Hoje,escrevinhador
nostálgico, estou com saudades dos antigos natais, de esperar pela meia noite
pra Missa do Galo... dormindo em pé ou pelas poltronas da sala de estar da
casa dos meus pais ( mudaram-se pra Morada Eterna ) ao som de músicas natalinas
que escapavam da velha vitrola que arranhava nosso vinil como um gato de unhas
afiadas.
A gente criança lavadinha, de
topete engomado com Glostora , de calça azul-marinho curta, blusa branquinha
de algodão aromatizada com Rinso , sapatos Vulcabrás pretos, exaustivamente
engraxados, e meias Lupo branquinhas como a nossa alma... quanta saudade
daquele menino , sempre extasiado pelo brilho cintilante das luzinhas
multicoloridas da árvore de Natal e pelos pacotes brilhosos dispostos debaixo
dela: qual será o meu ? Quem dera fosse aquele ali grandão de papel celofane
vermelho! Ou aquele redondão ...quem sabe ali uma bola de futebol G18 ?
Hoje, sou um médico
ainda voltado à brancura impecável das roupas e das atitudes! Mas ainda pondo
meus sapatinhos nas janelas da vida à espera de um sorriso, de um beijo da
pessoa querida, de um alô, de uma cartinha amiga, de um desejo sincero de Feliz
Natal... esperas inúteis e frustantes. Pois estamos no mundo absoluto do Eu, Eu,
Eu... e passarei mais um Natal abraçado às minhas lembranças abissais. Todo
Natal me é triste pois traz as lembranças mais felizes que tínha ... e que se
perderam no tempo dos natais. Dos natais meninos! Acho que todos nós somos
tristemente assim ...pobres meninos envelhecidos!
Nelson
Antonio,médico de almas.
Véspera de Natal...
nelson
antonio
Sou para os pobres o seu Papai Noel
E tenho sempre que
acreditar
Que as coisas vão parar de piorar
E que virão milagres chovendo
do Céu...
Debaixo das marquises os mendigos
Repartem os restos
pútridos de comida
E as casas se superlotam de amigos
Trocando mil
presentes , encharcando-se de bebida
Nos Postos de Saúde
superlotados
Gemendo nos corredores espremida
Vejo uma multidão de
desamparados
Como médico , me vem uma dor aguda
De sentir que a
medicina em nada os ajuda
Quando a doença do povo é não ter comida!
Tempos de Natal
Nelson Antonio
Natal,
que teria isto a ver comigo
Que já não sou mais uma criança
Perdí pela
vida até a esperança
De encontrar fora de mim um Amigo...
Natal, tempo
comercial de gente rica
Comprando avidamente mil ilusões
Repletando de
gorduras obesos corações
Enquanto o pobrezinho mais se
mortifica
Esquecemos que Jesus saiu de Seu Céu
E resplandeceu em todo
o Seu apogeu,
Acolhido naquela simples e morna palha
Para ver aos
homens, empavonados de vaidade,
Que a grandeza de Deus se fez na
humildade
E a grande justiceira social é a terra, nossa mortalha!
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