ser.

Se estive distante em teus momentos de dor
Partilhei contigo momentos de extremo prazer.

Se não pude te dar a mão na caminhada
Voei sorrindo com teus sonhos mais insanos

Se não pude ser o porto que te deu segurança
Fui o porto que te deu alegria.

Pois te ti, vi o belo
Despertei o poeta
Surpreendi o amante
Inquietei seus valores
Levantei poeira
Resgatei a tua delicadeza
Causei reboliços em ti
Com meu amor saltitante.

E quando tudo parecia acabar , tudo retornava
Pois foi em mim que reconheceste a ti mesmo

E não me sinto sequer vaidosa
- Ao contrário -
Humilde, te agradeço profundamente
Pois se não fui nada disso
Me deste a possibilidade de sê-lo .

Amanhã me caso... de novo !


Amanhã me caso... de novo !
nelson antonio

Ontem, fiz níver de casamento,e como sempre sozinhos ... ela baixando num Centro Espirita e se exorcizando e eu aqui com meus versos sem sentido ... mas com uma sensação nítida de que se o Sol está se pondo é para deixar vir a Lua... e banhar-me a alma com sua Luz prateada e a das estrelas. Peguei meu velho poema do Quintana , como companhia , e espelhei a minha vida . Mais uma vez... sorrindo por nada por não poder chorar de tudo. Casamento de Sol e da Lua dá nissso, sempre!
Nelson Antonio, às vezes triste e sozinho... às vezes Feliz comigo mesmo! Amanhã me caso de novo ! Com ela... a Lua Nova !
Ou me apaixono com a primeira estrela cadente que surgir no Céu... e fugiremos pelo infinito entre mil estrelinhas a nos guiar !









UM SONETO PÓSTUMO
Mario Quintana

- Boa tarde... - Boa tarde ! - E a doce amiga
E eu, de novo, lado a lado vamos !
Mas há um não sei quê que nos intriga :
Parece que um ao outro procuramos ...

E, por piedade ou gratidão, tentamos
Representar de novo a história antiga .
Mas vem-me a idéia... não sei como a diga ...
Que fomos outros que nos encontramos!

Não há remédio : é separar-nos, pois .
E as nossas mãos amigas se estenderam :
-Até breve ! - Até breve ! - E, com espanto

Ficamos a pensar nos outros dois .
Aqueles dois que há tanto já morreram...
E que um dia, se quiseram tanto....
.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

No tempo dos bondes...
















" ...tudo na vida é passageiro, menos o condutor e motorneiro ".


" No bonde havia um anjo pra guiar, outro pra dar lugar
Pra quem chegar sentar, de duvidar, de admirar."
(Música No tempo dos quintais , de Sivuca e Paulo Tapajós )



No tempo dos bondes...
nelson antonio


Morei no Prado, desde que me entendo por gente. E havia duas linhas de bondes elétricos que cruzavam minhas ruas diuturnamente, indo de um abrigo ao outro, incessante e incansavelmente sobre o carril fincado nas ruas de pedras. Os meus bondes iam até a Gameleira num trajeto saculejante, longo e gratificante, enquanto havia também uma linha rapidinha que ia só até o Calafate, pouco depois do Departamento de Instruções da Polícia Militar, o dito D.I., na rua Diabase com Platina.
Eu já era um menino levado e perseguia os tornozelos tentadores das mocinhas que subiam nos dois estribos em degrau alto dos bondes indolentes de minha adolescência. Mulheres não usavam calça comprida, coisa de levianas e o molecório, minha turminha, sentado no meio-fio das calçadas ficava na espreita, deliciosamente a ver aqueles pedacinhos de pernas brancas e rosadas que eram todo meu deleite na hora do banho diário. Haja mãos ! Sem medo de nascer cabelo na palma delas como me amedrontava o pudico Padre Américo da Igreja de São Sebastião, às confissões de todos os sábados.
Os bondes pachorrentos eram muitas vezes habilmente pêgos andando quando arfavam para subir as ruas íngremes de Beagá ou quase paravam nos trechos em curva, como na Rua dos Pampas com a Praça Clemente Faria. O cobrador, com um maço enorme de notas entrelaçadas numa das mãos, ia percorrendo o estribo a cumprir sua difícil missão de não deixar ninguém descer sem ter-lhe pago antes os trocados da viagem. Muitos, a maioria , aproveitando o trajeto sabido e esperado do condutor sobre o estribo , iam pro outro lado do bonde, onde uma enorme vara de madeira impedia o acesso , uma espécie de guarda de madeira, e fugiam desta cobrança, abaixando-se, movimentando-se para frente ou para trás sempre com um olho no pobre do funcionário municipal e outro olho nos postes que zuniam perto de nossas cabeças. Era uma perseguição implacável, sempre vencida pela molecada esperta que na hora agá , a poucos metros do cobrador afoito atrás deles , saltava daqueles paquidermes elétricos e sumia pelas vielas dos bairros aos risos e deboches. Quando pegos pelas camisas , simplesmnte pagavam a ninharia exigida pelo condutor.
Dentro dos bondes os cartazes escondiam o encardido das madeiras mal envernizadas com propagandas mil da cera Parquetina , Sabão Rinso, Cerveja Antártica Faixa-Azul ( só se bebia cervejas de casco escuro, tradicionalmente ) , Toddy, "Eu uso Sabonete Lux " ( Amália Rodrigues ) Leite Moça, " Quem bebe Grapette , Repete " , Cigarros Continental, Mistura Fina, Luís XV, Lincoln, Mentolados, Picadilly ( um mata-ratos daquele, só pior que o Saratoga ! ) . Havia também um poema terapêutico em letras garrafais que jamais esquecí:
" Veja ilustre passageiro o belo tipo faceiro que agora tens ao seu lado
Acredite, quase morreu de bronquite, salvou-o o Rum Creosetado ! "

Você podia ficar horas e horas dentro de um bonde, do início ao fim da linha , sem ser incomodado
pois o cobrador nunca se esquecia da cara de ninguém e nunca cobrava duas vezes da mesma pessoa. Ao chegar no final do trajeto, o bonde parava e havia um ritual de manobras para inverter a trajetória da marcha dos bondes: inverter o gancho elétrico que os prendiam à rede elétrica, reverter todos os encostos dos bancos de madeira da lei numa barulheira infernal, mudar para o outro lado o madeirame lateral que impedia a entrada por aquele lado da via de tráfego ( embarque e desembarque era sempre pelo lado do meio-fio ) , o motorneiro dirigir-se para a frente oposta do bonde. Isto porque a linha era de mão única,não tinha sentido duplo , e o bonde nunca dava marcha-a-ré como os trens.
Dentro dos bondes, a gente tentava se aproximar das meninas com cortesia:
-Posso sentar-me ao seu lado?
- Posso falar com você?
-Qual a sua graça?
- Você não é irmã da...?
- Qual o telefone de sua rua ?
( previlegiados os moradores que o tinham em casa )
- Você é daqui? Eu moro na rua Matosinhos com Pampas.
E as meninas , educadas a não falar com estranhos, respondiam polidamente :
- Não , obrigada. Já sou comprometida.
Falando em meninas, à noite, tínhamos as horas dançantes, cada dia na casa de um, tudo meiado, exceto com os eternos penetras , onde as bebidas preferidas eram o Crush e o Grapette , deliciosas mas em garrafinhas tão pequenas do tamanho de um palmo que mal chegavam para dois goles. Os mais arrojados tomavam um Hi-Fi ( Fanta com vodka ), um Cuba-Libre ( Coca e Ron Merino ), um Drink Dreher, um Drurys uísque nacional ( o importado era uma nota preta ), um Martini branco e doce, um Rabo de Galo ou um Alexander . Bebidas que nos deixavam arrojados e fora dos limites da introspecção , os ditos introvertidos, muitas vezes roubando beijos que nunca teríamos a coragem de roubar se estivéssemos sóbrios . Também chamados de bailes engoma-cuecas pois ninguém resistia sem se entusiasmar totalmente a um rostinho colado, a um corpo banhado e perfumado com Heur Intime (Hora Íntima) grudadinho ao nosso, num ritmo coxal de dois pra lá dois pra cá, aos doces murmúrios femininos do " para... não ...chega pra lá...desgruda...olha a minha mãe vendo... acho que vou ao banheiro " , combinados com o som das vitrolinhas estridentes com os boleros dolentes de Waldir Calmon, Gregório Barros, Luca Gatica com sua La Barca indefectível aos nossos ouvidos musicais. Estes encontros dançantes começavam e terminavam cedo pois depois das dez horas pessoas direitas não podiam ficar na rua e todas as casas tinham seus portões trancados. Era quando começava a se ouvir , como cigarras cantantes, o apito dos guardas-noturnos , uns para se comunicarem com os outros, ou talvez para dizer aos ladrões:
- Estou aqui....cuidado!
Bons tempos aqueles em que se podia andar protegido pelas ruas, se namorava de apenas mãos dadas nos portões , se punha cadeiras nas calçadas para conversas diárias intermináveis, se ouvia atentamente a introdução da ópera castroalvense " O Guarani " sonenizando e alardeando a chegada da Hora do Brasil... " dezenove horas no Rio de Janeiro "
Depois foram chegando os enormes e modernos trolébus ,em 1951, com requinte de poltronas almofadadas, substituindo gradativamente os nossos queridos bondes que, como nós todos cinquentenários , tornaram-se artigo de museu.O último bonde circulou no dia 30/06/1963, morrendo para sempre este meio de circulação em Beagá
( Veja o filme de sua morte e enterro solene em http://www.youtube.com/watch?v=IDtXms7m9Dk. )
Os trólebus desapareceram em 1969, e alguns trens elétricos ainda permaneceram como suburbanos para Betim, Sabará, Raposos e Rio Acima.
Aqui em Beagá tem um belo exemplar de um bonde, o de prefixo 75, do meu tempo de criança no Museu Histórico Abílio Barreto, na Rua Bernardo Mascarenhas, Cidade Jardim. Está lá, imponente, digno,
sobre seus trilhos de prata guardando no seu interior todas as minhas lembranças e saudades do meu tempo de bondes.
Quando estou triste e saudoso , vou lá rever o velho amigo que tantas alegrias me deu. Como se visita o túmulo de uma mãe.


Um interessante site sobre os bondes de Beagá, desde o início , quando movido por muares.
http://www.novomilenio.inf.br/santos/bonden09.htm

Amores mortos e não enterrados



" O tempo não comprou passagem de volta. Tenho lembranças e não saudades ." Mário Lago



Amores mortos e não enterrados

Às vezes, achamos que a eternidade dos amores existe.Os grandes poetas sempre nos induziram a pensar assim, românticamente , na fragilidade humana , mormente Vinicius de Moraes com o fecho de ouro do seu soneto imortal " que não seja imortal posto que é chama mas que seja infinito enquanto dure " . Então, basta um olhar, uma roupa meio igual , uma voz ternamente parecida, um jeito de sorrir semelhantemente e nos transportamos para a saudade daquele que foi o nosso grande amor. Também, um poema que nos pega de surpresa, uma música dolente que toca numa rádio de madrugada, uma comidinha que era só de vocês dois, um vazio que a gente não consegue explicar e lá vem aquele antigo amor nos jogar e prender nas celas do sofrer. E, ainda, como nos faz saudosos um beijo ardente de namorados em plena rua, um banco de praça vazio, uma pessoa que parece nos dar a impressão da outra numa praça de alimentação do Shopping Center, as comemorações dos feriados, principalmente quando estamos sozinhos, sei lá mil coisinhas do cotidiano que nos trazem fragmentos da costumeira figurinha repetida que tanto amávamos no pequeno álbum de nossas vidas... mesmo certos que figurinha repetida não enche o álbum! Mas não podemos nos encantar com o que agora é só recordação e cinzas de um passado recente. Quando as pessoas morrem, são enterradas. A gente sofre, passa dias ensimesmadas e tristes, vem uma depressão que dura o tempo certo de nossa dor pois acabamos nos conformando e partindo de novo para a vida. Mas há pessoas que morrem sem morrer em nossas vidas e ficam insepultas , no vai e vem das nossas recordações. E nos tornamos masorquistas, gostando do sofrer quando a vida passa ao nosso lado nos convidando para novas experiências e para a perfeita cura daquilo que passou. Temos que reagir urgentemente! Mesmo com toda a inércia que nos domina nestas horas, temos que suturar e tamponar com vigor a ferida viva do nosso coração ensanguentado, jogar estas lembranças na lata de lixo do passado e fazer a reciclagem correta e curativa de nossas atitudes. Pensar que não podemos , nem devemos, carregar pela vida afora este cadáver insepulto de um amor que acabou, está morto, recendendo saudades necróticas e purulentas dentro de nossos sonhos, o exacrável cheiro da memória. Temos que nos amar mais e mais. Transbordarmos de amor por nós mesmos. Sempre. Abrir possibilidades, viver novas emoções, caminhar firme em outras experiências, experimentar o novo, vivenciar todo o nosso potencial de amar e ser amado. Afinal, a poda é dolorosa mas nos trará logo novos botões floridos e vicejará a árvore de nossos sentimentos. Amores mortos devem ser enterrados. Não no nosso coração. Não nas nossas lembranças. Mas na compreensão e discernimento de que o amor é infinitamente menor que a PAZ! E que descansem em Paz os amores mortos.Antes eles do que eu !!! nelson antonio, médico de almas

Sou um tatuzinho-de jardim...








Sou um tatuzinho-de jardim...

( Tatu-bolinha ou tatuzinhos -de- jardim ou, ainda, bichos-de - conta )

nelson antonio, um tatuzinho- bola
Quando eu era pequenino,tinha lá meus oito anos, costumava fugir da agitação da casa, onde viviam meus 8 irmãos, suas namoradas, seus milhões de amigos , meus pais e as duas empregadas, e ia me refugiar nos jardins que a circundavam, principalmente debaixo de uma grande escada-caracol. que nos levava para um andar superior onde se situava nosso recanto de estudos e de lazer. Debaixo desta escada, havia muita terra úmida e fofa, berçário de mil folhinhas multicoloridas coloridas, as marias-sem-vergonha , um montoeiro de detritos vegetais pra todo canto e debaixo das pedras, à sombra de uma espirradeira que nos dava constantemente flores cor rosa-choque, e neste cenário eu via correr pra lá e pra cá um verdadeiro exército de pequenos tatuzinhos-de jardim, com várias matizes de cores entre o rosa atéo cinza e o negro profundo, que eram meu deleite.
Com minhas mãozinhas de menininho , em concha, eu as enchia com estes bichinhos encantadores que subiam com suas dezenas de pezinhos rápidos, como pequenas centopéias inofensivas, isópodes que são, pelos meus antebraços e braços e se escondiam em minha blusa escolar, ávidos por uma raiz macia e deliciosa que era a sua alimentação favorita.Faziam de meu pequeno tórax um verdadeiro tobogã , num sobe e desce sem fim...que eu adorava como se fosse uma mágica .Feliz como quem guarda pirilampos na caixa de fósforos e se diverte com suas luzinhas verde-amareladas.
Às vezes, eu tocava com meus dedinhos estes pequenos bichinhos e eles, como num passe de mágica, se enrolavam totalmente e tornavam-se uma bolinha perfeita, como se a defenderem de meus toques falsamente intimadores. Então , o meu prazer era vê-los lépidos e serelepes e, num repente, virarem bolinhas aos montes, acuados e imóveis até que, passado o iminente perigo, espichavam-se de novo e , em segundos, corriam de novo pela terra úmida a procurar abrigo por sob a terra. Eu ficava ali horas e horas, brincando com meus amiguinhos numa doce brincadeira de ora vê-los correr e ora de vê-los enroladinhos a um toque qualquer meu .
Hoje sou moço velho e aprendi com meus tatuzinhos-de-jardim , estes pequenos crustáceos, parentes das lagostas,membros do gênero
Armadillidium , a ter igual procedimento na minha vida: sigo célere a minha vidinha comum e quando sou tocado por algo que julgo ameaçador, ou que deduzo que me fará um mal medonho, em defesa própria eu me enrosco todo e me fecho como um tatuzinho- de- jardim, por horas, dias e até semanas. Passado o perigo, a ameaça, o temporal emocional que desabou, ou não, eu me desenrolo devagarinho e vou tocar a minha vida normalmente.
Achava que isto só acontecia comigo mas hoje descubro que outras pessoas minhas queridas usam às vezes a mesma tática de se enrolarem por uns tempos, virando tatuzinhos-de - jardim fechados, intransponíveis, quando o mundo agressivo e hostil lá fora as torna vulneráveis, carentes , hipersensíveis, desprotegidas.
Como entendo bem de tatuzinho-de jardim, pois eu mesmo sou ou me comporto como um deles, os compreendo e procuro entender estes momentos de fechamento e isolamento emocional, com respeito e identificando-me neles. Acho que o menino que sempre existe em mim me ensina muito da vida. E meus simples tatuzinhos-de-jardim , tão pequeninos e insignificantes, espalhados pelos jardins da vida, continuam a serem meus professores na difícil arte de entender porque as pessoas fogem de mim, não aceitam meus préstimos e pedem-me um tempo para administrarem seus momentos carenciais com elas mesmas.E eu tenho igual procedimento de fechamento interior.
Pacientemente, espero a abertura delas e , então, como num passe de mágica , um dia elas voltam a entender que não sou tão horrorível como elas pensavam eu ser. Desenrolam-se E vamos juntos então, sem receios, lado a lado, na doce ventura de brincar de viver e de vivenciarmos um ao outro, com Amor , cuidados e carinho. Fazendo de cada dia uma saudade bonita a ser lembrada quando não mais formos.Como a saudade que tenho dos meus tatuzinhos-de-jardim que brincavam comigo e eram todo o meu encanto de menino que fui!E ainda persisto em ser...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Haja "Siblima "





Haja Siblima


nelson antonio médico poetador 06-04-2011

( Em homenagem a uma amiguinha cliente virtual )


Noite e dia a correr atrás dos filhos

Meu Deus, que drama daquela dona

Apaixonada pelo marido, fora dos trilhos

Ela me pergunta: será que o Siblima funciona?


Doido com ela, ele quer tudo a toda hora

Não lhe dá descanso e sempre a quer peladona

Ela , depois de tudo, repete-me sem demora:

- No meio desta doideira será que o Siblima funciona?


Meio perdido entendendo o que se lhe passa

Tento acalmá-la com meus conselhos, sem graça:

- Tome a danada da pílula... espere que faça efeito!

Mas se atrasa um segundo o dia da menstruação

Sobe-me à cabeça uma terrível indagação :

Será que o maldito Siblima ela tomou direito ?



( Aí ... quem tomará o Siblima sou eu ,

Pois esta menina já me enlouqueceu! )