segunda-feira, 21 de março de 2016

Tu te tornas eternamente trouxa pela expectativa que cultivas

Tu te tornas eternamente trouxa pela expectativa que cultivas

Ninguém se decepciona com o inimigo. O mais difícil na decepção é que ela vem, justamente, de quem menos esperamos. É feito veneno que entra na circulação e paralisa a mente. Anestesia a percepção, e então, a primeira reação é excluir qualquer possibilidade de que aquilo seja real. A gente nega, mente pra gente na cara dura. — Não é possível que isso está acontecendo! —Isso não existe! — Nem mesmo eu existo! — Quem existe? Afinal de contas, onde estão as claquetes, os atores e as câmeras dessa pegadinha?
Depois, a ficha cai junto com a cara no chão. A gente sente a pancada, bem forte na boca do estômago. É como um filme que paralisamos na cena de um nocaute. E mais tarde, ao apertarmos o play, a pancada vai certeira na alma. A vontade é de virar um cartoon, abrir um zíper nas costas e sair daquela pele, correndo. Em seguida, entrar num bar, levantar a mão para o garçom e pedir: — Outra vida, por favor!
É…para se decepcionar basta estar vivo. Basta esperar, previsionar ou nos cercarmos de expectativas em relação ao outro. Fazemos isso o tempo todo: construímos uma espécie de previsão para facilitar as relações. Mas, jamais conseguiremos prever o desejo do outro, controlar o desejo de alguém. Isso é da ordem do impossível. E aí é claro que uma hora ou outra, desacertamos a previsão. Trocamos um dia lindo de sol ensolarado por tempestades esparsas, com nuvens negras carregadas, a cobrir o fim da tarde de sexta. Nesses dias o tempo fica virado, é céu nublado, e a alma então nem se fala. Uma enxurrada no nosso narcisismo, a nos entregar toda a verdade sobre o mundo: esse lugar é mesmo perigoso. E os habitantes deste planeta inseguro são pessoas, humanos, demasiadamente humanos. Imperfeitos em sua essência, embora cresçamos, muitas vezes, na ilusão maternal a ludibriar nosso convencimento de que o mundo é um lugar legal e todas as pessoas são felizes.
Ninguém está imune a se decepcionar, uma hora ou outra vamos padecer da desilusão, ou seremos nós os protagonistas disso. Traídos ou traidores. Frustrados ou frustradores. Baleados ou atiradores. Quem nunca?
Não somos os mesmos depois de uma desilusão, mas sabemos mais uns dos outros a partir dela. Passamos a suspeitar das previsibilidades humanas de errar, fragilizar, fracassar. Passamos a saber que não é inteligente esperar de quem não tem pra dar. E quando somos nós os errantes, percebemos o quanto ferir alguém que amamos se assemelha cortar a própria carne. Talvez se reestruturarmos o outro dentro de nós, aproximando-o da sua humanidade errante, poderemos assim fazer conosco o mesmo, e crescer um pouco mais. As expectativas correm, sem mais confetes, plumas e paetês. É melhor esperar menos e se surpreender, do que construir castelos no vento, vê-los ruir, e ter que olhar impotente o desengano.
Mas de todas as sequelas que sucedem uma decepção, o aprendizado é o maior risco que corremos. Decepções são ensinamentos, e isso não significa que seja algo pra se colecionar, emoldurar ou passar na frente todo dia e rezar um pai-nosso. Ficar triturando aquilo, acreditando que nossa dor é a maior do mundo, é amarrar corrente no pé e chicotear a felicidade todos os dias. Não dá!
Nossos melhores dias vêm após as piores decepções. Acredite, a gente cria casca e se protege mais, aumenta a imunidade para o dissabor, separa melhor o joio do trigo. Fazemos mais por nós mesmos, esperamos menos do outro, e acabamos, portanto, mais leves e responsáveis por nossa felicidade. A gente descobre no fim que o verdadeiro é o que nos traz o bem, isso permanece. O resto é fumaça, é dor que nas asas do tempo e do perdão — sejamos os errantes ou não — voa pra bem longe de nós.

Fone- Ruth Borges , em  Revista Bula 

quarta-feira, 16 de março de 2016

Máscaras




Máscaras

nelson antonio






À noite, fujo de mim ... insólito internauta, estrelas escorrendo pelos dedos no teclado e escondo a imagem lúcida e visível do meu corpo de dia, nas caixas encantadas de segredos, que oculto em territórios impossíveis, ditos nicknames.

Então, penso no mundo que aprendi a sonhar e me instalo num raio de luar, num espaço que é meu, tão real e sensível, que esqueço o cotidiano...

Aí me enfeito em núvens com cabelos de chuvas, olhos de garoa e incríveis adereços de neblina. E sei tear, com lascas de infinito, imensos agasalhos... E sei falar com flores coloridas, salpicadas de orvalho... E me envolvo em cantigas de ninar que repetem : sonhar, sonhar, sonhar...

Mas chega o dia. Inverno ou primavera. Existem máscaras à minha espera. E me adorno com elas, com elas me protejo... Sólido como pedra, então planejo, organizo e dirijo, alheio e impassível, ligado ao que é real, ao que é tangível, provando a dor, a solidão, o medo. E descubro o que sou : um terrível brinquedo !...

sábado, 5 de março de 2016

MEDICINA -Inimiga do coração: hipertensão atinge um a cada quatro adultos

Médicos tentam combater e alertar a população sobre a doença




 

Um mal silencioso com consequências que podem ser fatais. No Dia de Combate e Prevenção à Hipertensão, os médicos alertam para o problema, que atinge um a cada quatro adultos. Reconhecida como inimiga do coração, é um perigo também para outras áreas do organismo altamente vascularizadas, como cérebro, rins e até mesmo os olhos. A hipertensão arterial é considerada a partir de 140 por 90 milímetros de mercúrio (140mmHg por 90mmHg), ou, como se costuma dizer popularmente: 14 por 9. Pode ser leve, moderada ou grave. Mas, em qualquer um desses patamares, se não tratada, pode resultar em complicações para a saúde. “É uma doença muito comum. Como não tem sintoma nenhum, ao longo dos anos provoca lesões em órgãos nobres, como coração, rins, cérebro e as grandes artérias”, afirmou o cardiologista Thiago da Rocha Rodrigues, do Hospital Felício Rocho.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) faz a campanha Quem se medica contra a hipertensão vive sem restrição para alertar para a importância de identificar a doença. Os números são preocupantes: a cada dois minutos, um brasileiro morre por causa de doenças cardiovasculares, 350 mil a cada ano. Apesar dos números, as pessoas ainda não dão a devida atenção.A hipertensão ou pressão alta é uma doença crônica que, depois de 10 e 15 anos, pode resultar em outras doenças, como hemorragia cerebral, acidente vascular cerebral (AVC), infarto, insuficiência renal e obstrução das artérias. “É uma doença silenciosa e traiçoeira. A hipertensão não tratada pode resultar em uma dessas catástrofes”, diz Thiago da Rocha.

Felizmente, é um quadro de fácil diagnóstico, que deve ser feito por um clínico ou cardiologista por meio da aferição. “Basta uma medida simples da pressão, que deve ser feita em qualquer consulta de rotina, ou até mesmo por aparelhos digitais, que são muito comuns na atualidade”, afirma o cardiologista Marcus Bolivar Malachias, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A aferição deve ser feita em um momento em que o paciente estiver tranquilo. “Quando a aferição é feita em um momento de estresse e irritação, a medida pode ficar momentaneamente elevada. É bom que antes a pessoa fique de repouso por pelo menos cinco minutos”, sugere Thiago da Rocha.

O problema pode surgir em qualquer época da vida, mas é mais comum entre 40 e 60 anos de idade. Não há diferença na prevalência entre homens e mulheres. O tratamento é feito por meio de medicamentos, mas também são indicadas redução no consumo de sal e a prática moderada de exercícios físicos. “Dispomos de muitos medicamentos para hipertensão. Temos diversas classes de remédios. O paciente pode não se adaptar a um, mas temos alternativas.”

Ao longo dos anos, os medicamentos passaram a ser mais tolerados, com menos efeitos colaterais, e são mais eficazes. Em cerca de 95% dos casos, a pressão alta tem causas genéticas. O sedentarismo, o alcoolismo e má alimentação podem potencializar o problema em pessoas que tenham predisposição genética. “Quando pai e mãe têm pressão alta, as chances são maiores. Mas não é 100% certo.” É indicado que a pessoa faça um checape para avaliar a pressão.

ALIMENTAÇÃO
A alimentação pode ser uma importante aliada no combate à hipertensão. Além da redução do consumo de sal, a ingestão de alguns nutrientes auxilia na redução de pressão arterial. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica o consumo de cinco gramas de sal por dia, mas estudo da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2014) demonstrou que os brasileiros consomem até 2,5 vezes mais, cerca de 13g diários. De acordo com o nutricionista Lupércio Farah, beterraba, melancia, alimentos verde-escuros, castanhas, nozes e chocolate amargo podem ajudar a reduzir a pressão. Ele também aconselha o consumo de uma taça de vinho ou de suco de uva integral como forma de combater a hipertensão. “Basta sermos criativos. Com o que temos à mão, podemos fazer boas saladas e sucos saborosos”, ensina.

Um estudo publicado no British Journal of Nutrition, em 2012, comparou o efeito de 100g de extrato de beterraba roxa e branca sobre a pressão arterial de pessoas normais. Os resultados mostraram que o nitrato, presente em abundancia na beterraba, foi responsável pela redução da pressão arterial de forma significativa, de 15 por 9 para 13 por 7. Outro estudo conduzido na Itália publicado no American Journal of Clinical Nutrition mostrou que o chocolate amargo reduziu a pressão arterial de 11 por 8 para 10 por 8.

Para combater o sódio, vilão da hipertensão, a dica é apostar no verde. A clorofila (pigmento verde encontrado nos vegetais) é uma das maiores fontes de magnésio que encontramos na natureza. Em níveis normais na corrente sanguínea, o magnésio ajuda na excreção do sódio, responsável por aumentar o volume de líquido nos vasos sanguíneos e, consequente, a pressão arterial. Conduzida por pesquisadores do Departamento de Medicina do Centro Médico Albert Einstein, na Philadelphia (EUA), o estudo demonstrou que a suplementação de magnésio, de três a 24 semanas, resultou na diminuição da pressão arterial.
 Márcia Maria Cruz - Estado de Minas Publicação:26/04/2015 08:03

quarta-feira, 2 de março de 2016

Fisioterapia melhora o desempenho sexual em idosos

Cientistas dos EUA notaram que terapias amenizam danos da queda hormonal




Fisioterapia para o assoalho pélvico reduz incontinência urinária em mulheres e melhora desempenho sexual de homens



O fim da vida fértil é uma etapa difícil tanto para homens quanto para mulheres. Nele, o sistema hormonal do corpo sofre mudanças consideráveis, com impacto direto no bem-estar. Dois novos estudos trazem soluções para algumas complicações dessa etapa da vida. Cientistas canadenses mostram que o treinamento muscular para o assoalho pélvico reduz em 75% a incontinência urinária, problema que atinge mulheres com osteoporose na idade avançada. Já pesquisadores dos Estados Unidos detalham, pela primeira vez, os benefícios do uso da testosterona em homens com mais de 65 anos. Ambos os trabalhos trazem esperança de avanços em tratamentos para a andropausa e a menopausa.

A chegada da menopausa compromete a estrutura óssea das mulheres, aumentando os riscos de incontinência urinária por falta de força no assoalho pélvico. Os exercícios físicos têm sido apontados em pesquisa como uma prevenção ao problema. Mas a solução nem sempre é posta em prática com facilidade. “Muitas pessoas nessa condição se veem limitadas a realizar atividades físicas por medo de vazamento. Mas, ao sofrer com a perda óssea ou com o risco dela, é necessário o treinamento de força, além de uma dieta adequada de cálcio e vitamina D para prevenir e reduzir o risco de fratura”, destacou, em comunicado à imprensa, Joann V. Pinkerton, pesquisadora do The North American Menopause Society (NAMS), grupo que edita a revista Menopause, onde o estudo foi publicado.

Por conta da limitação, cientistas do Hospital e Centro de Saúde da Mulher BC em Vancouver, no Canadá, resolveram investigar se exercícios pélvicos poderiam surtir efeito. Eles selecionaram 48 voluntárias com ao menos 55 anos e enfrentando o problema. Metade delas participou de sessões de fisioterapia para exercitar o assoalho pélvico, a outra parcela apenas recebeu orientações médicas de especialistas, como nutricionistas e fisioterapeutas. Ao monitorar as participantes, os investigadores notaram uma redução de 75% em perdas de urina nas mulheres do primeiro grupo. O benefício se manteve durante ao menos um ano.

Para Carolina Adorno, ginecologista e obstetra da Clínica Equilíbrio, em Brasília, a melhora constatada pode ser justificada por necessidades naturais do corpo. “Nossa pelve exige constantes estímulos para não deteriorar e perder massa consistente, que confere força à musculatura de apoio às vísceras. Existem exercícios de toda a pelve que podem ser feitos a qualquer hora do dia, sem mesmo que seja preciso parar as atividades rotineiras, como os de Kegel. Mas é bom que se compreenda que cada caso deve ser analisado individualmente, uma vez que existem diferentes graus de incontinência urinária”, destaca.

Adorno também destaca que pesquisas sobre essa fase da saúde feminina são bem-vindas principalmente pela existência de dúvidas em torno da reposição hormonal. “As mulheres devem entender que a chegada da menopausa não encerra a qualidade de vida, a feminilidade, a libido e o prazer. Pelo contrário, a medicina avança a passos tão largos que, muito provavelmente, pode ser o começo da melhor fase da vida”, diz.

Andropausa
Para os homens, o avançar da idade traz problemas como perda do desejo e dificuldade de ereção. A prescrição de testosterona aos mais velhos, que chegaram à sétima década de vida, traz dados incertos. “Os ensaios em homens mais velhos produziram resultados ambíguos e inconsistentes”, explicou, em comunicado, Jane A. Cauley, pesquisadora na Universidade de Pittsburgh. Agora, ela e colegas divulgaram no New England Journal of Medicine, conclusões promissoras.

Os cientistas analisaram 79 homens com mais de 65 anos e baixos níveis de testosterona. Parte deles recebeu um gel de placebo e outra parcela um gel com o hormônio. As substâncias foram usadas diariamente durante um ano. Os participantes realmente medicados apresentaram melhoras na atividade, no desejo sexual e na capacidade de ter ereção. Os cientistas não observaram avanços significativos na disposição física, mas notaram evoluções no humor e redução de sintomas depressivos.

“Nossos resultados mostram, pela primeira vez, que o tratamento com testosterona em homens mais velhos e com níveis baixos do hormônio tem algum benefício”, destacou, em comunicado, Peter Snyder, professor na Divisão de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo da Universidade da Pensilvânia e um dos autores. “No entanto, as decisões sobre o tratamento com testosterona também dependerão dos resultados de outros quatro ensaios envolvendo funções cognitiva, óssea, cardiovascular e anemia. Precisamos saber dos riscos do tratamento”, complementou.

Para Clovis Cechinel, geriatra do Laboratório Exame, em Brasília, a pesquisa dos cientistas norte-americanos precisa de dados que tragam os possíveis efeitos prejudiciais da testosterona aos homens. “Foram avaliados poucos aspectos. Precisamos pensar na questão dos efeitos adversos, como a acne. Sabemos que ela pode surgir com o uso do hormônio. Temos esses aspectos sexuais positivos mostrados nesse experimento, mas os riscos extras, como problemas cardiovasculares, podem ser gerados”, diz.

Cechinel observa que a testosterona já é prescrita por médicos, mas em situações bem específicas. “Tenho pacientes que usam e respondem bem, mas são casos isolados, nos quais sabemos que as chances de se ter um efeito adverso são pequenas. É preciso ter cuidado com esse tipo de pesquisa para que não ocorra o uso exagerado desse hormônio, o que seria perigoso”, alerta.

Em qualquer posição
São atividades realizadas para combater a perda involuntária de urina. Tonificam e fortalecem o músculo pubiococcígeo, localizado no assoalho pélvico, por meio de concentrações seguidas dele. Servem também para os homens, que podem controlar a ejaculação precoce por meio dos exercícios. Podem ser feitas com a pessoa sentada, em pé ou deitada.
Fonte:: Vilhena Soares - Correio Braziliense 1/3/2016