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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Véspera de Natal...




Véspera de Natal...
nelson antonio


Sou para os pobres o seu Papai Noel
E tenho sempre que acreditar
Que as coisas vão parar de piorar
E que virão milagres chovendo do Céu...


Debaixo das marquises os mendigos
Repartem os restos pútridos de comida
E as casas se superlotam de amigos
Trocando mil presentes , encharcando-se de bebida

Nos Postos de Saúde superlotados
Gemendo nos corredores espremida
Vejo uma multidão de desamparados

Como médico , me vem uma dor aguda
De sentir que a medicina em nada os ajuda
Quando a doença do povo é não ter comida!




quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A casa do Oscar...Chico Buarque

A casa do Oscar era o sonho da família. Havia o terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira.
Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e sai batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar! Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguazes, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquale casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.
Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando a minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é a casa do Oscar. ( Chico  Buarque ) 
 
http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/videos/t/edicoes/v/chico-buarque-relata-admiracao-por-oscar-niemeyer/2279309/
  http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/videos/t/edicoes/v/veja-frases-marcantes-de-oscar-niemeyer/2279336/   
 
http://drnelsonantonio.blogspot.com/

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

FINADOS ...




FINADOS
nelson antonio


Meus mortos já não repousam  mais ali

Onde foram plantados e com lágrimas regados,

Em cada espaçonave de madeira que os vi partir

Levaram pedaços de minha alma arrancados...



Meus pais e os  seus pais , mil  parentes  e amigos

À sepultura solenemente desceram rumo ao infinito.

Hoje apenas  jazem  pedaços de seus ossos carcomidos

Embaixo de uma lápide com seus nomes sobrescritos.


A morte é implacável em sua sanha  voraz,

Como um animal que espreita o deslize de sua presa,

Sabe ser paciente,  aliada do humano tempo  tão fugaz.


E quando, soberbos,  nos julgamos seres imortais

Chega a  hora em que os ponteiros não correm jamais

E nos tornamos entre mil lápides um nome a mais!



                                                           Dª  Iracema e Dª Zê


Com meu carinho, tristemente
nelson antonio

Poema MORTO

     
     
        Poema MORTO 
           Nelson Antonio









                    02/11/2012



Dois de Novembro
Dia da Exumação da saudade
Dos que sempre me lembro
E repousam na Eternidade !

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A bela velhice




A bela velhice

Há uma geração que está rejeitando estereótipos e criando novos
significados para o envelhecimento



No livro "A Velhice", Simone de Beauvoir, após descrever o dramático
quadro do processo de envelhecimento, aponta um possível caminho para
a construção de uma "bela velhice": ter um projeto de vida.

No Brasil, temos vários exemplos de "belos velhos": Caetano Veloso,
Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Chico Buarque, Marieta Severo, Rita Lee,
entre outros.

Duvido que alguém consiga enxergar neles, que já chegaram ou estão
chegando aos 70 anos, um retrato negativo do envelhecimento. São
típicos exemplos de pessoas chamadas "ageless" ou sem idade.

Fazem parte de uma geração que não aceitará o imperativo: "Seja um
velho!" ou qualquer outro rótulo que sempre contestaram.

São de uma geração que transformou comportamentos e valores de homens
e mulheres, que tornou a sexualidade mais livre e prazerosa, que
inventou diferentes arranjos amorosos e conjugais, que legitimou novas
formas de família e que ampliou as possibilidades de ser mãe, pai, avô
e avó.

Esses "belos velhos" inventaram um lugar especial no mundo e se
reinventam permanentemente.

Continuam cantando, dançando, criando, amando, brincando, trabalhando,
transgredindo tabus etc. Não se aposentaram de si mesmos, recusaram as
regras que os obrigariam a se comportarem como velhos. Não se tornaram
invisíveis, apagados, infelizes, doentes, deprimidos.

Eles, como tantos outros "belos velhos" que tenho pesquisado, estão
rejeitando os estereótipos e criando novas possibilidades e
significados para o envelhecimento.

Em 2011, após assistir quatro vezes ao mesmo show de Paul McCartney,
perguntei a um amigo de 72 anos: "Por que ele, aos 69 anos, faz um
show de quase três horas, cantando, tocando e dançando sem parar, se o
público ficaria satisfeito se ele fizesse um show de uma hora?". Ele
respondeu sorrindo: "Porque ele tem tesão no que faz".

O título do meu livro "Coroas" é uma forma de militância lúdica na
luta contra os preconceitos que cercam o envelhecimento. Tenho
investido em revelar aspectos positivos e belos da velhice, sem deixar
de discutir os aspectos negativos.

Como diz a música de Arnaldo Antunes, "Que preto, que branco, que
índio o quê?/Somos o que somos: inclassificáveis". Acredito que
podemos ousar um pouco mais e cantar: "Que jovem, que adulto, que
velho o quê?/ Somos o que somos: inclassificáveis".

MIRIAN GOLDENBERG é antropóloga, professora da Universidade Federal do
Rio de Janeiro e autora de "Corpo, Envelhecimento e Felicidade" (Ed.
Civilização Brasileira)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Descarte de um coringa


                                    Descarte de um coringa

No jogo  desta vida imprevisível
Sou mera carta descartada sobre a mesa
Na vida dos que me usaram  com esperteza,
Em momentos em que fui presença imprescindível .

Metamorfoseado  em todos os naipes,   de Valete
Fiz-me Rei , Rainha e até  um Ás de Ouro ,
Enquanto hábeis  mãos como uma marionete
Manipulavam-me  de um lado para o outro.

Mas chega o dia  em que somos desimportantes,
Material barato e inútil que se joga  no lixo , 
E lançam-nos na frieza de um  cruel ostracismo.

Hoje,  decifrando  melhor a  vida, com conformismo
Sinto que meu presente nada mais é que meu passado:
 Sou  importante até tornar-me um coringa descartado !  



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Clube Minas Gerais, meu Clube-Família

Clube  Minas Gerais, meu Clube-Família

( Ao meu primeiro neto  Paulo Henrique ,  sucessor ... do meu  sucessor ) 


Como é lindo meu  Clube Minas Gerais
Tal minha pátria, é da familia uma  extensão...
Por todos os seus cantos vamos  mais e mais
Fazendo novos amigos, tornando-nos irmãos !

Suas antigas árvores soberbas e altaneiras
Aos poucos veem os filhos  substituindo os pais...
Lembram-me de velhas amizades companheiras
Eternas na memória que os tempos não trazem mais.

No imenso divã  verde atapetado  de seus campos
Desfilam  céleres as mais primitivas das emoções
Em  gritos, choros, rezas e até  mesmo palavrões ! 

E eu , envelhecido, que ali  corro  desde garoto,
No lusco -fusco  da  vida clubística, digo  em prantos :
 - Só deixo  do meu Clube quando  estiver morto! 


sábado, 11 de agosto de 2012

Pobre coração minado e agora na escuridão...

Obrigado aos que mais uma vez pensam em mim , aos que falam aos seus deuses por mim, aos que me tocam na residência da minha alma : meu coração. Foram estes com suas palavras doces, cheias de gentileza e generosidade, que me levantam e hoje fazem-me mais FELIZ, em tentativa de total e plena recuperação , dos meus olhos e do meu coração, ambos minados... mas resilientes ! O amor, como disse-me uma amiga querida, é o que me resta para renovar mais uma etapa da minha vida... até q
uando Ele quiser.E Ele há de querer ...
Obrigado, de coração. E de olhos lacrimejados e dodói...

PS - Todos vocês a quem eu sou grato estão lá no meu coração, além dos meus cinco stents! São minhas escoras emocionais. Estarei bem vendo através dos olhos e do coração de vocês, meus amigos ! nelson antonio

Ainda tento e posso ler seus emails ... mesmo que não os possa lerei pela alma !
drnelsonantonio@gmail.com









" Já andei por tantas terras, ja venci mil guerras, ja levei porradas, dominei meu medo, ja cavei trincheiras no meu coraçao... "

Já perdi, e fui perdido , por tantas pessoas bonitas que têm o coração amarrado, condicionado a outro coração e por isto perdem a capacidade de sonhar e de existir, como duas águias amarradas pelos pés... sem poderem voar pelo céu da Li
berdade ! Ah como me fazem falta. Ah ....como fazem falta a si mesmas! Eu que sou um coração minado , implodido pela intolerância ... e pela crueldade nossas com a afeição que lhes dávamos em gratuidade e incondicionalidade ... mas que , ambos, não soubemos resgatar
das profundezas abissais de nossas almas egoístas que se perderam no dobrar das esquinas de nossas vidas ! Ficaram saudades bonitas do quanto fomos felizes sem o saber... enquanto fomos ! Ah...coração minado.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Virtualino






VIRTUALINO

Nelson Antonio


Corre aflita, derrubando filhos, cachorros, marido... pela casa adentro .
Pra ligar o computador, desesperada e como sempre necessitada, para ver logo sua florzinha verde brilhante a denunciar : On-Line no ICQ.
-Sim, quer um chat com ele, o Virtualino, logo-logo , pra ontem !!!...
Enquanto a máquina vai acordando, sonolenta, como que se espreguiçando, abrindo mil besteiras na sua área de trabalho repleta ( bolsa de mulher e área de trabalho ....Ah !....quanta semelhança ....), empurra pra dentro um sanduíche enorme de saudades goela abaixo, com uma Coca-Cola gelada de ansiedade, derramando amarronzados em sua blusa branca posta há pouco.
Depois dessa lenga-lenga toda, finalmente aquele hediondo apito de trem da inicialização do ICQ ecoa pela casa toda : ela está conectada a 46.666 bps , sem banda larga que o marido não paga nem por decreto pois tem um ódio da maldita Internet da mulher !
Coloca sua senha ultrasecreta ( cheia de # e asteriscos , mil sinais loucos que lê da cola , bem escondidinha no sutiã 42 apertado ) e a florzinha yellow - green - red girando, girando... enquanto seu coração pula pela boca àfora, sobressaltado....
Mas, de repente , cadê o Virtualino que se esconde atrás de uma florida DND ( Do not Disturbe ) maldita, criando um muro impenetrável entre eles dois ?
Fica ali, bestificada, esparramada pela cadeira giratória, sabendo-o alí On-Line , bandido !, traidor !, Zé Galinha galinhando com todas as gentes do mundo...menos ela !
Pensa nervosamente : maldito amor virtual que faz sua raiva ser REAL, irracionalidade por se fazer de besta, traindo a tudo , a todos e a si mesma ! E logo ela que não acreditava em coisas da Internet estava agora vício-apaixonada perdidamente neste jogo das ilusões.
Mas de repente, pluft ! , ele entra On-Line. Vem aquele familiar toc-toc e a voz esganiçada daquela cabritinha do ICQ a lhe chamar ( seria um pato morrendo , pássaro engasgado ?... " Qual-qual....qual-qual... ", no som indefectível da campanhia de chamamento do ICQ ).
Numa mensagem com direito a fundo rosa dos amantes virtuais, antecedida com uma carinha de anjinho sapeca, ele tecla em marinho :
- Oi, cê tá aí ? Psssiu !....
E ela, espavorita, cúmplice, trocando tudo que é letra, responde :
- Hooooiiii !... Tô aqui sim !....É você mesmo, Virtualino ?
E lá vão eles , então, meninos, aflitos, inocentes, soltos, a brincar de gostar !...
Adolescendo -se !...
Realmente, iludidos um do outro como todos nós, os amantes virtuais !...