sábado, 16 de julho de 2011

Compartilhando um lado meu... dar amor aos que necessitam !

















Compartilhando um lado meu... dar amor aos que necessitam !

Hoje, como todas as quartas me proponho, de 14 às 15 horas, vou cantar nos Asilos de Beagá para dar um pouco de alegria aos que foram lá largados e abandonados pelas suas famílias.É um momento filantrópico meu para comigo mesmo. De uma certa maneira, estou em ambiente familiar pois cantava , até há poucos anos atrás, com meus avós e tias velhas até suas partidas , nossas coisas antigas onde sou imbatível pois tenho exatos 200 anos no coração envelhecido . Foi gratificante eu e Rafael Duarte, meu filho músico convalescente, fazermos dupla musical com o coro desajeitado e balbuciante mas divinal dos velhinhos, cheios de lágrimas saudosas nos olhos e muito enlevo. Serenata em pleno início da tarde ... novo plenilúnio na lua nova da vida deles.
Não me entendo muito bem neste aconhego aos mais velhos mas adoro saber-me útil a eles. Gravo tudinho da cantoria e estou aqui, escutando-nos, embevecido e maravilhado com os belos momentos e indeléveis que passei com eles. É uma música que sai diretamente da saudade para o coração de todos nós participantes.
Não troco uma velhinha daquelas, muitas com seus noventa e tantos anos e adoentadinhas , por nenhuma menininha bonitinha e das perninhas grossas. Porque nos mais velhos eu me identifico e ficamos em uníssonos de alma prazeirosamente . Preferível ao " uníssono corporal " que não chega à alma , exceto com quem eu amo... mas que me desdenha sempre. Doce castigo... talvez merecido.
Mando algumas fotos " mandáveis " , a maioria das fotos poderia expor os meus velhinhos queridos que tanto amo e tanto fazem bem a mim e ao Rafa. Se alguém quiser fazer-me Feliz fale-me bem de velhos e seus abandonos ... eu amá-la-ei!
Meu abreijo,
nelsantonio

PS - Se alguém quiser indicar-me asilos e casas de recolhimento de idosos eu ficar-lhe-ia muito grato. É uma coisa do meu coração que se reparte , gratuitamente , onde a maior paga é o ato em si. Sinto-me muito feliz, Rafa também, de doar um pouco do que temos musicalmente em qualidade para os que necessitam tanto de serem amados. Fiquem com Deus.
fone 9111-8477( telemóvel ) e 3332-139 ( escritório pessoal residencial)


Minha pequena viagem interior ao meu interior
Minha pequena viagem interior ao meu interior de todas as quartas :
quando chego é como se o sol estivesse timidamente entrando num mundo que é tão frio e tão escuro, tão cheio de vazios e de paradoxos pois seus envelhecidos habitantes têm todo o tempo do mundo e não têm todo o tempo do mundo talvez amanhã. Em cada pessoinha, amadurecida além da conta, vejo abrir-se um sorriso sem dentes, descarnado e um rosto cheio de rugas em corpos deformados pelo peso da idade ou pelas doenças que os envergam como tênues varas de bambu ao vento forte e constante da vida. Mas são sorrisos lindos, francos, saídos do fundo do coração de cada um deles, encantadores e que envolvem minha alma de uma ternura que eu jamais supuz ter. Há no ar aquele cheiro abafado de urina e fezes incontidas pelas fraldas geriátricas mas sinto-me no meio de um jardim de rosas perfumadas e em botão... como eles o são
Então, pego meu violão, acompanho-me de meu filho musical , também adoentadinho, e tento tecer um longo bordado musical de coisas antigas e que deem alento a eles todos . Em cada rosto sinto a satisfação de estarem sendo amados, numa visita a um tempo que pode não ter amanhã , nem para eles, nem para mim. É uma viagem de Amor... em que minha alma sai de dentro de mim e vai dormitar na alma dos meus pobres velhinhos indefesos. E pelo ar ecoa minha voz emocionada e terna a lhes cantar suavemente, num violão dolente, cantigas de Roda, de Amor, de Mãe, de Serestas, de Saudades e de força de vida para lhes dar ânimo para as horas futuras que não estarei ali . Dona Amélia nunca deixa faltar os seus balbucios , quase inaudíveis, da Amélia que tenho, compulsoriamente, de lhe cantar .
Quando saio, após uma hora musical, levando minhas partituras e violões, sinto no olhar deles aquele desespero de quem suplica para que eu e Rafa não partamos e fiquemos com eles mais algumas horas . Não posso interromper por muito tempo a rotina fisioterápica ou alimentar deles mas, como digo a eles , jamais deixarei de ir lá pois eles todos são meus amantes de todas as tardes de quartas quando eu me visto de humano e sinto a alma tão leve que acho que chega a Deus. Como alguns deles que vão, um a um, se despedindo de mim e da vida pois na outra semana fico sabendo que Dona Geraldina faleceu, seu Guilhermino não despertou da noite de sábado, Dona Iraildes Cantadeira partiu ontem sorrindo e cantando " No Céu com minha Mãe estarei...".
Engulo a lágrima que quer me saltar dos olhos e a escondo num sorriso dissimulado como tudo na vida dos que a vivem para si e não se distribuem ao outro ,sem saber que o Amor repartido se multiplica.
nelson antonio, apenas isto... um nelsantonio.

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