domingo, 12 de dezembro de 2010

Velho, caminho ...


Velho, caminho...
Nelson Antonio

10-01-2008
Numa tarde de chuva fininha e triste... de dar dó.




Por dentro de mim, eu caminho, com passos lentos, vagorosamente com medo de acordar sonhos
que ficaram perdidos nas encostas esfumaçadas do meu longo passado.
Revejo rostos, sussuros, paixões que jamais terminariam mas que, como atingidas por um raio, tombaram despedaçadas aos meus pés apaixonados. E eu prosseguí. Não entendia o porquê mas, enxugando lágrimas, abafando choros, ruminando dores , eu prosseguí.
E , aos prantos, e barrancos, despedaçando-me dizia-me sempre : - Nunca mais ! Não me vou deixar sofrer assim, nunca mais. Vou me gostar, antes de tudo! Não entro na contra-mão do love-story . Nunca mais!
Quero um happy-end. Detesto ficar sempre no intermezo sem sentido algum. No sat down, thereby.
Mas o amor sempre entrou pela porta escancarada do meu coração, ávido de amor. E, como um livro entreaberto numa página qualquer, vou folheando pessoas, fatos, decepções e dores inacabadas. Coisinhas que ficaram lá dentro, profundamente, mas que carrego como uma cruz cristica no calvário de quem sempre se amou erradamente.Tentando achar-se no outro.
Hoje, enterrado em tantas recordações , penso se valeu a pena. No balanço da liquidação de minhas emoções sinto que restaram mais dores que amores. Amor e dor, rima pobre mas que aniqüila qualquer coração poetador . E penso que a vida é realmente um grande álbum de figurinhas. E figurinhas repetidas não enchem o álbum de nossas vidas.
Por isto, volto ao velho caminho. De pés descalços. Sem medo de amar . Ou de ferir-me. Levo um sorriso no rosto.E, dentro do coração, a inquietação de quem, com certeza, se torna menino ...
Um velho menino envelhecido. On the way!

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