segunda-feira, 17 de novembro de 2014

PSICOLOGIA-Evite 7 hábitos que aumentam o risco de depressão e faça um TESTE

Evite 7 hábitos que aumentam o risco de depressão e faça um Teste para saber seu grau de depressão

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a depressão se torne a doença mais comum do mundo nos próximos 20 anos. Atualmente, ela afeta mais 350 milhões de pessoas de todas as idades e é causa de mais de 850 mil suicídios por ano. Diante de números tão altos, especialistas da área de saúde reforçam a necessidade de estar atento aos principais fatores que podem desencadear o problema.

"A depressão é uma doença causada por uma combinação de fatores genéticos, ambientais, psicológicos e sociológicos", afirma a psiquiatra Renata Bataglin, do Hospital e Maternidade São Luiz. Se você tem histórico familiar de depressão, deve ter ainda mais cuidado com alguns hábitos diários que interferem na sua saúde. Descubra os principais deles a seguir.


Sedentarismo - Getty Images 

Sedentarismo

Quem vive com a sensação de que está cansado e não tem tempo para praticar exercícios precisa saber que a atividade física é uma ótima forma de melhorar a disposição. "A prática regular aumenta os níveis de endorfina no organismo, que é um neurotransmissor que promove a sensação relaxante de bem-estar", explica a psiquiatra Renata.

É essa endorfina que ajuda a combater depressão em pessoas com predisposição. Uma pesquisa publicada no Journal of Clinical Psychiatry mostrou que a atividade física é tão eficiente que pode funcionar até como um tratamento paralelo à medicação de depressão. Os pesquisadores analisaram voluntários com depressão que tinham entre 18 e 70 anos. Em um primeiro momento, todos não responderam bem aos medicamentos. Ao serem submetidos a 12 semanas de exercícios físicos - junto ao tratamento com medicação -, cerca de 30% dos pacientes em ambos os grupos atingiram uma remissão completa da depressão e outros 20% tiveram uma melhora significativa.
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Estresse

Esse companheiro indesejável da rotina corrida pode deixar o corpo de portas abertas para a depressão em pessoas que já tem tendência. "Parte das causas de depressão vem de pressões ambientais, jornada de trabalho muito extensa ou insatisfação com o emprego, congestionamento no trânsito, problemas financeiros, falta de emprego, cobranças pessoais e frustração", exemplifica a psicanalista Priscila Gasparini, da USP.

Um estudo que comprova a relação foi publicado na revista científica PLoS ONE, feito por pesquisadores do Finnish Institute of Occupational Health, na Finlândia, e da University College London, na Inglaterra. Eles acompanharam 1.626 homens e 497 mulheres durante cinco anos. Nos resultados, as pessoas analisadas que trabalhavam 11 horas ou mais por dia tinham um risco até 2,5 maior de ter depressão do que aquelas que tinham um expediente de oito horas diárias. Um dos fatores que podem ter influenciado esse número é o estresse de passar grande parte do dia trabalhando.
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Má alimentação

Um estudo realizado pela University College London, na Inglaterra, fez a análise de 3,5 mil funcionários públicos britânicos por cinco anos. O resultado, publicado na revista British Journal of Psychiatry, mostrou que as pessoas que mantêm uma dieta rica em alimentos industrializados têm um risco 58% maior de ter depressão. O ideal seria manter uma alimentação balanceada, com todos os nutrientes na proporção certa e com ingestão moderada de alimentos ricos em açúcares, gorduras e conservantes.

Segundo a psiquiatra Renata, os dois extremos não são bons: comer muito ou ficar muito tempo em jejum. "Esses dois hábitos alteram os níveis de glicose no sangue e podem deixar a pessoa mais predisposta a ter depressão", explica. Ela recomenda se alimentar de três em três horas e incluir no cardápio alimentos fontes de triptofano, um tipo de aminoácido que ajuda na produção de serotonina. "Como a depressão está relacionada à baixa serotonina, o ideal é a pessoa ingerir maiores quantidades de triptofano, presente em frutas como banana, melancia, mamão e abacate", afirma a médica do Hospital São Luiz.
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Vício em internet

Você pode até manter muitos contatos pela internet, mas eles nunca vão substituir as amizades fora do mundo virtual, segundo Renata Bataglin. "É muito fácil a gente ficar mais tempo do que o planejado usando a internet e, ao gastar o seu tempo com isso, você deixa de fazer outras atividades, como dormir direito, praticar exercícios ou interagir com outras pessoas no dia a dia", diz a psiquiatra.

Um estudo feito pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra, reforça o que Renata afirma: acompanhando um total de 1.319 de casos de pessoas entre 16 e 51 anos, os psicólogos perceberam que aqueles que ficavam horas e horas na frente de um computador tinham cinco vezes mais chances de ter depressão do que os que utilizavam a internet normalmente. Os especialistas lembram, entretanto, que não somente a internet - mas qualquer vício que isole a pessoa de outras atividades cotidianas - pode ser um fator que aumenta a predisposição à doença, como se enterrar em livros ou fazer muitas compras.
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Sono de má qualidade

Um estudo publicado na revista científica Sleep teve a análise de mais de dez mil pessoas com idade média de 52 anos. Os pesquisadores - da Cleveland Clinic Sleep Disordes Center (EUA) - observaram que as pessoas com sono considerado normal (de seis a nove horas por noite) tiveram índices bem mais altos de qualidade de vida e níveis mais baixos de depressão, quando comparadas às pessoas que dormiam muito ou pouco.

Uma possível explicação para isso é de que o corpo precisa descansar direito para permanecer em equilíbrio. O sono inadequado é tanto causa quanto consequência da depressão. "Há um índice muito alto de pacientes com depressão e distúrbios do sono, como ter dificuldade para iniciar o sono, despertar durante a noite ou acordar mais cedo do que a hora certa", explica a psiquiatra Renata. Se a pessoa apresentar uma melhora da depressão, mas continuar mantendo o sono ruim, terá um risco muito grande de desenvolver um novo episódio depressivo. Por isso, dormir bem faz toda a diferença na prevenção e no tratamento.
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Viver sozinho

O ser humano não consegue viver sozinho, sem se relacionar com outros - isso é indicado em diversos estudos. Um deles, desenvolvido pelo Finnish Institute of Occupational Health, na Finlândia, selecionou 3.741 homens e mulheres com idade média de 44 anos que foram acompanhados por oito anos. Os resultados mostraram que os indivíduos que moravam sozinhos tinham até 80% mais chance de ter depressão do que aqueles que viviam com uma ou mais pessoas, tanto amigos quanto parentes. A solidão deve ser evitada em pessoas com tendência a ter depressão.
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Muita reclamação

Lamentar a vida e achar que nada vai dar certo pode virar uma mania a ponto de interferir na sua saúde. A depressão está muito relacionada ao pessimismo e à autoestima baixa. "Ter mais autoconfiança e manter uma postura mais pró-ativa com a própria vida ajuda muito", diz Renata Bataglin.

Um estudo publicado na revista científica Psychological Science, da Association for Psychological Science mostra que parte da razão pela qual as pessoas desenvolvem a depressão a partir de um evento negativo (como divórcio ou morte de um parente) está na memória de trabalho - também chamada de memória de curto prazo - que insiste em ruminar pensamentos negativos e não permite que o depressivo volte a sua atenção para outra coisa. Os pesquisadores da University of Miami e Stanford University, Estados Unidos, fizeram os participantes memorizar palavras diversas. Eles observaram que as pessoas com depressão tiveram mais problemas em reordenar as palavras em sua cabeça, principalmente quando elas tinham conotação negativa, como "morte" ou "tristeza". 
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 Fonte :  LETÍCIA GONÇALVES , em http://www.minhavida.com.br
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Teste de Auto Avaliação da Depressão
( de Zung)

Responda rapidamente sem reflectir muito e assinale a pontuação numa folha à parte.

1=nunca
2=às vezes
3=frequentemente
4=quase sempre
1. Sinto-me desanimada deprimida e triste
1 2 3 4
2. De manhã é o momento em que eu me sinto melhor
1 2 3 4
3. Tenho crises de choro ou me sinto como se estivesse a chorar
1 2 3 4
4. Tenho problemas de sono durante a noite
1 2 3 4
5. Continuo a comer tanto quanto comia anteriormente
4 3 2 1
6. Ainda tenho prazer em ter relações sexuais
4 3 2 1
7. Notei que estou perdendo peso
1 2 3 4
8. Tenho problemas de prisão de ventre
1 2 3 4
9. O meu coração bate mais depressa do que o costume
1 2 3 4
10. Canso-me sem motivo
1 2 3 4
11. A minha mente está tão lúcida quanto antigamente
4 3 2 1
12. Tenho facilidade em fazer as coisas que fazia anteriormente
4 3 2 1
13. Sou agitado(a) e não consigo ficar parado(a)
1 2 3 4
14. Sou otimista quanto ao futuro
4 3 2 1
15. Sou mais irritável do que o usual
1 2 3 4
16. Tenho facilidade em tomar decisões
4 3 2 1
17. Sinto-me útil e necessário(a)
4 3 2 1
18. Tenho uma vida muito intensa
4 3 2 1
19. Tenho a sensação de que seria melhor se eu morresse
1 2 3 4
20. Ainda gosto de fazer as coisas que fazia anteriormente
4 3 2 1
Some os pontos obtidos e verifique o resultado relativo à sua ansiedade:
Entre 20 e 31 : baixa
Entre 32 e 43 : média baixa
Entre 44 e 55 : média
Entre 56 e 67 : média alta
Entre 68 e 80 : alta


      fonte:         info@psico-online.net
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A arte da loucura é nunca  querer ser um sujeito normal 
( Raul Seixas )


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

PSICOLOGIA -Como superar uma crise de ansiedade

12 dicas essenciais para superar uma crise de ansiedade

12 Dicas pára controlar uma crise de ansiedade O desconforto causado pela ansiedade está presente no cotidiano de muita gente, sendo uma das principais causas de doenças emocionais. Isso porque nem todos conseguem lidar bem com esse sentimento, podendo ocasionar a dependência química ou comportamentos compulsivos, como arrancar os fios de cabelo. A boa notícia é que é possível conviver com a ansiedade. Confira as 12 dicas essenciais para quem precisa aliviar uma crise de ansiedade que o site Wikihow listou:

1)      Pratique a respiração profunda
Caso esteja sofrendo de um ataque de pânico, é possível que você esteja começando a hiperventilar (respirar mais depressa e mais superficialmente do que aquilo que o corpo precisa). Mesmo que não esteja, respirar profundamente pode ajudar a reduzir o estresse e a fornecer oxigênio ao cérebro para aumentar o foco. Tente respirar profundamente, no mínimo, 8 vezes por minuto. Demore 4 segundos para inalar, prenda a respiração por 2 a 3 segundos e demore outros 4 segundos para soltar o ar.
Se você estiver respirando rápido demais para começar a respirar profundamente, use um saco de papel pardo para desacelerar seu ritmo respiratório. Segure-o sobre sua boca enquanto respira, desacelerando a respiração progressivamente. Desacelere até poder começar seus exercícios de respiração profunda.
Continue a respirar profundamente por vários minutos até poder notar uma diferença em seu relaxamento muscular e na sua clareza de pensamentos.
2)      Use diversões cognitivas
Se você estiver no meio de um ataque de ansiedade, distraia sua mente através de diferentes diversões mentais. Por exemplo, conte os números ímpares de 0 a 100, diga o nome de todos os presidentes do Brasil ou declame seu poema (ou canção) predileto. Faça uma (ou várias) dessas técnicas até se acalmar um pouco.
3)      Pratique o relaxamento muscular progressivo
Este é o processo de desacelerar através do corpo e de retesar e relaxar cada grupo muscular. Isso tem duas finalidades: forçar a concentração em algo que não seja o medo e, simultaneamente, relaxar seus músculos. Comece com os músculos do rosto e vá descendo até ter relaxado todas as partes do corpo.
Enrijeça o grupo muscular por dez segundos. Em seguida, libere a pressão. Você pode fazer isso com o mesmo grupo muscular diversas vezes. Ainda assim, fazê-lo uma vez pode ser o suficiente.
Grupos musculares grandes que podem ser retesados e relaxados incluem: mandíbula, sua boca, braços, mãos, estômago, bumbum, coxas, panturrilhas e pés.
4)      Tente “parar e substituir”
Este é o processo pelo qual você impede seus pensamentos produtores de ansiedade e substitui-os por reflexões que tragam felicidade ou paz. Por exemplo, se você estiver ansioso por conta de uma viagem de avião e não puder parar de pensar no que pode acontecer caso a nave caia, impeça tal pensamento imediatamente e substitua-o ao imaginar como serão suas férias com seus amigos.
5)      Use imaginação guiada
Pense num lugar em que você se sinta em paz e relaxado: poderia ser sua casa, seu ponto de férias predileto ou os braços da pessoa amada. Enquanto pensa nesse lugar, continue adicionando detalhes à cena, de maneira a focar toda a sua mente no campo da imaginação. Sinta-se livre para fazer isso com os olhos fechados ou abertos. Fechar os olhos pode facilitar o processo. Quando sentir que é possível pensar claramente na ansiedade, você pode parar a imaginação guiada.
6)      Reconheça sua ansiedade
Ainda que deseje reduzir a ansiedade que sente, você não quer ignorá-la. Reconheça que você está com medo. Analise o medo. É um perigo verdadeiro e presente? Provavelmente, você está usando declarações do tipo “e se?” e entrando em pânico com algo que ainda não aconteceu ou que pode não ocorrer. Compreenda que você está sentindo medo, mas que não há nenhum perigo. Retirar o perigo da situação lhe ajudará a relaxar um pouco.
7)      Escreva seus sentimentos
Se você for suscetível a ataques de pânico, crie um diário para escrever textos que expliquem seus sentimentos. Escreva o que você sente, o que lhe causa medo e por que a ansiedade surgiu. Escrever lhe ajudará a focar seus pensamentos, e reler os textos poderá ajudá-lo a controlar melhor a ansiedade.
8)      Faça algo
Sentar e ruminar sua ansiedade apenas piorará seu estado e dificultará a superação do pânico. Distraia sua mente e seu corpo ao realizar uma tarefa, seja ela limpar, desenhar, ligar para um amigo, enfim, fazer qualquer coisa que lhe mantenha ocupado. Preferencialmente, faça algo de que você goste.
9)      Use terapia musical
Crie uma playlist com suas músicas preferidas. Elas podem ajudá-lo a relaxar ou a se sentir feliz. Então, se/quando você tiver um ataque de pânico, escute as músicas e se acalme. Use headphones bons, que impeçam a intromissão de barulhos externos, para poder se concentrar apenas na música. Enquanto escuta, foque em diferentes instrumentos, no som e nas letras, ou cante a canção. Isso o(a) ajudará a parar de pensar em seus medos.
10)   Faça um pouco de exercício
Fazer com que seu corpo se mexa libera endorfinas que são responsáveis pelo aumento da sensação de paz e de felicidade. Vá caminhar ou experimente um pouco de yoga. Exercícios leves poderão lhe ajudar a relaxar mais que esportes agressivos ou treinos de resistência.
11)   Consiga ajuda de um amigo
Se você estiver entrando no mundo da ansiedade e não conseguir sair dele, ligue para um amigo ou membro da família e peça ajuda. Peça para que ele distraia você e analise seu medo para poder superar a sensação de estresse. Se você for suscetível a ataques de ansiedade, ensine aos amigos como eles devem agir durante uma crise sua. Assim, eles o compreenderão e poderão obter ajuda quando preciso.
12)   Procure um terapeuta
Se você tiver ataques severos de ansiedade por períodos prolongados de tempo, visite um psicólogo para obter terapia e conselhos. Você pode ter transtorno de ansiedade generalizada ou estar suscetível a outras doenças emocionais. Mas não se preocupe pois podem ser tratados por profissionais especializados. Você pode também receber indicação de um medicamento adequado, caso seja necessário.
Se você tem crises de ansiedade e não consegue superá-las sozinho, saiba que você pode encontrar psicólogos especializados na Clínica Viva. Veja em www.ctviva.com.br onde encontrar atendimento de qualidade.
FONTE: Clínica Viva
http://www.ctviva.com.br/blog/12-dicas-essenciais-para-superar-uma-crise-de-ansiedade/

domingo, 9 de novembro de 2014

PSICOLOGIA-A arte de viver bem consigo mesmo

A arte de viver bem consigo mesmo


Algumas pessoas não parecem fazer nenhum esforço para sentir-se bem consigo mesmas. Outras, no entanto, olham no espelho e nunca ficam felizes com o que vêem.
Por que? Leia e mergulhe nos segredos da auto-estima

“Auto-estima é o conjunto de crenças e atitudes que você tem em relação a si mesmo e ao pensamento de outros com relação às suas capacidades”, avalia o professor Marcos Antonio Françóia, e continua “poderia dizer que auto-estima é ter amor próprio, é se gostar, é ser positivo em relação aos acontecimentos da vida, por piores que pareçam.

Auto-estima é levantar ao amanhecer e lembrar que você está vivo para mais um dia e agradecer ao Ser Supremo por sua vida. É olhar-se no espelho e se achar lindo e gostosão, mesmo com uns centímetros a mais na cintura, cabelos faltando ou muitos já brancos. Ter auto-estima é ter autoconfiança, é ser feliz, ter auto-respeito, ser seguro, ser humilde, franco e transparente. É gostar do mundo.”

Parece impossível ficar tão de bem com a vida? Não desanime. Pelo menos até ter lido toda a entrevista que o Delas fez com o professor Françóia, um especialista em neurolinguística, cujas reflexões vão, com certeza, ajudar você a gostar mais da pessoa que vê no espelho todas as manhãs.

Auto-estima nasce com a gente ou vamos adquirindo?
Se considerarmos como nascimento o momento da nossa concepção, com pai e mãe se amando, no sentido do ato sexual, começamos a aprender a nossa auto-estima neste instante. Permita-me ficar somente nesta concepção de nascimento e início do aprendizado de auto-estima, mas se o amigo leitor quiser pode ainda incluir aprendizados passados que já trazemos conosco ao nascer.

A nossa auto-estima é construída a cada momento de nossa vida. E começa com um ato sexual amoroso, de respeito, de aceitação e responsabilidade por uma vida que pode estar sendo gerada. Depois, pelos pensamentos positivos da mãe, pelas conversas com o bebê. É construída por um pré-natal correto e por um parto tranqüilo. Até mesmo o famoso “tapinha no bumbum” ajuda a moldar nossa auto-estima. A auto-estima é construída pela nossa educação, pelos ambientes em que vivemos e pelas pessoas com quem convivemos.

Então, sem uma educação adequada ou um ambiente saudável uma criança vai ter problemas com a sua auto-estima?Sim, as chances são grandes. Porém, o mundo está cheio de exemplos de pessoas que superaram a tudo e viveram suas vidas de forma digna e feliz.

Nós temos o poder de decidir pela felicidade. Fatores inconscientes formam a nossa auto-estima, mas não significa que por ela estar baixa somente vivenciamos momentos ruins. Podemos acessar em nosso inconsciente nossos pontos fortes, nossos momentos de felicidade e de amor e, alicerçados nestes sentimentos superar nossos limites. Podemos reconstruir nossa auto-estima.

Como saber se a minha auto-estima está baixa?

Convivemos diariamente com pessoas que sinalizam uma “baixa-estima”. São pessoas que não confiam em seu potencial, que não se cuidam, pessoas que reclamam demais, pessoas que querem aparecer demais. Estes sinais, embora não signifiquem necessariamente problemas de auto-estima, sugerem alguma dificuldade nesta área. Para ilustrar vamos comentar alguns destes sinais e sugerir formas de fazer estes comportamentos trabalharem a seu favor e não contra você....


Não se vestir bem ou adequadamente.

Vestir-se bem não é usar roupa de grife ou mesmo o top da moda, mas vestir-se com roupas adequadas ao ambiente que você freqüenta, sóbrias, limpas, passadas, com cheiro de limpa, com calçados limpos;

Não procurar ter uma aparência saudável.
A roupa também ajuda a melhorar a aparência, mas não é só isso que melhora o astral. Mulheres maquiadas e penteadas sem exageros, homens de barba feita ou bem aparada, cabelo penteado, pessoas com cheiro de banho, com olhos abertos e atentos, cabeça erguida, um lindo sorriso no rosto, isto tudo melhora a aparência, e garanto, faz você se sentir um vencedor mesmo não querendo...
Viver reclamando que não consegue aprender nada, que ninguém gosta de você, que todos o desprezam, a vida está difícil etc.
Vá a luta! Ocupe seu espaço na vida! Se você ficar olhando o trem da vida passar ficará o tempo todo no mesmo lugar. Entre nesse trem e viva a vida como passageiro. Vigie seus pensamentos, olhe a vida com os olhos do amor, seja feliz; Fazer das doenças, de coisas negativas e até mesmo da vida alheia seus assuntos prediletos. Novamente, vigie seus pensamentos, pois o seu inconsciente pode se acostumar com tantas coisas ruins e além de te deixar de baixo astral pode resolver lhe presentear com tudo aquilo que você tanto pensa.
Levante a cabeça! Vista-se de campeão;

Não gostar ou ter medo de abraçar, de sorrir, de beijar, ou mesmo de ser abraçada ou beijada. Não gostar do dia do seu aniversário. Anuncie ao mundo que você está vivo e quer ser feliz. Este sentimento irá tomar conta de seu coração e de sua mente, lógico que sempre com uma boa dose de bom senso, mas faça, muitas pessoas vão querer estar do seu lado;

Ser arrogante, presunçoso, se achar sempre o máximo.
Aproveitar-se do desempenho alheio para se valorizar, gostar de levar vantagem em tudo, fazer questão de se mostrar muito seguro de si e gostar de estar em evidência. Este perfil de pessoas é muitas vezes confundido. Dá a impressão falsa de que você está cheio de auto-estima, mas cuidado, muita coisa pode se esconder por traz de tantas penas de pavão, como insegurança, necessidade de reconhecimento e valorização, solidão, incompetência etc.

Tipos como estes agradam por um tempo, mas um dia a máscara cai e aí uma recuperação pode ser difícil. Devemos praticar a humildade sempre. Reconhecer nossas imperfeições para mudar e valorizar os nossos pontos fortes e criar relacionamentos sinceros e duráveis. Quando traímos nossos valores, traímos nosso inconsciente e nossa auto-estima também;

Não ter objetivos, viver ao “sabor dos ventos”.
Não ter opinião e ser uma “Maria vai com as outras”. Estabeleça objetivos para sua vida, de curto e de longo prazo. Organize-se para atingi-los. Escreva o que, quando e como quer os seus objetivos. Vigie seus pensamentos e construa o seu futuro.

Não olhar nos olhos ou estar sempre de cabeça baixa ou, mesmo, não gostar de conviver socialmente, nas festinhas de amigos, restaurantes, show, turismo etc.

Valorize-se, acredite em seu potencial, não tenha nada a esconder, tenha uma vida transparente e digna, valide-se. Em estatística, validar algo é testar e reconhecer o valor do resultado.

Na vida, validar é reconhecer o seu potencial, e mais, o potencial das pessoas que convivem com você. Validar é ensinar, parabenizar, abraçar, beijar, sorrir, corrigir, encaminhar, dizer obrigado, por favor, levantar o polegar em sinal de positivo. Valide mais os outros, certamente os outros vão querer estar sempre perto de você e vão validá-lo. 

Cuide bem de seus relacionamentos sociais.
Poderia citar outros exemplos que caracterizam, porém não definem uma pessoa como tendo uma baixa-estima, mas ficamos com estes. Se sua auto-estima vai mal, a culpa é sempre dos outros?A todo o momento em nossas vidas estamos sujeitos a receber através de olhares, de comentários, de avaliação escrita ou de acontecimentos uma carga de críticas que podem derrubar a nossa auto-estima. Mas nós temos o poder de decidir se estas coisas vão ou não nos afetar.

Nossa auto-estima vai mal por nossa culpa, porque nós permitimos que outros pilotem o avião de nossas vidas. Se o avião bater em algum prédio, fomos nós que permitimos. Qual é o papel dos outros no desenvolvimento ou não de nossa auto-estima?Nossa auto-estima pode ser moldada pela nossa educação e pelo ambiente em que vivemos, mas isto apenas enquanto não aprendemos a tomar decisões ou enquanto dependemos de outros para tocar nossa vida.

A partir do momento em que você tem consciência para decidir sobre o que quer e o que não quer para sua vida, você não permite que os outros afetem sua auto-estima. Não é fácil, mas é uma questão de decisão, de querer ou não estar bem.

Agora, os “outros”, ou melhor nós, temos um papel fundamental para elevar a estima dos outros. Fazemos isto dando atenção, aconselhando às vezes, pegando na mão, sorrindo, mas o fundamental e é ouvir muito. Fazendo isso estaremos elevando a nossa estima. O que mandamos para a vida ela nos devolve potencializado.

Ouvi certa vez, de um amigo, que quando partirmos desta vida seremos muito cobrados pelo bem que deixamos de fazer pelos outros, mais até do que por aquilo que realizamos de bom. Muito do que escrevo ou falo não são palavras minhas, mas ensinamentos que recebi de outros através de diálogo, livros, estudos e observações. Acredito que tenho o dever de compartilhar e isto me faz bem.

Que outras formas existem de lidar com nossa auto-estima que não dependam tanto da aprovação ou não de terceiros?
Penso que mesmo trancando-se em casa para não ver mais a cara de ninguém ou mesmo quando partimos desta vida nunca deixamos de ser alvos de críticas e comentários destrutivos, negativos e muitas vezes injustos. A avaliação de terceiros deve ser encarada como crescimento, mesmo a avaliação negativa.

Certa vez, ouvi a seguinte frase de uma pessoa que considero muito: “Bendito sejam os vencedores que se vangloriam de suas qualidades e apontam nossos defeitos, pois mostram os nossos erros e o caminho para o sucesso.” Ouvi esta colocação de Tadashi Kadamoto. Não sei se é de sua autoria e nem se são exatamente estas as palavras, mas elas marcaram um momento em minha vida. Acredito que encarando a crítica desta forma enfrentaremos os momentos difíceis com sabedoria e dignidade. Com certeza ainda vai doer, mas com menor intensidade e por um tempo menor.

Existem formas ou técnicas ou truques para desenvolver a auto-estima?
Nas respostas anteriores já existem algumas dicas para melhorar a auto-estima, mas poderia resumir assim:

Ame-se incondicionalmente. Admire-se muito, acostume-se com sua imagem. Procure um bom fotógrafo e faça um retrato com uma roupa de “casamento”. Seja modelo por algumas horas. Admire seus traços, seus olhos, seu jeito.

Filme-se com uma câmera caseira. Converse, cante, ria e fale com você mesmo e depois assista ao filme muitas vezes, até se acostumar com sua voz e imagem. Repare que em seu jeito tem muita coisa para ser admirada e talvez você seja muito parecido com pessoas de quem que você gosta, então você também é especial;

Leia muito, leitura saudável, livros de auto-ajuda;

Olhe para os lados e perceba que há pessoas em pior situação que você. Visite orfanatos, hospitais, lares de idosos. Distribua carinho e sentirá uma energia fantástica tomando conta de você;

Desperte seu lado intelectual. Estude, faça cursos, participe de palestras, leia livros técnicos. Agregue valor a sua empresa chamada Você S/A. Você será notado, requisitado;

Tenha uma crença espiritual. Confie em seu Ser Supremo, seu Deus, o Ser de Luz, dentro de sua crença. Ele sabe responder as suas dúvidas;

Exponha-se mais, arrisque-se, mostre-se ao mundo. Viva em sociedade. Crie relacionamentos sinceros e duráveis. Escreva cartas, telefone, talvez até valha a pena arrumar um profissional especializado para te ouvir e te guiar.

Agora, cuidado! Coloque um filtro para: 
Convivência com pessoas negativas, pessimistas, pessoas egoístas e interesseiras; Locais que não condizem com suas crenças e valores; Vícios diversos; Sede de poder, de possuir exageradamente coisas materiais; Despreocupação com sua saúde. Filtre e extraia o que é positivo.

Falamos sobre gente que aparenta uma boa auto-estima, mas que funciona como uma máscara que esconde problemas. Como podemos identificar se não estamos enganando a nós mesmos? Também tenho meus momentos de baixa-estima, porém levanto a cabeça e vou à luta. O importante é aceitar que todos estamos sujeitos a momentos de depressão, mas devem ser apenas momentos. Não podemos confundir amar a si mesmo com egoísmo.

A pessoa que se ama tem um despertar de consciência. Ela procura crescimento, estudo, evolução espiritual e intelectual e isso a leva a se entregar, a se desprender de interesses individuais. A pessoa que realmente se ama gosta de ver os outros felizes.
Porém, pessoas que se amam egoisticamente são infelizes, buscam a posse, o domínio, gostam por interesse, para atender as suas necessidades. Amam somente por prazer e quando ele acaba também acaba o “amor”.

Ame-se! Seja feliz! Arrume um amante! Um texto que recebi recentemente de uma amiga dizia que temos que ter um amante para sermos felizes, seja um amante-trabalho, um amante-estudo, um amante-filhos-para-cuidar, livros para ler, internet para bate-papo, um amante-esporte para praticar, quadros para pintar, ou mesmo um amante-parceiro que te respeite e que pode ser até o que você já tem, mas todos devemos nos ocupar com nossos amantes e ser felizes
Marcos Antonio Françóia-  http://amigosdofreud.blogspot.com.br

PSICOLOGIA -Emoção e Sentimento

Emoção e Sentimento


A emoção é uma experiência afetiva que aparece de maneira brusca e que é desencadeada por um objeto ou situação excitante, que provoca muitas reações motoras e glandulares, além de alterar o estado afetivo. Nossa existência está contextualizada no mundo e como tal, vivemos cercados de objetos, situações e de outras pessoas com quem interagimos.
Tudo o que nos cerca provoca um desejo de afastamento ou de aproximação e estes desejos, mesmo que não sejam realizados, constituem a experiência afetiva de cada um. Para muitos teóricos, a diferença existente entre emoção e sentimento diz respeito apenas ao grau de intensidade e, neste caso, um estado afetivo mais suave, relacionado com as características do objeto em questão, constituiria um sentimento, enquanto que a emoção seria um sentimento mais intenso.

Não existe uma classificação precisa para emoções e sentimentos, mas há um certo consenso entre os profissionais da psicologia que consideram alegria, tristeza, medo e raiva como emoções fundamentais. A característica e intensidade da emoção depende do objeto que a desencadeia e, mesmo que as reações orgânicas que aparecem pareadas a uma emoção forem induzidas por injeção de hormônios ou outras drogas, a emoção sentida frente a um objeto ameaçador será distinta da induzida artificialmente.

Algumas reações motoras ou glandulares acompanham diferentes emoções, como é o caso do choro que pode aparecer junto com emoções diferenciadas. As reações orgânicas aparecem depois da compreensão que o indivíduo tem da natureza do objeto desencadeador da emoção. Existem várias teorias relacionadas às emoções e as dificuldades encontradas para estudar o assunto são muitas. As duas teorias principais da emoção são a periférica e a excitatória. De acordo com a teoria periférica, a emoção depende de um conhecimento prévio e a repercussão orgânica é desencadeada por uma reação afetiva a este conhecimento.

Neste conceito, as reações nos órgãos viscerais ou musculares antecedem à emoção, que é desencadeada quando o indivíduo toma conhecimento destas reações. A teoria excitatória é mais recente e valoriza a idéia de que a percepção do valor que o objeto tem, no momento em que ele se apresenta ao sujeito, é tão importante quanto a percepção das excitações, que são produzidas pelos órgãos periféricos no desencadeamento das emoções. 
Alexandre Dal Pizzol -http://amigosdofreud.blogspot.com.br
Picture by Antonio Canova

sábado, 8 de novembro de 2014

PSICOLOGIA- Ciúme: dá para controlar?

Ciúme: dá para controlar?

Um sentimento ligado ao amor, mas que freqüentemente traz dor e angústia, o ciúme é o medo de se perder alguma coisa – um receio de que o ser amado se dedique a outro, por exemplo. 


Na Filosofia, o ciúme aparece sempre no contexto de uma discussão geral das paixões, em especial daquelas ligadas à amizade e ao amor.


E aí há dois grupos distintos: os que acreditam ser preciso extirpar as paixões, já que não podemos controlá-las, e aqueles que afirmam ser possível e vantajoso governá-las por meio da razão. A forma como devemos lidar com o ciúme, de acordo com a Filosofia, vaga entre estas duas linhas. A origem etimológica da palavra ciúme vem do latim zelumen e do grego zelos, por isso, muitas vezes ele é encarado como uma prova de amor, de cuidado com o outro. 


E daí vem grande parte da controvérsia sobre ser o ciúme algo bom ou ruim, já que, em excesso, ele pode trazer sofrimento tanto para quem o sente quanto para quem é vítima desta paixão. Em geral, as reflexões filosóficas sobre o ciúme o aproximam do amor e do ódio. É o que aparece nas Máximas de La Rochefoucauld, quando este diz que “o ciúme sempre nasce com o amor, mas nem sempre morre com o amor”. 

Esta frase aponta para o caráter ambivalente do ciúme: começa visando um valor positivo, mas pode se converter na adesão a um valor negativo. É possível dizer que o ciúme tem, inicialmente, uma aparência louvável, por ser natural ao sentimento de amor. “Gostar de alguém ou de alguma coisa implica zelar por sua segurança ou por sua continuidade. Seu caráter ‘zeloso’, porém, facilmente se converte em um sentimento negativo, ao adquirir uma forma possessiva que suprime o caráter positivo desta ‘afeição’, resultando em egoísmo e prepotência ou em insegurança e temor”, afirma Carlos Matheus, doutor em Filosofia e professor titular do Departamento de Filosofia da PUC-SP. 


Segundo Descartes, o ciúme tanto pode ser positivo quanto negativo. É positivo quando é apenas zeloso e o que se procura preservar é de real importância, e negativo quando está associado ao egoísmo ou à insegurança. Já Espinosa entende o ciúme como algo apenas negativo: é uma tristeza decorrente da ameaça de uma perda. Mesmo dizendo que o ciúme está relacionado ao sentimento do amor, diz que se converte em ódio sempre que a relação amorosa parece ameaçada. Espinosa acrescenta o seguinte aspecto negativo ao ciúme: o ciumento tende a adquirir aversão pela pessoa amada. 


Medo irracional 
 Os estóicos, de acordo com o que escreve Diógenes Laércio em Vida e obra dos filósofos ilustres (Cap. VII), incluíam o ciúme entre as “contrações irracionais da alma”. Referindo-se a uma obra de Crisipo sobre as paixões, Diógenes afirma que o ciúme está entre os temores relacionados à expectativa de um mal que escapa ao controle da razão. Descartes dizia que o ciúme é uma espécie de temor relacionado ao desejo que se tem de conservar a posse de algum bem Descartes também enfatiza o lado irracional do ciúme: “o ciúme não decorre da força das razões que permitem julgar que este bem possa ser perdido e sim de uma suposição que faz a respeito do que se julga que pode ser perdido” (Descartes, Tratado das Paixões, art. 167). 


No mesmo Tratado, Descartes define o ciúme como “uma espécie de temor relacionado ao desejo que se tem de conservar a posse de algum bem”. Para Matheus, Espinosa vai além de Descartes, ao aproximar o ciúme da inveja, dizendo ser “um sentimento simultâneo de amor e de ódio acompanhado da idéia de outro de quem se tem inveja” (Ética, III, Escólio da Proposição 35). 


Espinosa define a inveja como sendo “uma tristeza diante da felicidade de alguém” (Ética, III, 23), sendo o ciúme resultante da “imaginação de que a coisa amada se une a outro, de modo a impedir fruí-la sozinho” (Ética, III, Proposição 35). 


 O ciúme tem sido relacionado, em várias ocasiões, à inveja por ser um sofrimento decorrente do sentimento de inferioridade em relação a alguém. Como a inveja, o ciúme também provoca sofrimento em quem não se sente merecedor de algum prêmio, conquista ou aquisição. Os pensadores do século XVIII mantiveram esta visão. O ciúme como sendo um modo pelo qual o ser humano se coloca em inferioridade em relação aos demais. 


Este é o ponto de vista de Adam Smith, exposto em sua Teoria dos Sentimentos Morais e de Immanuel Kant, em suas Lições de Ética. “Embora não se refiram especialmente ao ciúme, ambos apontam a inveja como uma conduta na qual há um desejo de alterar a relação entre sua felicidade e a dos outros. Seria possível aplicar ao ciúme o que diz Kant da inveja: um modo irracional de querer ser feliz”. Só o Romantismo irá quebrar essa visão racionalista a respeito do ciúme. Surge a paixão romântica, na qual o amor rima com a dor, como duas faces do mundo emocional. “Há uma canção popular na qual se expressa esta visão romântica do ciúme: ‘o ciúme é o perfume da flor, o ciúme é o queixume da dor’”, comenta Matheus. 


Para o Romantismo, o ciúme tanto faz parte das emoções como também dos sofrimentos que cercam os sentimentos humanos. Na vida ou na arte não faltam exemplos de histórias sobre ciumentos. É um sentimento que aparece com freqüência nas relações humanas, quer seja nas relações amorosas entre homem e mulher como também nas lutas pelo poder político, nas disputas econômicas e nos congressos científicos. Nas relações familiares são freqüentes as cenas de ciúmes, especialmente entre irmãos, como aquela narrada pela Bíblia, entre Caim e Abel. Os amantes trazem muitos problemas ao amado, que estariam ligados a uma paixão excessiva que se traduziria em ciúme

“Seria possível, também, dizer que até os deuses experimentam o sentimento do ciúme, como teria sido o caso do castigo sofrido por Prometeu. O ciúme de Menelau, face ao rapto de Helena, por Páris, teria sido a causa da Guerra de Tróia. E várias tragédias de Shakespeare ou de Racine revelam sua presença como um fator oculto de caráter emocional, tornando quase sempre ausentes as condutas racionais”, menciona Matheus. O ciúme também é tema recorrente dentre os filósofos que estudam as paixões e as emoções humanas. 


Ele é discutido, por exemplo, no Fedro, diálogo no qual Platão se refere aos conflitos entre amantes, nos quais o ciúme os torna violentos, criando uma relação semelhante ao modo como o lobo ama o cordeiro. O Discurso de Lísias Fernando Santoro, professor da Faculdade de Filosofia da UFRJ, explica que neste diálogo, Fedro e Sócrates estão lendo o discurso de um amigo, chamado Lísias. Este havia escrito um pequeno discurso sobre o amor e levantado a tese de que é mais conveniente para o amado ter uma relação amorosa com alguém que não é amante (que não o ama) do que com alguém que é amante (que o ama de verdade). Isto porque os amantes trazem muitos problemas ao amado. 


E esses problemas estariam ligados a uma paixão excessiva que se traduziria justamente em ciúme. De acordo com o raciocínio de Lísias, o aman te muito apaixonado começa a tolher as amizades do amado, a querer o amado só para si, a não querer que ele pareça belo ou bom, justamente porque isso vai atrair a atenção dos outros. E ele acaba sendo prejudicial ao amado, porque é demasiadamente apaixonado por ele. Sócrates irá se contrapor a Lísias. “Ele vai dizer que a situação apaixonada do amante não é necessariamente prejudicial e nem todo mundo que está apaixonado e em delírio, de alguma forma, é alguém que age de modo ruim. Ele vai fazer um elogio, não apenas da condição apaixonada, mas também da condição delirante, que em determinadas situações faz que os homens pratiquem coisas melhores do que simplesmente contidos na razão”, explica Santoro. A idéia do filósofo ateniense é mostrar que a paixão não necessariamente cria a situação do ciúme, de um amor doentio. 


Para Sócrates, a paixão pode ser positiva, alguma coisa que traz bens da ordem do divino, do sobrenatural, do mais que humano, diz Santoro. O que não quer dizer que Sócrates faça uma apologia ao ciúme. Pelo contrário. “O ciúme ali foi descrito como ações que prejudicam o amado. Sócrates, sem dúvida, não seria alguém que elogia o ciúme”, diz. Visão de Freud Freud classifica vários tipos e graus de ciúme. o primeiro seria o ciúme devido à concorrência com o rival, que inclui uma ferida narcísica. esse tipo se deve mais a uma questão de narcisismo, de se perder o ser amado, e de uma competição pessoal com o outro – de modo que, num aspecto ou no outro, o que está em questão é mais o amor próprio do que o amor ao outro, explica André Martins, filósofo e psicanalista, doutor em Filosofia e em teoria Psicanalítica e professor associado da UFRJ, onde coordena o Grupo de Pesquisas Spinoza & Nietzsche. 


O segundo tipo seria o ciúme originado da projeção no outro de seus próprios desejos de infidelidade, realizados ou não. Algo como: se desejamos ter outras relações, supomos, inconscientemente, por uma projeção paranóide, que o outro deseja o mesmo. Já o terceiro tipo, que Freud considera delirante, descreve Martins, teria como origem uma homossexualidade negada, como uma forma de se dizer, inconscientemente, que não é ele que ama o rival, mas ela. “O que Freud diz do ciúme, assim como o que espinosa diz, constituem abordagens preciosas, embora breves, da questão que, certamente, merece uma reflexão maior. Afinal, é um incômodo afeto que causa muito mal a todos nós em qualquer cultura e época da história”, diz o filósofo e psicanalista. 


Paixões 
Sócrates não condena as paixões e, sim, a exacerbação do ciúme – uma das paixões. Santoro explica que sempre que a Filosofia pensou o homem, a constituição do humano, especialmente da alma humana, as paixões entraram como um lugar de problematização importante. Isso desde o início da Filosofia. “Se há uma coisa que sempre se percebeu – e os filósofos sempre atentaram para isso – é que a natureza humana é constituída também das paixões, de como ela é afetada pelo mundo e de como ela responde ao modo como ela é afetada”, explica. 


O conceito de paixão como sofrimento ou como algo que nos atinge vindo de fora tem sua origem na Grécia antiga. Os gregos denominavam pathos toda força ou ação externa ao sujeito que provoca neste uma redução de sua capacidade de agir, explica Matheus. Enfim, ‘pathos’ é o mesmo que ‘dor’. E toda dor, admitia-se, tem sempre alguma origem externa à vontade. Referências às paixões humanas encontram-se tanto em Platão e Aristóteles quanto entre os epicuristas e os estóicos. Epicuro foi um filósofo que se dedicou especialmente ao tema, por partir do pressuposto de que a vida humana é fundamentalmente marcada pela dor. Para os latinos – como Cícero, por exemplo – as paixões são entendidas como afecções (affectio), isto é, como efeitos externos que causam perturbações ou comoções decorrentes de condutas contrárias à razão. 


O significado desta palavra só vai ser alterado no Romantismo – assim como a conotação ambivalente e fugidia que o ciúme adquire, como mencionamos acima quando se atribui às paixões o sentido de emoções intensas ou profundas que impulsionam a vontade em busca de metas visíveis ou remotas. Como diz Hegel, “sem paixão não se faz história”. Esta herança romântica permanece no vocabulário contemporâneo. “No período atual, paixão conserva um significado ambíguo, como se encontra em Jankélévitch e Sponville. 


Paixão ficou mais próxima da virtude e mais distante da dor”, explica Matheus. Toda essa discussão sobre o conceito de paixão para falar sobre o ciúme se justifica porque vão existir, na história da filosofia, dois modelos de pensamento: um vai condenar as paixões, tentar abolilas – estando o ciúme aí incluído –, e outro, na linha contrária, irá defender a moderação destas, isto é, chegar a uma medida que não seja excessiva e nem também faltosa. Este último é o modelo aristotélico, por exemplo. Ou o modelo do tipo socrático ou platônico, em que a razão governa as paixões. Isto é, as paixões a serviço da razão. 


A razão pode tanto determinar o momento de maior paixão quanto de menor paixão de acordo com o que ela entenda que seja o melhor, o mais virtuoso. Os estóicos, em oposição, acreditam que as paixões perturbam a alma e que a virtude se alcança por uma exclusão, extirpação do afeto, das paixões. Segundo os estóicos, “a virtude consiste em não se deixar atingir por temores ou esperanças externas”, explica Matheus. Na Filosofia moderna e contemporânea tem sido enfatizada a anterioridade e até mesmo a independência do mundo emocional em relação à razão. “O que se diz é que os sentimentos positivos, como o amor, a alegria e o prazer, e também os sentimentos negativos, como o ódio, a tristeza e a dor, escapam ao controle da razão”, afirma Matheus. 


O Ciúmes em Machado de Assis e Shakespeare Obra do realismo brasileiro, Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis, é um dos célebres exemplos da literatura em que o ciúme apresenta-se como tema preponderante. O narrador-personagem, Bentinho, acredita, sem ter certeza, que a esposa capitu, a mulher com “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”, o teria traído com seu melhor amigo, escobar. 


Mesmo depois de morto o amigo, o ciúme torna-se a obsessão e faz que Bento odeie o filho, que tem muitas semelhanças com seu amigo, e mande capitu para a europa, onde também morre. Usando de intertextualidade, Machado de Assis traz como exemplo em sua obra outros casos de ciúme na literatura universal, como em Otelo, o mouro de Veneza, obra de shakespeare. 


O narrador se coloca no lugar de otelo, um general ciumento, e compara capitu a Desdêmona, a esposa de otelo, que era suspeita de tê-lo traído, mas na verdade não o traiu. Por causa das tramas de seu alferes, Iago, otelo desconfiou de um romance entre a esposa e cássio. otelo então a mata, mas depois de descobrir a verdade, mata a próprio. 


Afetos passivos

André Martins, filósofo e psicanalista, doutor em Filosofia e em Teoria Psicanalítica e professor associado da UFRJ, explica que para a tradição filosófica todos os afetos eram considerados paixões: afetos passivos, contrários à razão e, portanto, como seu negativo, seu oposto, não podendo por ela serem pensados. Ele menciona, como exemplo, Descartes, que considera que as paixões são idéias tornadas obscuras e confusas pela intromissão do corpo junto ao pensamento: “onde o corpo age, a alma padece, e vice-versa”, diz ele. Para que a alma pense com clareza, crê Descartes, é preciso “pensar de forma isolada dos afetos”. 

Espinosa concordará com essa idéia. Quando pensamos sob o efeito de afetos passivos nossos pensamentos serão obscuros e confusos. Contudo, isso não se deve aos afetos em geral, pois buscar pensar sem eles, ou de uma forma dissociada, é buscar pensar de forma separada da realidade, o que é efetivamente impossível, consistindo em um erro da mente e gerando idéias falsas sobre as coisas. “A moral em geral baseia-se nesse erro, que Nietzsche chamou de uma tentativa de ‘corrigir’ a existência. A idéia é que não adianta maldizer a natureza humana, afetiva e passional, mas compreendê-la para tirar melhor proveito dela”, explica Martins. No caso do ciúme, a relação com a razão só pode se dar tardiamente, após sua percepção e sua vivência. 

“É claro que uma postura emocional equilibrada envolve sempre uma disposição da mente para assumir o controle de suas emoções, justificando ou superando seus efeitos opressivos, seja por meio de processos de sublimação como também por meio de um ajustamento da vontade ao plano dos conceitos racionais, tal como Kant os indica, em sua Teoria da razão prática. Enfim, a interpretação racional das paixões é um traço do pensamento iluminista que se perdeu com o romantismo”, explica o professor. Superação do ciúme passa por investigar sua origem É sempre possível investigar racionalmente – ao sentir ciúme – a origem do temor diante da ameaça de perda. 

Mais do que possível, é necessário. Isto porque é preciso saber se o ciúme envolve algum valor positivo ou valor negativo. segundo Descartes, o ciúme tem caráter positivo quando se aproxima da noção de “zelo”, quando se trata de conservar algo de grande importância, como a riqueza ou a honra. será negativo quando se aproxima da avareza, do egoísmo ou de mera insegurança pessoal, explica carlos Matheus, doutor em Filosofia e professor titular do Departamento de Filosofia da Puc-SP. Sendo positivo, o ciúme pode justificar uma ação destinada a impedir a perda. sendo negativo, cria a necessidade de buscar um valor equivalente ao qual se possa recorrer para substituir o que se está na iminência de perder. 

“Quando negativo, o ciúme pode ser decorrente de uma baixa auto-estima e, neste caso, a investigação deve começar pelo exame que o ciumento deve fazer de si mesmo. Ninguém está isento do ciúme – como uma paixão e como sofrimento – mas todos podem superá-lo buscando dentro de si algum motivo para atribuir a si próprio um valor equivalente àquele que se vê em risco, sob a ameaça da perda”, diz Matheus. Quanto mais seguros nos sentimos a respeito de nós mesmos ou de quem somos ou do valor que temos, menos corremos o risco do ciúme. No entanto, sempre estamos sob o risco de perdas. 

Assim como toda perda entristece, viver pressupondo perdas significa uma vida bastante infeliz, explica o professor do Departamento de Filosofia da Puc-SP. Do mesmo modo, viver sob a pressão do ciúme é viver sem liberdade ou sob pressão. No fundo, todas as perdas são dolorosas e causam tristeza, mas saber superá-las é uma das grandes lições da Filosofia estóica. Neste ponto, Matheus lembra as palavras de epiteto: “só somos livres nos ocupando das coisas que só dependem de nós” (Pensamentos, I). o ciúme, neste caso, ocorre quando sofremos por causas que não dependem de nós. 

A Filosofia, mesmo sem pretender ser edificante, pode indicar o caminho da sabedoria de que fala Aristóteles, mostrando como as paixões podem ser conduzidas pela “sabedoria prática”. 
Patrícia Pereira- http://amigosdofreud.blogspot.com.br

PSICOLOGIA -amor patológico...


Amor doentio

Amor a primeira vista,  amor de verão e amor de infância. Quase todo mundo já teve um ou todos eles. E o amor patológico? Você já viveu algum?

O amor patológico é uma doença que causa dependência como se fosse uma droga, só que nesse caso, a droga não é um produto químico ou álcool, é o parceiro ou parceira. 

De acordo com a psicóloga Sílvia Rezende Azevedo, o amor patológico atinge com mais freqüência as mulheres, mas os homens também podem sofrer desse mal. Para saber se alguém tem amor doentio é só analisar o relacionamento. 

"Chega a um ponto que o amor fica obcecado e a pessoa deixa a sua vida para viver a do outro ou não permite que o parceiro tenha vida própria".Segundo Sílvia, quando a pessoa deixa os amigos, o parceiro passa a ocupar mais espaço do que a família, o trabalho e outros afazeres, ou o medo da relação acabar é incontrolável e se começa a seguir e vigiar o outro, é certo que o amor deixou de ser algo saudável e se transformou num vício. 

"Pesquisas mostram que as áreas do cérebro que são ativadas quando se está interessado por alguém são as mesmas da obsessão. É uma sensação química e quando o amor passa a ser doentio a pessoa tem crises se está longe ou sem o parceiro, tem sentimentos de culpa. É como se fosse uma droga que não se pode ficar sem", explica Sílvia.

A psicóloga afirma que é difícil perceber que o limite saudável de uma relação está sendo ultrapassado devido a uma questão cultural de que em um relacionamento amoroso, principalmente no início, é normal amar exageradamente, demonstrar que ama e fazer uma série de coisas pelo outro. "É como o consumo de álcool que é uma droga aceitável e consumida socialmente. No começo você bebe e não percebe nada porque está dentro do normal, com o passar do tempo sua vida começa a girar em torno disso e você não percebe que está passando do limite", compara.A pessoa doente se torna impulsiva e compulsiva devido ao vício. 

O amor se transforma em um sentimento destrutivo para o casal e que em alguns casos pode ocasionar tragédias como crimes e suicídios. O amor patológico pode atingir, principalmente as mulheres com mais de 30 anos e que não têm um relacionamento estável. "As mulheres estão mais seletivas e depois de determinada idade, quando encontram um parceiro, ficam doentes por ele e são capazes de fazer tudo para não perder essa relação", diz Sílvia.Esse amor doentio não fica restrito a relação homem-mulher. Pode atingir também pais, irmãos, filhos e amigos. "Algumas mães gostam tanto dos filhos que acabam com o relacionamento amoroso deles e alguns amigos têm ciúme doentio pelo outro", exemplifica. 

Características do amor patológico 
A psicoterapeuta e pesquisadora do Ambulatório do Amor em Excesso (Amore) da USP, Eglacy Sophia, destaca alguns sintomas dos 'doentes de amor': - Sintomas de abstinência (como angústia, taquicardia e suor) na ausência ou no distanciamento (mesmo afetivo) do amado - O indivíduo se preocupa excessivamente com o outro - Atitudes para reduzir ou controlar o comportamento de cuidar do parceiro são mal-sucedidas - É despendido muito tempo para controlar as atividades do parceiro - Abandono de interesses e atividades antes valorizadas - O quadro é mantido, apesar dos problemas pessoais e familiares Serviço 

O Ambulatório do Amor em Excesso da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) aceita voluntários para tratamento e pesquisa do amor patológico. As triagens são agendadas pelo telefone (11) 3069-7805, somente às quartas-feiras, das 10h às 17h. Os participantes passam por 16 sessões de psicoterapia e psicodrama em grupo. 
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