quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Dia do Médico, um desabafo...


Dia do Médico, um desabafo...
nelson antonio, médico social

Obrigado, amigos queridos. É um dia de muita luta para mim pois reiniciei esta semana , ainda claudicante, minhas atividades nos Postos de Saúde, sucateados infamemente, deixados ao descaso das autoridades públicas ou investidas politicamente. Ser médico é ser partejado diariamente pelo sacrifício e descaso. É muito triste ser médico quando se tem um coração-emoção no peito... quando se sente a dor do outro como se fosse a sua. E o é!... Adoecer-se com eles... ver uma vida indo embora com a sua...morrendo por eles. E vendo que o muito é muito pouco, quase nada!
Por mais que faça, sou uma pequenina gota de água neste mar de miséria social e afetiva, neste descalabro administrativo chamado SAÚDE. Esta moeda pôdre de troca eleitoreira .
Tenho um defeito e este, apesar de ser muito grave pois envolve o desenvolvimento patrimonial dos que me dependem familiarmente, é o que mais eu adoro de tê-lo: amar o outro como se ele fosse eu. .. e nunca explorá-los com o dízimo do peculato , como o faz estas religiões funâmbulas da Cruz... com seus obesos comandatários bíblicos. Odeio esta corja que se esconde no madeiro da Cruz, em nome de Jesus com a cobrança indevida aos que nada têm para oferecer ( às vezes, nem um muito obrigado recebo como paga , pois eles não sabem o quanto isto é gratificante e estimulante para quem se dedica a eles de corpo e alma. Mas leio os seus olhos marejados e sei que naquela lágrima que rola existe um mar de gratidão... A honra de atendê-los é a maior paga! ).
Antes do atendimento, penso e coloco-me em filas, antevejo-os passando madrugadas à procura de uma senha médica, adivinho-lhes as desditas e sofrimentos, tento resolver o problema dos pobres e não o meu. Assim procedendo , torno-me uma das pessoas mais ricas do mundo , exatamente por nada ter que não tenha vindo do meu trabalho honesto e honrado. A CARIDADE é , para mim, o maior mandamento da Lei de qualquer Deus... Mas atender a população com dignidade e respeito é uma obrigação, é um gesto de cidadania, pois afinal sou pago por eles, meus patrões verdadeiros, e tenho que dar o melhor de mim a eles.
Não há o que comemorar neste dito Dia do Médico. Tenho é vergonha de o ser quando amarram-me as mãos para que não possa dar um atendimento condigno, quando as farmácias não cumprem o seu destino de medicá-los prontamente, quando um Chefe arrogante pede-te um favor, compulsóriamente , a um protegido seu em detrimento de quem está muitas vezes abandonado numa maca infecta e sem qualquer assistência .
Agradeço o carinho de todos vocês que me conhecem pessoalmente ou por atitudes. E sabem como eu sou, o que faço, o que penso... o que e como ajo! E, de todos estes, agradeço ao que me olha seriamente no espelho todas as manhãzinhas nascentes e diz-me:
- Vamos, Doutor. Alguém precisa de você mais do que você se necessita! Mãos à obra, operário da Saúde!!! Seus patrões te aguardam !!! E trate-os bem como se fossem você!!! E o são...
Dr Nelson Antonio, médico de almas

Realidade da Saúde Brasileira, sem retoques!



























Por Nilo Jardim


Exma. Chefe da Casa CivilMinistra Dilma Vana Rousseff ... Vossa Excelência bem sabe que os desafios para se atender à população são muitos, gostaria de pontuar alguns. É imprescindível um plano de carreira nacional ou federal para os médicos.A municipalização da saúde embora se justifique pela descentralização é extremamente desvantajosa para o usuário e para o médico.Mesmo tendo o Brasil elevado número de médicos por habitante, várias populações ainda permanecem sem profissionais as assistindo. A imprensa informa mal à população e diz que "os médicos não querem ir para o interior".Trata-se de uma falácia, o que os médicos não querem é ir para o interior sem qualquer garantia e submetidos a pressões e chantagens políticas, e depois voltarem para a capital sem clientela, sem emprego,sem carreira.Hoje a maioria dos médicos que atendem em prefeituras recebem o honorário da "desonrosa" e na sua maioria são contratados.As prefeituras fazem concursos por que o ministério público exige.Isso é ótimo para o ministério público que finge estar promovendo a justiça e é ótimo para as prefeituras irresponsáveis, pois realizam o concurso, exibem no edital um salário incompatível, os médicos fazem as provas e pagam inscrições, pois os orgãos de classe e o ministério público nada fazem para impugnar esses concursos, as prefeituras lucram.Então quando o médico vai tomar posse, geralmente por um salário de R$ 900 a 1200 reais para 20 horas semanais, ele acredita que consiguirá negociar uma carga horária menor e concentrada num só dia, para obviamente trabalhar em outros serviços e conseguir pagar sua alimentação e moradia.Se o Prefeito quer permitir algum concursado em sua folha de pagamento ou se está muito pressionado pela população que está sem atendimento há meses, ele faz "esse acordo" enquanto aquele profissional lhe interessar.Quando esse profissional fizer qualquer reclamação, ainda que para exigir condições mínimas de trabalho como uma mesa , uma maca , medicamentos, materiais esterelizados e etc., o gestor simplesmente faz a exigência legal do cumprimento da carga horária, e o médico pede demissão para sobreviver, pois com aquele rendimento não conseguirá se manter.Bem, devido a isso , apenas alguns meses após a realização de concursos em prefeituras, esgotam-se os médicos aprovados e excedentes, e a prefeitura pode contratar ," legalmente ", médicos não concursados e explorá-los também.Geralmente quando chegamos num posto de saúde para trabalhar nesse sistema ou "esquema", encontramos um demanda reprimida de atendimentos, uma população desesperada, sofrendo com patologias que já poderiam ter sido facilmente tratadas.Nos submetemos a isso, atendemos 30, 40, 50 ou mais pacientes em um dia de trabalho e quando a demanda reprimida foi atendida, após 2 ou 3 meses, geralmente um(a) "gerente" do posto de saúde ou pronto-atendimento propõe o cumprimento da carga horária descrita para o cargo e salário, fingindo que nada aconteceu anteriormente. Sabemos que se trata de uma ilegalidade, mas nos submetemos a isso para sobrevivermos, só não sabemos por que administrações municipais economizam tanto com a saúde, a ponto de cometerem crimes.Mas o pior crime é contra a população que não tem atendimento, não tem profissionais fixados e compromissados com o serviço, exposta a materiais e estrutura física precários, sem qualquer fiscalização e com o seu médico assistente também de mãos atadas sem poder questionar, podendo apenas pedir demissão e passar por outra experiência triste em outro serviço de saúde.Diante disso, fica fácil entender porque os médicos não se fixam no interior e não se comprometem com determinado serviço de saúde.Ele é obrigado a estar sempre trocando de emprego, fazendo negociações, aceitando trabalhar em vários pulgueiros ao mesmo tempo para sobreviver.Nas cidades do interior, a chantagem municipal é ainda pior, pois são cidades mais isoladas, distantes uma das outras, com poucas opções de emprego, onde as vezes prefeitos e vereadores querem que o médico chegue a ponto de discriminar um paciente por ele ser ou mesmo conhecer alguém da oposição. Como fica o médico que se mudou com sua família para o interior, não tem estabilidade alguma nem qualquer poder nessa relação de trabalho?Aceita tudo? Desrespeita a vida alheia? A ética ? Tudo? Nessa situação é melhor ficarmos nas regiões metropolitanas, onde mesmo sofrendo tudo isso, ao menos existem várias cidades e serviços de saúde no entorno das capitais onde nos alternamos vulgarmente e fugimos dos abusos maiores.Peço que o Sr. entenda que obviamente , além do interesse da categoria, a inexistência de uma carreira Nacional na saúde pública ou no SUS , prejudica o usuário, a pessoa mais sem recursos, aquela que que realmente vai ao posto de saúde obter estes serviços que são o mínimo que um Estado como o nosso deveria oferecer. Pulverizar a categoria dos profissionais de saúde em empregados municipais, tática de extrema direita, não beneficiou o SUS ou o paciente e nem barateou a mão de obra, pois cada médico que passa por um posto de saúde ou posto do PSF (Programa de Saúde da Família), reavalia aqueles doentes, cujos exames já estão com data antiga, cujo tratamento foi interrompido, reinicia tudo novamente, e o barato sai caro. Solicite uma pesquisa, veja quantas vezes há mudança de médico em um posto do PSF ou em um ambulatório de qualquer município do Brasil. Mais triste ainda é ver a sociedade enganada, escutando que há "falta de médicos", que o poder público, pobrezinho, não consegue arcar com as despezas da saúde.Há médicos e recursos de sobra, o que acontece é que quando se contrata um médico ele começa a atender doentes, fazer diagnósticos, pedir exames complementares e indicar medicamentos,cuidados de enfermagem, cirurgias, fonoaudiologia,fisioterapia, psicoterapia e etc, coisas com as quais quem assume o poder público não quer gastar, prefeitos gostam é de obras. Então é muito simples para o corrupto, torna a vida desse profissional um inferno para que ele permaneça atuando somente em momentos que a população chegue ao limite, apagado o incêndio, aí o força a uma demissão, pára de gastar com saúde e diz que há falta de profissionais.Para onde vai esse dinheiro?O extremo do abuso é o estelionato de que nós médicos quando jóvens, ainda adolescentes fomos vítimas.Optamos por uma carreira difícil, com a formação mais longa e intensa entre as graduações, um vestibular terrível, difícil, mesmo para o ingresso nas faculdades particulares, pelo menos até há uns 10 anos atrás era assim.Conscientes de que após a graduação continuaríamos a viver pobremente para cursar a residência médica. Esperávamos ao fim de tudo isso ao menos uma vida dígna e mais respeito e um mínimo de segurança. Nos deparamos com essa situação e ainda assistimos às faculdades caça-níqueis despejando vítimas da sua ganância nesse mercado catastrófico. Iludindo os filhos das classes pobre e média baixa com o "sonho de ser doutor", e esses pais se matando e pagando só de mensalidade algo como 3 mil reais acreditando que estão ajudando seus filhos, dando-lhes o melhor.Como pode um Conselho Nacional de Educação permitir esse comércio. Bem , a resposta é simples, eles representam os donos das faculdades caça-níqueis e não o ensino brasileiro.Finalmente, uma reflexão: Por que ainda não temos uma carreira nacional para os profissionais da saúde e educação, nos moldes do que existe hoje para funcionários do Banco Central, Banco do Brasil, Polícia Federal, Ministério Público ou Magistratura ? Nessas carreiras e com seus salários e garantias niguém se nega a ir para a fronteira, amazônia ou pequenas cidades. Talvez seja porque eles lidem com dinheiro, poder , papéis importantes, não é? E nós apenas tratamos dos pobres.

Khatty Avellan Neves Que lindo texto!!!!Eu ainda tenho esperanças que com a nossa união aconteça uma revolução.A vontade que a gente tem é que um texto destes aparecessem num fantástico da vida ...para que toda a população saiba do tamanho descaso a saúde pública!!!Parabéns...

Nelson Antonio Deu-me lágrimas nos olhos ler-me em tão reais linhas , sem tirar nem por. Realmente, isto sim é uma página gloriosa de indignação , descrevendo com maestria o nosso Sistema de Saúde brasileiro.Parabéns ao que esceveu... parabéns aos que se sensibilizaram. Nota mil pro texto. Ele é a vida da maioria dos médicos.

Vidinha de médico partejador é fazer a vida vir...




Vidinha de médico partejador é fazer a vida vir...Sou muito criticado pelo que escrevo pois não entendem que são gotas de sangue que se esvaem de meu coração... Tenho um sentimento sinceramente muito triste e quase sempre entristecedor e isto incomoda às pessoas que , preferindo não refletir temáticas , optam pelo riso fácil e debochado que lhes é mais propício . Mas cometo poesias e acho que todo poeta é mesmo masorquista, gosta de gostar de sofrer. Este meu O Partejar foi feito numa noite de frio intenso , há poucos anos, no Natal de 2006, em Ribeirão das Neves, a cidade-presídio, quando a mãezinha adolescente estrupada por um traficante, sob ameaça de armas, dava à luz a um filho que ela jamais amaria. Depois do nosso parto que varou madrugada a dentro fiquei com aquele nenenzinho agarrado a mim , choramingando , procurando com as mãozinhas aflitas um seio materno que eu não tinha para lhe dar. Dei-lhe esta poesia, chorando , sozinho, escrevinhando num papel de receituário de maternidade... Pela manhã o nenem foi friamente levado ao Conselho Tutelar para disposinibilidade à adoção.
Na mesma semana , eu dei-me um presente de Natal : pedi demissão da Maternidade São Judas Tadeu ... e nunca mais dei plantão obstétrico. E o nenem nunca mais saiu de minha cabeça, nem de meu coração... E, para completar este ciclo naquela Maternidade , fiz também outro escrivinhar, o Bebê Marginal sob o mesmo prisma - a inexorabilidade do Destino cruel ante a vida dos que nada têm a dar a não ser a sua total miséria social e afetiva!
nelson atonio , aprendiz de poeta

O Partejar



O Partejar
Nelson Antonio



Fantasio-me alvamente, o branco moço,

E calmas mãos bateiam o mistér divino

De garimpar duas almas, da fruta o seu caroço,

No caudal imprevisível do destino.




Velo, atento ao ventre, a dupla peça

Ouvindo com cuidado extremo os seus ruídos

A cada contração estou ao lado, sou obstetra

Traduzo a nave-mãe em seus gemidos.




Assim pouco a pouco vai-se abrindo

O túnel da vida de onde todos saímos

Num desabrochar de dor e de encantamento.



E quando a vida explode de repente

Num choro de criança, eu sinto profundo

O sinal que Deus ainda acredita neste mundo !

Bebê Marginal




Bebê Marginal
Dr Nelson Antonio Corrêa , médico obstetra.


Gritos alucinantes ecoam nas paredes descacadas e encardidas, despregadas da Maternidade Pública , entregue à sua própria e infeliz sorte de maternidade e ser pública. Todas têm nomes de Santos. Santo Isto. Santa Aquilo. Mas são para e do povo. Dos miseráveis. Dos esfomeados. Dos que não têm planos de vida ou de saúde. Dos entristecidos desde que nascidos. Dos micro-assalariados de patrões faustosos e faltosos em sua misericórdia. De serem justos. Menos ganaciosos. Menos exibidores. De seus caros importados e blindados. Que não se importam com quem vive dependurado nos metrôs da vida. Nos apertamentos de ônibus fedidos e infectos. Gente pobre e desamparada. Espremida como galinhas em seus engradados repletos. A maioria devedores ou iminentemente engradeados em prisões desumanas e fétidas como suas vidas marginalizadas e marginais. Presos pela couve que roubam dos verdureiros e sacolões . Pelo assalto por um pão. Por uma discussão besta. Por uma moeda. Por uma sandália havaiana. Por uma bola que não entrou na caçapa da sinuca. Por um desabafo de um murro porque seu Galo perdeu. Por serem pobres. Sem advogados que os defenda. Suas únicas nascentes de esperançaa são os evangélicos de coração. Que ainda não se corromperam. Não vivem das esmolas daqueles que os escutam, funâmbulos da Cruz. Que não usam apenas o terno escuro e a Bíblia negra como vestimenta da alma. Mas alimentam-se de preces, apenas. Que nutrem a todos que os seguem. Pastoreiam as almas.E não os seus bolsos. Em nome de Deus...
E aqui na Maternidade, no meio destes gritos, sou obstetra destas mães. Estou ao lado. Obstare, ficar ao lado, diz o latim. Atento. Ouvinte. No meio dos gritos da mãe desesperada de dor, a ausculta do feto. Cento e quarenta batimentos por minuto. Como um tropel de cavalinho ligeiro, seus corações estão ávidos por viver lá fora. Correr pela vida. Sair de dentro daquela barrigona, cheia de estrias. Imensa. Hipertensa. Como a mãe no seu todo. Pobres bebês .
Luto madrugada a dentro para que o feto nasça e bem. Tenho a cumplicidade da mãe Natureza há bilhões de anos fazendo partos. Que minhas mãos estudadas apenas aparam, guiam pelo canal da vida. Quase nada faço. Às vezes uma ligeira intervenção. Cirúrgica. Sofrimento obstétrico, quase sempre. Mas enfim lá vem uma nova vida para melhorar este mundo. Esta nova vida faz o maior berreiro quando nasce. Como a dizer:
- Nasci ! Cá estou eu ! Mais um morador deste mundo de Deus!!! Cabe eu aí ??? Tô indo !!!
Coloco o nenem sobre o tórax da mãe. Ele chupa o colostro espirrando das mamas fartas. Aquieta-se. Ficam os dois ali, binômio mãe-recém-nascido, quietinhos. E eu , sentado no banquinho giratório de aço inoxidável do bloco obstétrico, cirandando meu corpo, fico a matutar na madrugada, desamparado como quem sofre:
- Tadinho do nenem... Que vida o espera ! Que palácio de barro há de acolhê-lo! Salvas de tiros de automáticas o aguardam pelas vielas dos becos da vida. Pais bêbados, intoxicados, vivendo na mais completa miséria afetiva e moral. Viaturas policiais, como baratas tontas, a dispararem sirenes pelas madrugadas adentro. Invadindo seus mundos de criminalidades. Um submundo que nada lhe ensinará a não ser sobreviver . De drogas. Balas e chicletes em sinais parados. Talvez um malabarismo com fogos, malabarismo pela vida diária. Pequenos delitos inocentes e sempre crescentes. Até a marginalização como única meta de vida.
Pobre do meu bebêzinho. Marginal asssim que nasce... Um bebê marginal. Como isto dói!...
Por que somos omissos? Filhos do Diabo. Parceiros da Morte. Pactuantes da Injustiça Social.
Ao não adotarmos nossas crianças, deixamô-las à mercê da adoção traficante. Dos políticos. E dos crimes, e deles, o que é pior : roubamos-lhes o futuro! E tudo isto quase sempre em nome de um Deus. Que os homens criaram.
Parabéns Senhor, pela iniquidade que nos deixaste. A humanidade agradece. Meu bebê marginal... ainda não sabe rezar. Por ele, eu apenas deploro e choro por dentro misturando ao seu chorinho de nenenzinho recém-nato. Lágrimas iguais... vidas desiguais. Adormecemos, fadigados.Sonhamos o mesmo sonho : a DESPERANÇA!...

Por uma revolução pacífica na Medicina Brasileira - Dr Vicente Andrade







Dr. Vicente Andrade

Endocrinologista






( comentando no Grupo Dignidade Médico do Facebook no qual me insiro )



Esta frase vicentina é um slogan de vida médica com dignidade :
" Então, meu amigo, pare de reclamar e dê um choque de qualidade no seu atendimento!!Se todos fizermos isso, inclusive os médicos do SUS, faremos uma revolução na Medicina em nosso país."

Sinceramente, o texto do Vicente Andrade balança qualquer um que tenha um mínimo de sensibilidade e de discernimento. Deveria ser afixado em todos os consultórios médicos do país tal a magnitude do excelente e divinal texto do colega médico. Parece que ouvi Hipócrates e Epicuro sorrirem ,agradecidos, em suas tumbas mortuárias! O texto foi a coisa mais importante que apareceu em todos os grupos médicos nos últimos tempos.







POR UMA REVOLUÇÃO PACÍFICA NA MEDICINA BRASILEIRA

Vicente Andrade - Endocrinologista / PR



Você é um médico à jato e reclama da desvalorização dos honorários médicos?Você nem olha para os olhos do seu paciente, mas reclama que o paciente não sabe nem sequer o seu nome, não é mais seu, "ele é do plano de saúde"?Ao terminar sua consulta, você não sabe qual era a profissão do paciente, ou se é casado ou tinha filhos, ou se morava em... casa ou apartamento, ou se ele tinha um jardim com flores, ou uma horta no quintal, ou se ele tinha animal de estimação, nem com quantas pessoas ele morava, ou se ele tinha filhos, netos e bisnetos, nem se sua vida estava atualmente muito tranqüila ou estava um inferno, se ele tinha um hobby ou se fazia exercícios físicos regularmente mas, terminada a consulta, você teve uma sensação dúbia de realmente tê-la realizado?Você marca um paciente a cada 20 minutos, faz encaixes e atende emergências entre eles - mas reclama que os pacientes estão sempre reclamando de barriga cheia e só o escolhem por que seu consultório fica perto da sua casa ou trabalho, ou porque o médico que o atendia pelo plano saiu, o abandonou?Sua sala de espera está sempre lotada, você chega sempre atrasado para iniciar o expediente, está sempre atrasado e descabelado, e suas secretárias parecem sempre estressados e estão acostumadas, por isso mesmo, a tratar seus pacientes como se seu consultório fosse uma repartição pública de quinta categoria? Suas secretárias estão sempre sérias e olhando para baixo, nunca sorriem, nunca tem um gesto ou palavra de gentileza, e vocês todos acham que tem que ser assim mesmo, que recepcionista não tem que recepcionar nem ser receptiva?Você se tornou nos últimos anos um médico rápido e objetivo, muito objetivo, extremamente objetivo, objetivo até demais, tão objetivo que faz anamneses telepáticas, exames físicos apenas de inspeção, e à distância de uma escrivaninha, e sua consulta tem como sua parte mais demorada o período em que você está redigindo os exames complementares nas guias específicas, tão rapidamente e com tanta pressa que sua letra é ilegível, e você reclama quando, neste momento, o paciente o interrompe, abruptamente, e pede para incluir todos os exames possíveis e imagináveis, pois ele paga uma fortuna na mensalidade do plano de saúde e, portanto, tem que “aproveitar”? Realmente, você sente que o que recebe dos planos de saúde justifica tudo isso, e que não existe outra maneira de fazer as coisas, embora, lá no fundo, você sinta que nem sempre fez as coisas assim, e que não foi nada disso que você aprendeu na Faculdade de Medicina.Então, meu amigo, pare de reclamar e dê um choque de qualidade no seu atendimento!!Se todos fizermos isso, inclusive os médicos do SUS, faremos uma revolução na Medicina em nosso país.Atenda pacientes novos em consulta de 40 minutos, retornos em consultas de 30 minutos, ou, siga o bom-senso, e demore-se o tempo que for necessário, de acordo com a necessidade de tempo de cada caso. Faça sempre anamnese e exame físico completos em todos os retornos, sem se preocupar com o tempo, mesmo que tenha quase certeza de tudo que você encontrará nele. Negue-se a fazer encaixes, extras e consultas de emergências - lembre-se de que seu consultório é de "consultas eletivas", portanto, tenha um Pronto Atendimento e seus plantonistas como parceiros para encaminhamentos de urgências e emergências, além de um hospital para internamentos, e seus internistas com seus celulares ao alcance do seu telefone.Ao atendermos bem todos os pacientes sem exceção, criaremos uma enorme demanda reprimida, filas gigantes nas agendas de todos os médicos - mas por um motivo nobre e completamente justificável: por nos negarmos a atender em nosso consultório "a toque de caixa".Concomitantemente, descredencie-se progressivamente de todos os convênios que tiverem pouca importância em seu movimento, em ordem crescente, até sair de todos se puder, ou reduza a oferta de vagas a consultas por convênio a 2 dias por semanas, comunicando, por escrito, a todos os convênios e cooperativas que atende, registrando e guardando uma cópia do aviso. Ao mesmo tempo, abra ofertas de vagas para consultas particulares, na mesma proporção em que reduziu as vagas para convênios, usando-as o paciente que quiser, pacientes conveniados idem, assinando um termo de responsabilidade de opção livre e esclarecida, assumindo, assim, livremente, o ônus da consulta em caráter particular. Os pacientes conveniados que optarem por aguardar sua consulta obviamente terão toda liberdade e autonomia em fazê-lo. Os descontentes que reclamem por escrito ao CRM, à ANS, ao PROCON, ao Ministério Público, enfim, que busquem os seus canais de reclamação. Agindo com transparência, publicidade, previsibilidade, e visando exclusivamente as consultas eletivas em consultório, ou seja, garantindo atendimento de urgência e emergência, o médico nada tem a temer.Os médicos se negarão, deste dia em diante, a fazer o serviço sujo de atender mal e porcamente os seus pacientes, obrigados pela coação financeira dos honorários vis pagos pelas operadoras.As operadoras que quiserem manter esse tipo de atendimento que contratem médicos com carteira assinada, talvez então poderão obrigá-los a trabalhar nas condições que quiserem.Médicos apenas credenciados ou referenciados não são obrigados a se submeterem às condições degradantes ora impostas. Eles tem liberdade de dividir sua agenda como bem entender, desde que comuniquem as operadoras e pacientes previamente. Se assim agirem, se fizerem isto, dando um choque de qualidade no atendimento médico, eles estarão fazendo uma verdadeira revolução pacífica na Medicina brasileira.

A Faxineira e o Médico







As árvores falam entre si através dos pássaros ! Eu falo com as pessoas através dos meus sentimentos..


No meu Posto tem uma faxineira, humilde e pobre, acho que terceirizada. Usa uma espécie de touca e um indefectível uniforme marron que a identifica por onde passa. Por ele, todos ficam sabendo que ela é a faxineira do Posto. Fico observando-a na sua rotina diária: passar pano de chão , limpar mesas e cadeiras, fazer o café, lavar e cuidar dos utensílios da cozinha, preparar o almoço dos funcionários ou esquentar-lhes as marmitas , lavar toda a roupagem da UBS, limpar os vômitos e secreções dos pacientes pelos cômodos da Unidade, deixar os banheiros limpos e aptos ao uso a todo o momento, higienizar os consultórios , varrer as dependências e o quintal imenso ...enfim uma rotina modesta mas de grande valia para todos nós, usuários ou funcionários.Tenho muito orgulho de tê-la ali por perto. Sinto-me protegido e valorizo muito o seu diligente trabalho . Ela não é de conversar muito com ninguém. Mas sinto uma vontade enorme de abraçá-la e de dizer-lhe o quanto sinto a sua importância para todos nós.Sem ela a nossa Equipe e todo o nosso Posto estaria carente de uma correta limpeza e higienização que ela cumpre com obstinação e impecavelmente. Às vezes em seu rosto vejo florir um sorriso amarelado, cansado e espremido em seus lábios. Principalmente, devido à sua timidez, quando alguém lhe agradece por algo que ela faz com tanto amor e dedicação. Como médico sinto-a muitas vezes mais importante que as minhas próprias funções ou em equivalência. Ela me ensina o verdadeiro sentido de uma Equipe.Onde somos todos iguais no mister de servir as pessoas. O médico e a faxineira aqui se igualam. Ela me ensina simplicidade e humildade. E eu torno-me diariamente seu aluno. Ela é muito melhor que eu em muitos pontos ! Invejo-a e queria ser exatamente assim como ela o é ! E esquecer-me que sou um Doutor endinheirado e ela uma simples faxineira em seu ofício de servir ... a troco de quase nada num salário minguado. Às vezes Deus esconde bem pertinho de nós as coisas e pessoas que mais necessitamos para o aprendizado de vida , na faxina da alma !!!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Auxiliares médicos




Auxiliares médicos
nelson antonio

Uma paciente foi admitida . Quem chamou ? A sala limpa....quem ? Uma maca, uma lâmpada trocada, um banheiro limpo... uma atenção .... quem ???
Anônimos no seu trabalho. Íntimos no seu compromisso de nos proporcionar um ambiente adequado para o exercício profissional nesta Casa. Muitas vezes não os vimos. Outras tantas, nem os notamos. Mas em pequenos e grandes detalhes sempre soubemos de sua presença. Grande presença!...Imprescindível presença !!!
Faltou um obrigado ? Não. Faltaram muitos obrigados.
E nós não poderíamos deixar de registrá-los ! E desejar-lhes , nossos queridos colegas de trabalho, um FELIZ NATAL e um Ano Novo cheio de realizações ... e compreensões de nós todos !
nelson antonio, pelo Corpo Clínico do Hospital

Médicos também adoecem... e morrem! Ou vencem!




Médicos também adoecem... e morrem!

Morremos a cada dia, a cada hora, em todas as horas...
Primeiramente, muito obrigado, um obrigado amigo do fundo do meu combalido coração.
Sei que você se preocupa muito comigo, já me pegou triste e choramingando escondido pelos cantos da vida, às vezes em versos. E às vezes vem a pergunta:
- Que se passa com você? Por que está assim? Conta-me o que lhe acontece. Ofereço-lhe meu ombro amigo, amigo...
Entenda, antes de tudo que sou doente antes de ser médico. Sou um doente médico e não o contrário. E tento me cuidar quando isto ainda é factível. Até quando ? Não sei. Vivo de teimosia.
Em 2007, tive dois acometimenos cardíacos sérios que redundaram em 4 stents intracoronarianos, em duas intervenções consecutivas num prazo de 6 meses.Foi descartada a abertura do coração para colocação de pontes pois meu risco era enorme de complicar e morrer. Eu estava em isquemia cardíaca grave à beira da morte. Você conhece alguém que tem QUATRO molas dentro dos seus vasos intracardíacos e leva uma vida normal, inclusive a esportiva ( 3 X semama)? Sou eu... Foi uma vitória da vida pois estou totalmente recuperado.
Tive um câncer de próstata que levou a uma retirada da próstata, da vesícula seminal, linfonodos pélvicos e grande parte da uretra. Mesmo com sonda vesical, sangramentos intermitentes, debilitação física e mental , continuei - após 30 dias de afastamento- a levar minha vida normalmente, inclusive a esportiva jogando com sonda embutida dentro do calção, levando boladas onde não devia mas também acabei vencendo esta mazela. Ganhei alguns Torneios e muitos amigos que me ajudaram demais, principalmente os do Clube Minas Gerais que me insere. Depois do tratamento, ajustei as coisas todas, inclusive a sexual pois a cirurgia prostatica exige medidas terapêuticas que foram tomadas, pois sexo é vida! Estou apto apesar de não estar tão ávido como os velhos lobos! Afinal, Deus não dá asas às cobras... e sou coração sempre!
Além destas mazelas, também tenho a Síndrome Metabólica com alterações na tiróide ( Síndrome de Hashimoto - a tiróide foi consumida pelo próprio organismo ) e hiperdislipidemia ( colesterol e gorduras lá no céu ) , e um Diabétes Tipo II, o que me obriga a tomar medicamentações diárias suplementares . No entanto, sou muito disciplinado e, mesmo com uma carrada de medicamentos diários, levo uma vida normal em todos os sentidos. Já em 1967 tive tbc pulmonar e aprendi a lutar!E vencer!
Infelizmente,lutei com uma degeneração grave e angustiante na coluna lombosacra, o que me trazia muita dor e desconforto postural. Uma retrolistese de L5 sobre S1 ( cavalgamento vertebral) comprimia meu canal medular e me dava fisgadas constantes e lancinantes dores agudas, principalmente quando em decúbito dorsal ( deitado ) prolongado . Pensou-se até em metástase do câncer prostático . Então, fiz todos os exames possíveis, inclusive tomografias e ressonâncias magnéticas, que me sugeriram uma cirurgia com colocação de pinos nas vértebras acometidas mas com o risco de ficar eternamente cadeirante ou incapacitado de andar normalmente. Optei por viver a vida mesmo com os episódios dolorosos na coluna. Quem sofreu de Amor sabe que todas as outras dores são menores, mesmo a do parto e da cólica renal.. Então deixei para qualquer dia uma fisioterapia rigorosa e RPG para descompressão e não agravamento do meu caso. Devo-me esta obrigação de zelar por mim mesmo! Não desmazelar...
Como você vê, pessoinha querida que me lê , sou um exemplo de superação e não é qualquer coisinha que me abate. Sempre passei isto para minhas clientes e, mesmo nas terminais, a esperança e a determinação é que nos tornam merecedores de estarmos por aqui vivos. Quando entro nos consultórios dos meus médicos assistentes que me vigiam a vida , através de rigorosos controles anuais, tenho a certeza absoluta que ainda vou muito longe.. Por isto cada dia para mim é uma dádiva pois , como médico , sei que estou vivendo ALÉM do combinado. Cada dia que acordo e lavo o rosto é com um sorriso que eu brindo mais um dia de vida. E o cara lá do espelho é uma criança felicíssima apesar dos seus jovens mas envelhecidos anos ... Sou um idoso, não um velho! Às vezes acho que sou as duas coisas juntas! Principalmente quando sou só reclames.
Filosoficamente falando não é a quantidade de vida que nos interessa ou nos faz felizes. Mas sim a QUALIDADE dela. É o que você faz por aqui, suas atitudes em prol do outro , seu determinismo de vencer os problemas seus e os dos que te carecem. Nasci para servir e não para ser servido. Isto é o lema de minha vida de médico social. Sem isto a vida não tem qualquer sentido para mim e eu levaria por aqui apenas uma vida vegetativa e inútil. Pra que viver então? Pense bem, nós vivemos uns míseros anos por aqui na Terra e todos vamos ficar infinitamente, por trilhões versus trilhões de anos, mortos ! Como eu digo sempre, voltaremos a ser poeira cósmica como aqui chegamos! Por isto questiono tanto estas colocações religiosas de reencarnação , ressurreição, vida eterna pós-morte ... Para mim , isto é uma louca e desvairada utopia e ninguém jamais voltou ou voltará para contar a história. É a soberba e prepotência do homem que o faz querer ser filho de um Deus, criado por ele mesmo, e com o óbulo da eternidade dada por Ele. Muito admiro os que têm a irracionalidade de acreditarem nisto quando a Natureza está aí, gritantemente a olhos vistos, a nos mostrar a nossa insignificância ante a inexorabilidade das leis naturais de que " na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma " , conforme princípios da conservação da matéria enunciada por Antoine-Laurent de Lavoisier ( 1743-1794 ). Apenas a criogenia admite , através do DNA e da cópia da memória de um indivíduo, a volta à vida de um corpo morto há séculos ( onde caberia tanta gente?) . É o único caminho possível que nosso Deus usaria para ressuscitar os bilhões e bilhões de mortos, conforme pregam as profecias bíblicas. Aí, Fé e Ciência dão as mãos. Saem do paralelismo pragmático e se encontram, finalmente. Vejam no vídeo e repensem suas vidas:

http://www.youtube.com/watch?v=P3NpHryB-fQ

Apesar de tudo que lhe conto, em confissão sem sentido talvez procê, estou bem. Mas no fundo do poço tem uma mola!Expondo meu momento, eu não escondo a minha dor de viver!Afinal, médicos também adoecem... e morrem ! Ou sobrevivem, vencendo !
Meu abraço,
nelson antonio

PS - Aqui em casa se vai indo, lutando com o que nos resta de forças espirituais para restituição da saúde físico-emocional de todos nós. Espero, também, que o meu filho Rafael, adoentadinho, ainda seja muito Feliz. O nome é de anjo. Como ele...

" Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." Clarice Lispector

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

MEDICINA -MAL DE ALZHEIMER - O QUE SE CONHECE SOBRE A DOENÇA









MAL DE ALZHEIMER - O QUE SE CONHECE SOBRE A DOENÇA



Faça uma viagem sobre as alterações, passo a passo, sobre o cérebro acometido:

http://www.alz.org/brain_portuguese/





A doença de Alzheimer (Alois Alzheimer, neurologista alemão que primeiro descreveu essa patologia) provoca progressiva e inexorável deterioração das funções cerebrais, como perda de memória, da linguagem, da razão e da habilidade de cuidar de si próprio”

Dr. Dráuzio Varela:
http://drauziovarella.ig.com.br/arquivo/arquivo.asp?doe_id=42

“Sintomas
·Estágio I (forma inicial) – alterações na memória, personalidade e habilidades espaciais e visuais;

·Estágio II (forma moderada) – dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos; agitação e insônia;

·Estágio III ( forma grave) – resistência à execução de tarefas diárias, incontinência urinária e fecal, dificuldade para comer, deficiência motora progressiva;

·Estágio IV (terminal) – restrição ao leito, mutismo, dor à deglutição, infecções intercorrentes” (Idem).


“Recomendações
Cuidar de doentes de Alzheimer é desgastante. Procurar ajuda com familiares e/ou profissionais pode ser uma medida absolutamente necessária.
Algumas medidas podem facilitar a vida dos doentes e de quem cuida deles:

·Fazer o portador de Alzheimer usar uma pulseira, colar ou outro adereço qualquer com dados de identificação (nome, endereço, telefone, etc.) e as palavras “Memória Prejudicada”, porque um dos primeiros sintomas é o paciente perder a noção do lugar onde se encontra;

·Estabelecer uma rotina diária e ajudar o doente a cumpri-la. Espalhar lembretes pela casa (apague a luz, feche a torneira, desligue a TV, etc.) pode ajudá-lo bastante;

·Simplificar a rotina do dia-a-dia de tal maneira que o paciente possa continuar envolvido com ela;

·Encorajar a pessoa a vestir-se, comer, ir ao banheiro, tomar banho por sua própria conta. Quando não consegue mais tomar banho sozinha, por exemplo, pode ainda atender a orientações simples como: “Tire os sapatos. Tire a camisa, as calças. Agora entre no chuveiro”;

·Limitar suas opções de escolha. Em vez de oferecer vários sabores de sorvete, ofereça apenas dois tipos;

·Certificar-se de que o doente está recebendo uma dieta balanceada e praticando atividades físicas de acordo com suas possibilidades;

·Eliminar o álcool e o cigarro, pois agravam o desgaste mental;

·Estimular o convívio familiar e social do doente;

·Reorganizar a casa afastando objetos e situações que possam representar perigo. Tenha o mesmo cuidado com o paciente de Alzheimer que você tem com crianças;

·Conscientizar-se da evolução progressiva da doença. Habilidades perdidas jamais serão recuperadas;

·Providenciar ajuda profissional e/ou familiar e/ou de amigos, quando o trabalho com o paciente estiver sobrecarregando quem cuida dele” (Idem).


O QUE FAVORECE O APARECIMENTO MAIS PRECOCE DA DOENÇA?
. “Em termos gerais, podemos dizer que todos nós temos uma programação genética para o risco de desenvolver o Mal de Alzheimer.

. Quem tem ancestral direto com a doença apresenta cinco vezes maior probabilidade de te-la.

. Trisomia 21 (mongolismo) causa Alzheimer já aos 40 anos.

. Qualquer condição de sobrecarga do cérebro antecipa a doença. Assim, traumatismos cerebrais, múltiplos infartos ou sangramentos cerebrais, depressão crônica, entre outras, facilitam a doença.
(Geração Saúde, Ano II, nº 24, pág. 22).

TABACO E ALZHEIMER - “Estudo acompanhou 6.870 homens e mulheres, com mais de 55 anos, num bairro de Roterdã (Holanda). Destes, 146 desenvolveram doenças cerebrais. Os pesquisadores descobriram que os fumantes tinham 2,2 mais chances de desenvolver algum tipo de demência” (O Globo, 19/06/98) e (Jornal do Brasil, 19/06/98).

“NÃO É POSSÍVEL PREVENIR, MAS SIM RETARDAR!
. Exercício físico é o mais importante. Já foi demonstrado que quanto mais, melhor, mesmo quando a doença já estiver instalada.

. Exercício mental. Fala-se de ‘reserva cognitiva’, isto é, quanto maior fosse a bagagem cultural, o conhecimento e seu uso por uma pessoa, mais tarde teria ela a doença.

. Estatinas, que se usa para baixar colesterol.

. Antidepressivos, quando necessários.

. Naturalmente, tentar evitar as doenças que predispõem a doença vasculares no cérebro, como hipertensão e diabetes” (idem).


ATIVIDADE FÍSICA PODE RETARDAR MAL DE ALZHEIMER
Os primeiros sintomas do mal do Alzheimer podem ser mais físicos que mentais e uma pequena quantidade de atividade física poderia retardar o desenvolvimento desta doença degenerativa, diz um estudo publicado hoje.
O trabalho publicado pela revista Archives of Internal Medicine e dirigido por Li Wang, da Universidade de Washington em Seattle, examinou 2.288 indivíduos com mais de 65 anos de idade, que não mostravam sinais de demência no início da pesquisa.

Os pesquisadores acompanharam os casos destas pessoas durante seis anos, com contatos a cada dois anos para avaliarem seus desenvolvimentos físico e mental.

Seis anos depois, 319 participantes tinham desenvolvido demência, dos quais 221 demonstravam sintomas de mal de Alzheimer.

Os participantes que apresentavam melhores níveis físicos no início do estudo tinham três vezes menos possibilidades de desenvolverem demência do que aqueles cuja atividade corporal era mais reduzida.

"Todos esperavam que os primeiros indícios de demência fossem sutis alterações cognitivas", declarou Eric Larson, diretor do Centro para Estudos de Saúde da universidade. "Fomos surpreendidos pela constatação de que as mudanças físicas podem vir antes das mentais".

Desta maneira, a demência e o mal de Alzheimer, considerados como doenças do cérebro, podem estar intimamente ligados à condição de todo o corpo, acrescentou Larson.

Em janeiro passado, a mesma revista publicou outro artigo no qual os pesquisadores afirmaram que as pessoas que fazem exercício regularmente têm menos probabilidades de desenvolver demência e o mal do Alzheimer.

"A causa desta vinculação não é clara", diz o trabalho. "O novo estudo sugere uma possível vinculação, que o exercício regular ajude a interromper a demência porque melhora e mantém a condição física".

Os resultados do estudo mais recente sugerem que "no envelhecimento há um vínculo estreito entre a mente e o corpo", disse Larson.

"O desempenho físico e mental podem caminhar juntos, e qualquer coisa que alguém puder fazer para melhorar um, provavelmente melhorará o outro", declarou.

Segundo o analista, "se as pessoas começarem a notar diminuições em sua condição física, a retomada do exercício e da atividade pode ajudá-los a deter ou a frear esta diminuição, o que acabaria reduzindo o risco de uma deterioração cognitiva precoce".
“AMSTERDÃ - Exercitar-se regularmente e manter uma dieta saudável podem colaborar para a redução do risco de desenvolver a doença de Alzheimer, disse uma especialista na quinta-feira.

Um recente estudo finlandês mostrou que pessoas de meia-idade que fazem atividade física pelo menos duas vezes por semana podem reduzir em até 50% o risco de ter Alzheimer mais tarde,
afirmou a neurologista Miia Kivipelto numa conferência em Amsterda.

- Uma vida ativa, tanto física quanto mental e socialmente, é preventiva. Nunca é tarde para começar a prevenir a doença de Alzheimer - disse Kivipelto, especialista em Alzheimer do Centro de Pesquisa de Gerontologia de Estocolmo.

Estima-se que 12 milhões de pessoas no mundo todo sofram de Alzheimer, que é a principal causa de demência em idosos. Não há cura para esse problema, que rouba das pessoas sua memória e sua capacidade de raciocínio, mas medicamentos podem aliviar os sintomas".








Possível ligação com o mal de Alzheimer

Durante uma pesquisa feita no Reino Unido pela Universidade de Manchester, cientistas sugeriram uma ligação entre o vírus do herpes e o Mal de Alzheimer.
Na pesquisa os cientistas infectaram uma cultura de células do cérebro com o vírus HSV-1 e verificou-se um grande aumento na quantidade de proteína beta amiloide, proteína esta que forma placas no cérebro de doentes de Alzheimer destruindo os neurónios.
Em experiência paralela, os pesquisadores examinaram partes do cérebro de doentes que faleceram na decorrência de Alzheimer e detectaram o material genético do vírus do herpes acumulado sobre as placas de proteína beta amiloide.
Em pesquisas anteriores já se havia sugerido que o vírus HSV-1 era encontrado em 70% dos cérebros dos doentes com Alzheimer.
É possível que esta descoberta possa abrir caminho para a criação de uma vacina que previna o mal de Alzheimer.
"O Alzheimer é disparado por vários factores e a nossa pesquisa aponta que uma série de mutações genéticas e o vírus do herpes podem estar contribuindo para a doença. No futuro, as pessoas poderão ser imunizadas contra o vírus HSV-1, o que poderia ajudar na prevenção da doença degenerativa". Ruth Itzhaki, líder da pesquisa.

MEDICINA-ENTREVISTA COM O NEUROCIRURGIÃO PAULO NIEMEYER FILHO: Doenças Neurológicas


ENTREVISTA COM O NEUROCIRURGIÃO PAULO NIEMEYER FILHO
( Doenças Neurológicas )



a.. POR DENTRO DO CÉREBRO

O neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho conta os avanços nos tratamentos de doenças como o mal de Parkinson, e como evitar aneurisma e perda de memória.

E projeta, ainda, o futuro próximo, quando boa parte do sistema neurológico estará sob controle do homem.

Chegar à casa do neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, no alto da Gávea, no Rio de Janeiro, é uma emoção.
A começar pela vista deslumbrante da cidade, passando pelos macacos que passeiam pelos galhos até avistar as orquídeas que caem em pencas das árvores, colorindo todo o jardim.

Cada uma dessas flores foi presente de um paciente do médico, que sua mulher, Isabel, replantou na parte externa da casa.

Ou seja: a competência desse médico, com 33 anos de profissão, que dedica sua vida à medicina com a paixão de um garoto, pode ser contada em flores.
E são muitas.

Filho do lendário neurocirurgião Paulo Niemeyer, pioneiro da microneurocirurgia no Brasil, e sobrinho do arquiteto Oscar Niemeyer, Paulo escolheu a medicina ainda adolescente.

Aos 17 anos, entrou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Quinze dias depois de formado, com 23 anos, mudou-se para a Inglaterra, onde foi estudar neurologia na Universidade de Londres.

De volta ao Brasil, fez doutorado na Escola Paulista de Medicina.

Ao todo, sua formação levou 20 anos de empenho absoluto.
Mas a recompensa foi à altura.
Apaixonado por seu ofício, Paulo chefia hoje os serviços de neurocirurgia da Santa Casa do Rio de Janeiro e da Clínica São Vicente, onde atende e opera de segunda a sábado, quando não há uma emergência no domingo, e ainda encontra tempo para dar aulas no curso de pós-graduação em neurocirurgia da PUC-Rio.

Por suas mãos já passaram o músico Herbert Vianna
- de quem cuidou em 2001, depois do acidente de ultraleve em Mangaratiba, litoral do Rio -,
o ator e diretor Paulo José, a atriz Malu Mader
e, mais recentemente,
o diretor de televisão Estevão Ciavatta
– marido da atriz Regina Casé que, depois de um tombo do cavalo, recupera-se plenamente -,
além de centenas de outros pacientes, muitos deles representados pelas belas flores que enchem de vida o seu jardim.

ENTREVISTA
PODER:
Seu pai também era neurocirurgião.
Ele o influenciou?

PAULO NIEMEYER:
Certamente.
Acho que queria ser igual a ele, que era o meu ídolo.

PODER:
Seu pai trabalhou até os 90 anos.
A idade não é um complicador para um neurocirurgião?
Ela não tira a destreza das mãos, numa área em que isso é crucial?

PN:
A neurocirurgia é muito mais estratégia do que habilidade manual.
Cada caso tem um planejamento específico e isso já é a metade do resultado. Você tem de ser um estrategista..

PODER:
O que é essa inovação tecnológica que as pessoas estão chamando de marcapasso do cérebro?

PN:
Tem uma área nova na neurocirurgia chamada neuromodulação, o que popularmente se chama de marcapasso, mas que nós chamamos de estimulação cerebral profunda.
O estimulador fica embaixo da pele e são colocados eletrodos no cérebro, para estimular ou inibir o funcionamento de alguma área.
Isso começou a ser utilizado para os pacientes de Parkinson.
Quando a pessoa tem um tremor que não controla, você bota um eletrodo no ponto que o está provocando, inibe essa área e o tremor pára.
Esse procedimento está sendo ampliado para outras doenças.
Daqui a um ou dois anos, distúrbios alimentares como obesidade mórbida e anorexia nervosa vão ser tratados com um estimulador cerebral.
Porque não são doenças do estômago, e sim da cabeça.

PODER:
O que se conhece do cérebro humano?

PN:
Hoje você tem os exames de ressonância magnética, em que consegue ver a ativação das áreas cerebrais, e cada vez mais o cérebro vem sendo desvendado.
Ainda há muito o que descobrir, mas, com essas técnicas de estimulação, você vai entendendo cada vez mais o funcionamento dessas áreas.
O que ainda é um mistério é o psiquismo, que é muito mais complexo.
Por quê um clone jamais será igual ao original?
Geneticamente será a mesma coisa, mas o comportamento depende muito da influência do meio e de outras causas que a gente nunca vai desvendar totalmente.

PODER:
Existe uma discussão entre psicanalistas e psiquiatras, na qual os primeiros apostam na melhora por meio da investigação da subjetividade, e os últimos acreditam que boa parte dos problemas psíquicos se resolve com remédios.
Qual é sua opinião?

PN:
Há casos de depressão que são causados por tumores cerebrais:
você opera e o doente fica bem.
Há casos de depressão que são causados por deficiência química:
você repõe a química que está faltando e a pessoa fica bem.
Numa época em que se fazia psicocirurgia existiam doentes que ficavam trancados num quarto escuro e, quando faziam a cirurgia, se livravam da depressão e nunca mais tomavam remédio.
E há os casos que são puramente psíquicos, emocionais, que não têm nenhuma indicação de tomar remédio.

PODER:
Já existe alguma evolução na neurologia por causa das células-tronco?

PN:
Muito pouco.
O que acontece com as células-tronco é que você não sabe ainda como controlar. Por exemplo:
o paciente tem um déficit motor, uma paralisia, então você injeta lá uma célula-tronco, mas não consegue ter certeza de que ela vai se transformar numa célula que faz o movimento.
Ela pode se transformar em outra coisa, você não tem o controle ainda.

PODER:
Existe alguma coisa que se possa fazer para o cérebro funcionar melhor?

PN:
Você tem de tratar do espírito.
Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício.
Se está deprimido, com a autoestima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora;
90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo.
Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter motivação.
Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto.

PODER:
Cabeça tem a ver com alma?

PN:
Eu acho que a alma está na cabeça.
Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma.
Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo.

PODER:
O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas?

PN:
Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral.
Vou dar um exemplo:
os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento.
Dos 50% que não morrem, 30% vão ter uma seqüela grave:
ficar sem falar ou ter uma paralisia.
Só 20% ficam bem.
Agora, se você encontra o aneurisma num checkup, antes de ele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%.
É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up.

PODER:
Você acha que a vida moderna atrapalha?

PN:
Não, eu acho a vida moderna uma maravilha.
A vida na Idade Média era um horror.
As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas.
O sofrimento era muito maior.
As pessoas morriam em casa com dor.
Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor.

PODER:
Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro?

PN:
O exagero.
Na bebida, nas drogas, na comida.
O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo.
Uma coisa depende da outra.
É muito difícil um cérebro muito bem num corpo muito maltratado, e vice-versa.

PODER:
Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia?

PN:
Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela célula doente.
Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça.

PODER:
Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer?

PN:
Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos.
As pessoas irão bem até morrer.
É isso o que a gente espera.
Ninguém quer a decadência da velhice.
Se você puder ir bem de saúde, de aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha, não é?

PODER:
Você não vê contraindicações na manipulação dos processos naturais da vida?

PN:
O que é perigoso nesse progresso todo é que, assim como vai criar novas soluções, ele também trará novos problemas.
Com a genética, por exemplo, você vai fazer um exame de sangue e o resultado vai dizer que você tem 70% de chance de ter um câncer de mama.
Mas 70% não querem dizer que você vai ter, até porque aquilo é uma tendência. Desenvolver depende do meio em que você vive, se fuma, de muitos outros fatores que interferem.
Isso vai criar um certo pânico.
E, além do mais, pode criar problemas, como a companhia de seguros exigir um exame genético para saber as suas tendências.
Nós vamos ter problemas daqui para a frente que serão éticos, morais, comportamentais, relacionados a esse conhecimento que vem por aí, e eu acho que vai ser um período muito rico de debates.

PODER:
Você acredita em que, na hora em que as pessoas puderem decidir geneticamente a sua hereditariedade e todo mundo tiver filhos fortes e lindos, os valores da sociedade vão se inverter e, em vez do belo, as qualidades serão se a pessoa é inteligente, se é culta, o que pensa?

PN:
Mas aí você vai poder escolher isso também.
Esse vai ser o problema:
todo mundo vai ser inteligente.
Isso vai tirar um pouco do romantismo e da graça da vida.
Pelo menos diante do que a gente está acostumado.
Acho que a vida vai ficar um pouco dura demais, sob certos aspectos.
Mas, por outro lado, vai trazer curas e conforto.

PODER:
Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente.
Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas?

PN:
O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades.
Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez.
Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás.
Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.

PODER:
Paciente famoso dá mais trabalho?

PN:
A revista New England Journal of Medicine publicou um artigo sobre as complicações do tratamento vip, mostrando que o perigoso nesse tipo de tratamento é que você muda a sua rotina.
Eles deram o exemplo do papa João Paulo 2º e do ex-presidente norte-americano Ronald Regan, que levaram tiros.
E mostraram momentos em que eles quase morreram porque, quando chega um doente desses, o hospital pára, todo mundo quer ver e ajudar, a sala de cirurgia fica lotada, o cirurgião deixa de fazer um exame que devia ser feito porque pode doer...
O doente vip acaba influindo nas decisões médicas pela importância que tem, e isso pode complicar o tratamento.
Ele tem de ser tratado igualzinho ao doente comum para poder dar certo.

PODER:
Já aconteceu de você recomendar um procedimento e a pessoa não querer fazer??

PN:
A gente recomenda, mas nunca pode forçar.
Uma coisa é a ciência, e outra é a medicina.
A pessoa, para se sentir viva, tem de ter um mínimo de qualidade.
Estar vivo não é só estar respirando.
A vida é um conjunto.
Há doentes que preferem abreviar a vida em função de ter uma qualidade melhor.
De que adianta ficar ali, só para dizer que está vivo, se o sujeito perde todas as suas referências, suas riquezas emocionais, psíquicas.

É muito difícil, a gente tem de respeitar muito.

PODER:
Como é o seu dia-a-dia?

PN:
Eu opero de segunda a sábado de manhã, e de tarde atendo no consultório.
Na Santa Casa, que é o meu xodó, nós temos 50 leitos, só para pessoas pobres. Eu opero lá duas vezes por semana.
E, nos outros dias, na Clínica São Vicente.
O que a gente mais opera são os aneurismas cerebrais e os tumores.
Então, é adrenalina todo dia.
Sem ela a gente desanima e o cérebro funciona mal.
(risos)

PODER: Você é workaholic?

PN:
Não é que eu trabalhe muito, a minha vida é aquilo.
Quando viajo, fico entediado.
Depois de alguns dias, quero voltar.
Você perde a sua referência, está acostumado com aquela pressão, aquele elástico esticado.

PODER:
Como você lida com a impotência quando não consegue salvar um paciente?

PN:
É evidente que depois de alguns anos, a gente aprende a se defender.
Mas perder um doente faz mal a um cirurgião.
Se acontece, eu paro com o grupo para discutir o que se passou, o que poderia ter sido melhor, onde foi a dificuldade.
Não é uma coisa pela qual a gente passe batido.
Se o cirurgião acha banal perder um paciente é porque alguma coisa não está bem com ele mesmo.

PODER:
Como você lida com as famílias dos seus pacientes?

PN:
Essa relação é muito importante.
As famílias vão dar tranquilidade e confiança para fazer o que deve ser feito.
Não basta o doente confiar no médico, o médico também tem de confiar no doente.
E na família.
Se é uma família que cria caso, que é brigada entre si, dividida, o cirurgião já não tem a mesma segurança de fazer o que deve ser feito.
Muitas vezes o doente não tem como opinar, está anestesiado e no meio de uma cirurgia você encontra uma situação inesperada e tem de decidir por ele.
Se tem certeza de que ele está fechado com você, a decisão é fácil.
Mas se o doente é uma pessoa em quem você não confia, você fica inseguro de tomar certas decisões.
É uma relação bilateral, como num casamento.
Um doente que você opera é uma relação para o resto da vida.

PODER:
Você acredita em Deus?

PN:
Não raramente, depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando você acaba de operar, vai até a família e diz:
"Ele está salvo".
Aí, a família olha pra você e diz:
"Graças a Deus!".
Então, a gente acredita que não fomos apenas nós.

PODER:
Como você relaxa?

PN:
Estudando. A coisa de que mais gosto de fazer é ler.
Sábado e domingo, depois do almoço, gosto de sentar e ler, ficar sozinho em silêncio absoluto.

PODER: E o que gosta de ler?

PN: Sobre medicina ou história. Agora estou lendo um livro antigo, chamado Bandeirantes e Pioneiros, do Vianna Moog, no qual ele compara a colonização dos Estados Unidos com a do Brasil. E discute por quê os Estados Unidos, com 100 anos a menos que o Brasil, tiveram um enriquecimento e um progresso tão rápidos. Por que um país se desenvolveu em progressão geométrica e o outro em progressão aritmética.


http://www.portalser.com.br/portalser/publier4.0/texto.asp?id=847

http://www.formadoresdeopiniao.com/?m=20090504

http://claudioqualimaticaconsultoria.wordpress.com/2009/02/26/por-dentro-do-crebro/

MEDICINA-Envelhecimento e Alzheimer - Déficit Cognitivo Ligeiro- Beja Santos


Envelhecimento e Alzheimer - Déficit Cognitivo Ligeiro
Beja Santos



Considerada como uma das doenças neurodegenerativas mais frequentes, a doença de Alzheimer progride por causas desconhecidas, e constitui a principal causa de demência de indivíduos com mais de 60 anos.
Compreende-se o interesse dos investigadores em procurarem conhecer as zonas de fronteira entre o envelhecimento normal e o aparecimento desta doença.

O que é do senso comum, e que nos atinge a todos nós, até por razões familiares, é saber-se que os doentes de Alzheimer se tornam cada vez menos capazes de realizar qualquer tarefa, mergulhando na confusão ao ponto de deixar de reconhecer os próprios entes queridos, num lento percurso que pode durar de 8 a 10 anos.

Resta aqui sublinhar que a doença de Alzheimer não faz parte do processo natural de envelhecimento e nem pode ser considerada uma doença mental. Um dos maiores desafios que a doença levanta a nível social é a preparação das atitudes dos familiares, preparando-os para serem cuidadores informados e capazes de resistir ao desgaste psicológico e moral que a doença provoca.
Este cuidador vai assistir ao declínio das faculdades mentais do seu familiar, vai presenciar alterações brutais na memorização, no raciocínio e na coordenação dos movimentos.

Julga-se que essa deterioração é devida a um problema cerebral que poderá estar associado à degenerescência das células do cérebro.
É por isso que todos os livros de divulgação sugerem que se deve procurar um médico para obter um diagnóstico precoce.
Os medicamentos actualmente disponíveis não tratam a causa mas os sintomas da demência, ou seja podem apenas contribuir para retardar a sua evolução.

Percebe-se igualmente porque é que os cientistas procuram conhecer com mais fiabilidade os estádios precoces da doença de Alzheimer.
É que não existe um teste de diagnóstico específico para a doença, o diagnóstico é feito por exclusão de outras doenças, com uma muito elevada percentagem de certeza.
Os médicos testam as capacidades cognitivas dos doentes, tais como a memória, a atenção, a linguagem, a capacidade do doente em resolver problemas e usam imagiologia cerebral para aumentar a probabilidade de se obter um diagnóstico correcto, isto a par de exames de sangue, temografias ou ressonâncias. Obtido o diagnóstico há que procurar formas de apoiar o doente.

"Défice Cognitivo Ligeiro, o envelhecimento e a doença de Alzheimer", corresponde à preocupação dos investigadores clínicos procurarem conhecer melhor essa região de fronteira entre as alterações cognitivas próprias do envelhecimento normal e o estado precoce da doença de Alzheimer.
Défice cognitivo ligeiro é uma expressão usada para descrever esta zona transitória entre o envelhecimento e a doença de Alzheimer em fase muito inicial (por Ronald C. Petersen, Climepsi Editores, 2004).

Hoje já se comparticipam medicamentos para o tratamento da doença de Alzheimer, como é o caso das substâncias inibidoras da colinesterase, o tratamento com estrogénios, substâncias anti-inflamatórias (medicamentos anti-inflamatórios não esteróides) e estratégias de redução dos lípidos ou uso de anti-hipertensivos.
Como concluem os investigadores neste livro, admite-se que o défice cognitivo ligeiro pode ser a estratégia que ajude o campo da terapêutica da doença de Alzheimer.


http://www.oribatejo.pt:80/?lop=conteudo&op=c9e1074f5b3f9fc8ea15d152add07294&id=428a9fb27dd2abab5fc70962986c4acf&drops%5Bdrop_edicao%5D=162&drops%5Bdrop_edicao%5D=162

MEDICINA-Anosognosia e Doença de ALZHEIMER... Conscientize-se!


Anosognosia e Doença de ALZHEIMER... Conscientize-se!

Nelson Antonio, médico - CRMMG 7609

A N O S O G N O S I A ( Esquecimento temporário )          
                                                                                                            
Que alívio ter conhecimento disto ! (e que nome mais estranho...)                                                                         
                                                                                                                                             
Já faz algum tempo que andava preocupado porque :                                                                                         
                                                                                                                                             
1.- Às vezes não me recordo de alguns nomes próprios ;                                                                               
                                                                                                                                             
2. -Às vezes esqueço onde deixo algumas coisas ;                                                                                       
                                                                                                                                             
3. - Quando tenho que interromper o pensamento numa conversa, sinto dificuldades em continuar no ponto em que fui interrompido;             
                                                                                                                                             
Enfim, creio que começava a pensar que tinha um inimigo dentro da minha cabeça, cujo nome começa por Alz...                           
Hoje li um artigo que me deixou bem mais tranquilo, por isso passo a transcrever a parte mais interessante :                               
" Se tu tens consciência dos teus problemas de memória, então é porque ainda não tens problemas"                                   
Existe um termo médico que se chama ANOSOGNOSIA, que é a situação em que não se recorda temporariamente de alguma coisa.
Metade dos maiores de 50 anos, apresentam algumas falhas deste tipo, mas é mais um fato relacionado com a idade do que com a doença.                             
Queixar-se de falhas de memória, é uma situação muito comum em pessoas com 50 ou mais anos de idade e se traduz por não recordar um nome próprio, entrar numa divisão da casa e esquecer-se do que ia fazer ou buscar, esquecer o título de um filme, ator , canção, não se lembrar onde deixou os óculos, etc.                                             Muitas pessoas preocupam-se, muitas vezes em excesso, por este tipo de esquecimento. Daí uma informação importante :                  
                                                                                                                                              
"Quem tem consciência de ter este tipo de esquecimento, é todo aquele que não tem problema sério de memória. Todos aqueles que padecem de doença de memória, com o inevitável fantasma de Alzheimer, são todos aqueles que não tem registro do que efetivamente se passa.               
                                                                                                                                             
B. Dubois, professor de neurologia de CHU Pitié-Salpêtrière , encontrou uma engraçada, mas didática explicação, válida para a maioria dos casos de pessoas que estão preocupadas com seus esquecimentos :                                                                                
" Quanto mais se queixam dos seus problemas de memória, menos possibilidades têm de sofrer de uma doença de memória".               
                                                                                                                                             
Este texto é dedicado a  todos os esquecidos que me recordo .                                                                             
Se esquecerem de compartilha-lo, não se preocupem porque não será Alzheimer... e sim os muitos anos que pesam dentro das suas cabeças.                                                         

Perda de memória no idoso


A queixa de dificuldade de memória é uma das mais freqüentes em pessoas idosas, o que não significa, entretanto, sinônimo de perda significativa da mesma. Um estudo realizado na área metropolitana de São Paulo mostrou que 54% das pessoas com mais de 65 anos se queixavam de dificuldade de memória, porém apenas 12% admitiram que essa complicação as prejudicava no dia-a-dia. Isto indica que, embora a reclamação seja freqüente, não tem necessariamente maior implicação clínica.

Pessoas idosas lamentam esquecer fatos ocorridos uma semana antes, mas podem se lembrar de episódios ocorridos em suas infâncias, o que pode ser explicado pela carga emocional diferente em cada acontecimento: possivelmente a pessoa se lembrará com mais facilidade de fatos com forte apelo emocional. Uma outra queixa se refere à repetição da mesma história para a mesma pessoa em diferentes ocasiões, o que pode ser justificado pelo comprometimento da memória contextual: o fato é lembrado, mas não onde foi contado ou ouvido.

A memória de evocação apresenta declínio, com comprovação em testes,2 e se relaciona com a freqüente reclamação de lembrar recados ou trechos de conversa. Outras áreas da memória estão preservadas, como vocabulário, manejo de aparelhos e definição de conceitos, pois são áreas mais sedimentadas.

A história do paciente pode ajudar no detalhamento da queixa de perda de memória, e indicar se ocorre isoladamente ou em conjunto com outras alterações cognitivas. Portanto, deve-se questionar o paciente sobre as atividades do dia-a-dia, como dificuldade em controlar o próprio dinheiro, em localizar-se em ambientes diferentes de sua casa (viagens, visitas), em encontrar palavras corriqueiras, em manter passatempos prévios como leituras e jogos, em realizar pequenos consertos em casa e em manusear aparelhos eletrodomésticos. Quando se verifica alteração em muitos desses itens, faz-se necessária a avaliação mais objetiva desses déficits, por meio de consulta a profissional da área.O profissional buscará, pela história, pelo exame físico, pelos exames subsidiários (de sangue e de imagem) e pelo teste neuropsicológico, subsídios para o diagnóstico correto desse idoso que se queixa de perda de memória.

Entre os diagnósticos possíveis, pode-se concluir que essa pessoa esteja com alteração de memória devido à dificuldade de atenção, decorrente de uso de medicação (principalmente benzodiazepínicos, neurolépticos e antidepressivos). Outra possibilidade para que esteja ocorrendo queixa de memória correlacionada a déficit objetivo na avaliação é haver alteração de afeto, em particular a depressão em suas diversas formas. A depressão, acarretando alterações cognitivas, vem recebendo diversas denominações, e todas salientando as alterações de humor e de afeto com os distúrbios cognitivos, tais como pseudodemência, síndrome demencial da depressão e distúrbio cognitivo-afetivo.

O diagnóstico de declínio cognitivo leve deve ser considerado quando existe um comprometimento de uma área cognitiva, como a memória, porém sem critérios para o diagnóstico de demência. Em relação a uma população sem queixa, alguns trabalhos concluem que o diagnóstico de declínio cognitivo leve pode significar um quadro inicial de demência,3 ou indicar o aumento, em cerca de oito vezes, da possibilidade de desenvolvê-la.4 Já outros estudos afirmam que a alteração cognitiva não é fator de risco,5 o que mostra, portanto, não haver um consenso na literatura. Este artigo ressalta a importância de acompanhamento clínico cognitivo para esses pacientes por um período de tempo prolongado.

O diagnóstico de síndrome demencial é feito quando há comprometimento, suficiente para interferir nas atividades diárias do paciente, da memória e de mais de uma outra área cognitiva (linguagem, praxias, orientação, função executiva, entre outras). Isso se apresenta detectável em exame neuropsicológico.

A principal causa de demência é a doença de Alzheimer (DA) na qual, em cerca de 50-60%, ocorre inicialmente o comprometimento progressivo da memória para fatos recentes, em geral seguida de alteração de linguagem (anomia e afasia). A evolução da doença pode apresentar qualquer outro déficit cognitivo, além de distúrbios de comportamento, como depressão, agitação, delírio, alucinação, atitudes inadequadas, perda de crítica, voracidade e outros sintomas.

Uma outra causa é a demência por corpúsculos de Lewy (DL), em que ocorre alterações cognitivas (demência) associadas a sinais de parkinsonismo precoce e a alucinações (mais visuais e bem estruturadas).6

A demência vascular ou por múltiplos infartos (DV) progride em etapas, ou seja, há um declínio cognitivo percebido nitidamente pelo paciente ou pela família. Nesse caso, os exames por imagem podem corroborar um diagnóstico clínico.

Quando se encontra precocemente um quadro de muita alteração de comportamento, associado a uma síndrome demencial, o diagnóstico pode ser de demência frontotemporal (DFT), uma causa menos freqüente que as anteriores.

Outras causas de demência podem ser diagnosticadas evidenciando o hipotireoidismo, a deficiência de vitamina B12, ácido fólico ou causas infecciosas (sífilis terciária).

Os tratamentos para as demências dependem, portanto, do diagnóstico da sua causa. Atualmente a demência degenerativa como DA recebe tratamento com inibidores de acetilcolinesterase, tentando prolongar o funcionamento colinérgico. Entre as drogas utilizadas comercialmente, a rivastigmina e o donepezil apresentam algum efeito na evolução clínica dessa demência, melhorando cognição e alterações de comportamento, ou mesmo estabilizando os déficits.

O tratamento das síndromes demenciais, com a grande variação de sintomas que esses pacientes apresentam, exige cada vez mais uma abordagem multidisciplinar com médicos, enfermeiros, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas, voltados no sentido de dar ao paciente, e à sua família, uma melhor condição (qualidade de vida) para enfrentar essas doenças.

O idoso com queixa de memória deve estar atento para esse problema e procurar auxílio profissional, não apenas atribuindo o esquecimento ao chavão popular: “isso é coisa da idade”.

Referências
Brucki SMD, Bertolucci PHF, Okamoto IH, Macedo MBM, Toniolo Neto J, Ramos LR. Consortium to establish a registry for Alzheimer’s disease (CERAD I): aspectos epidemiológicos. Arq Neuropsiquiat 1994;52(Suppl):P-99.
Albert MS, Heller HS, Milberg W. Changes in naming ability with age. Psychol Aging 1987;5:94-102.
Schmand B, Jonker C, Hooijer C, Lindeboom J. Subjective memory complaints may announce dementia. Neurology 1996;46:121-5.
Petersen R. Mild cognitive impairment. American Academy of Neurology. Syllabs-on-cd-rom 51st Meeting- Toronto, Ca 1999.
Flicker C, Ferris SH, Reisberg B. A longitudinal study of cognitive function in elderly persons with subjective memory complaints. J Am Geriatr Soc 1993;41:1029-32. Okamoto IH. Exame neuropsicológico no diagnóstico diferencial das demências primárias. Sílabos do Congresso da Academia Brasileira de Neurologia. São Paulo, Br 1998.

Dr. Ivan H. Okamoto e Dr. Paulo H F Bertolucci
Revista Psiquiatria na Prática Médica vol. 34 n° 4 - 2002

MEDICINA-Cientistas avançam na criação de exames que detectam Alzheimer na fase inicial

Uma pergunta que quase sempre fica sem resposta: “Você gostaria de saber que tem uma doença degenerativa e incurável, que só se manifestará daqui a 10 anos?”. Nem os cientistas que pesquisam o tratamento do Alzheimer têm opinião fechada. Enquanto alguns acham que ainda é cedo para surpreender os pacientes com esse diagnóstico, outros apostam na identificação do problema em pessoas mais velhas que começam a apresentar os primeiros sinais. A justificativa é que, com tempo hábil, é possível fazer intervenções para amenizar e mesmo retardar os sintomas associados a esse mal.

Embora o Alzheimer não tenha sido decifrado por completo, nos últimos cinco anos as pesquisas avançaram significativamente. Hoje, já é certo o papel de duas proteínas na degeneração do cérebro: a tau e a beta-amiloide. No primeiro caso, o que mata as células são emaranhados de fios que se formam dentro do órgão devido a alterações na estrutura da tau. Quando saudável, a proteína, semelhante a trilhos de trem, organiza o transporte celular cerebral. Mas, por motivos desconhecidos, ela começa a se embolar, o que destrói os neurônios. Já a beta-amiloide é uma substância normalmente descartada pelo líquido cefalorraquidiano, que circula do cérebro para a coluna espinhal. Contudo, um distúrbio também ainda sob investigação faz com que ela se acumule, formando placas tóxicas e nocivas.

Os cientistas lutam para entender o que desencadeia os dois processos. Há algumas pistas e sabe-se que fatores hereditários, problemas vasculares e obesidade favorecem o surgimento do mal. Mas, mesmo sem conhecer a raiz do Alzheimer, o avanço das pesquisas permite, hoje, identificar essas alterações pré-clínicas, que surgem muito antes de os sintomas mais consistentes aparecerem. Além de técnicas de imagem, exames de sangue e oftalmológicos, que indicam a presença de biomarcadores, testes cognitivos cada vez mais aprimorados são capazes de diagnosticar a doença. Essas ferramentas ainda estão sob estudo e só se aplicam no universo restrito das pesquisas científicas. A expectativa, porém, é de que boa parte delas esteja disponível em breve nos consultórios.

“O diagnóstico preciso e precoce é benéfico por diversas razões”, diz Guy M. McKhann, neurocientista da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins e um dos autores das diretrizes adotadas pelos médicos americanos para a detecção da doença. “Existe tratamento para os sintomas, como depressão, ansiedade e perda de memória. Começar esse tratamento cedo pode ajudar a preservar as funções mentais e cerebrais por algum tempo, embora o processo por trás da doença ainda não possa ser alterado”, afirma.

McKhann enumera outros motivos: ajudar o paciente e a família a planejar o futuro, tomar decisões financeiras, legais e materiais e desenvolver uma rede de apoio. “Há uma outra razão bem prática também. O diagnóstico precoce pode fornecer uma grande oportunidade para as pessoas com a doença se envolverem em estudos científicos, nos quais testamos a segurança e a efetividade de uma medicação ou de outra intervenção.”
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Exames
Atualmente, os médicos dão o parecer sobre a doença a partir de exames clínicos, que avaliam mudança de comportamento e alterações cognitivas para encaixar o paciente em uma dessas duas categorias: deficiência cognitiva moderada devido à doença de Alzheimer ou demência. No primeiro caso, estão presentes as mudanças na memória e nas capacidades de pensamento já perceptíveis e mensuráveis. Porém, a atividade cotidiana ainda não foi totalmente comprometida. Na demência, contudo, o paciente exibe os sinais clássicos do Alzheimer, como não reconhecer mais as pessoas e perder a habilidade de executar tarefas simples, uma delas é se alimentar.Os testes que estão sendo pesquisados visam detectar a doença em uma fase que, hoje, ainda não é contemplada pelas diretrizes disponíveis. Trata-se do Alzheimer pré-clínico, quando o mal não se manifesta por sinais claros. Nesse momento, porém, já é possível visualizar os emaranhados da proteína tau ou detectar, no sangue ou em amostras do líquido cefalorraquidiano, quantidades anormais da beta-amiloide. Esses métodos já vêm sendo utilizados nos estudos científicos, mas os pesquisadores também querem encontrar meios não invasivos, simples e seguros para, em um exame de rotina, notarem sinais precoces do Alzheimer. Enquanto o PET scan ainda é um método caro e indisponível em muitos lugares, a análise do líquido se dá pela punção lombar, quando uma agulha é inserida entre duas vértebras.

“Essa doença é uma epidemia crescente e, em face disso, há uma pressão muito grande para testes simplificados que identifiquem os riscos muito antes que o processo da doença siga seu curso”, afirma Heather Snyder, diretora de operações médicas e científicas da Associação de Alzheimer. “Isso é especialmente verdadeiro à medida que os pesquisadores se concentram em novos tratamentos que consigam retardar o progresso da doença”, opina.

Células
Um dos métodos investigados hoje foi apresentado no ano passado na conferência internacional da organização, realizada em Copenhague (Dinamarca). Dois estudos mostraram que a perda acentuada da capacidade de sentir odores está significativamente associada à progressão da doença. Isso porque a deficiência pode, nesse caso, ser um indicativo da morte de células cerebrais que fazem o papel de reconhecimento olfativo.

A associação foi feita por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública de Harvard, que investigaram 215 pacientes idosos aparentemente saudáveis. Essas pessoas, contudo, já apresentavam pequenos problemas de perda da habilidade e, nos exames laboratoriais, verificou-se que tinham depósito de beta-amiloide. Os pesquisadores também mediram o tamanho de duas importantes estruturas existentes nos lobos temporais.

De fato, eles descobriram que os indivíduos com maiores níveis de proteína amiloide no cérebro são aqueles com menor capacidade de identificação de odores e pior desempenho nos testes cognitivos e de memória. De acordo com John H. Growdon, um dos autores do estudo, o exame, por ora, poderá ajudar a identificar candidatos em potencial para as pesquisas clínicas de Alzheimer. “É um resultado promissor, mas temos que nos aprofundar mais nos estudos para saber como o teste olfativo poderá ser utilizado nos consultórios para a detecção inicial da doença”, diz.

 

FONTE:  Paloma Oliveto - Correio Brasilienze Publicação:26/01/2015