domingo, 19 de dezembro de 2010

Candeeiro - Vida















Candeeiro-Vida
Nelson Antonio

Perto do Ângelus. A natureza tingindo-se de luto.É hora de encher o candeeiro até a boca. Preparar o pavio de algodão cru. E acender.

A luminosidade se expande gloriosa pela sala de estar. Onde recebemos os amigos. Colocamos as falas em dia, avivadas, acaloradas pela luz. Sombras fortes pelas paredes.

Horas depois, o candeeiro segue pra sala de jantar. Onde a conversa continua,forte, viva, animada ao som de talheres, de mastigações, do gostoso falar de boca cheia, sem sentido.
O candeeiro se esgotando, pra lá do meio, a luz adormecendo sonolenta com o caminhar da noite, languidamente....
Pouco a pouco a conversa se esgota, as bocas se abrem bocejantes, os amigos se vão... O candieiro com sua luz enfraquecida vai repousar no quarto.

Luz fraca, a penumbra na parede, pessoas adormecendo nos leitos, lentamente. Como em sol poente, o candieiro vai-se apagando , imperceptívelmente, já sem forças.
De repente, a escuridão dos quartos...o candieiro vazio.

Como minha vida, consumida. Desiluminada.
Adormecida dentro de todas minhas idades . Idas...

3 comentários:

  1. Lindo demais! Lembra os serões
    no sítio de minha avó paterna.
    Beeeeeeeeijo. Feliz Natal, poeta
    e médico de luz. Mathilde

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  2. Bom dia, meu Doutor

    Adoro e me identifico muito com este poema e
    com a música!!!
    Sou muito saudosista !!!rrsss
    Um grande abraço,
    Ângela

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  3. Parabéns, Nelson!

    Gostei muito.

    Abraço.

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