domingo, 12 de dezembro de 2010

Curte aquele que se vai...antes que se vá!

CURTE AQUELE QUE SE VAI ...

ANTES QUE SE VÁ !



Aqui , humildemente, eu me posto em homenagem aos que partem, mais uma vez enlutado, lembrando-me da saudosa Maria Rita, já doentinha terminal, emagrecida, agarrada à vida com tanta e toda a força quanto seus dedos a estrangular o terço de pérolas que Roberto Carlos lhe dera. Na solidão de sua dor, desfiando o rosário com mãos trêmulas, ia entregando sua alma a Deus devagarinho,como o anoitecer imperceptível , até que a noite total cubra o azul do céu com seu manto cravejado de estrelas e, quem sabe, uma lua cheia descomunal.

Roberto Carlos, sentindo dia a dia aquele corpinho se desfazendo , como uma flor a murchar lentamente no buquê da vida, teve sua alma despedaçada diariamente, vendo a sua amada partindo como uma criança que, perdendo a linha que o prendia, vê o seu balão de gás colorido sumindo pela imensidão dos céus... sem nada poder fazer a não ser olhar perdidamente para o infinito. A impotência ante nada poder fazer... e , querendo fazer tudo, nada mais a fazer a não ser rezar. A oração é um bálsamo quando estamos feridos na alma e silentes perante a vida corrente. Uma oração a um Deus quase sempre muito distante de nós...mas maior que a nossa dor!

Ah como sofrem os que amam quando a sua dor é maior que o próprio amor. E quando somos deixados pelos que nos amam em morte anunciada pela fatalidade e fragilidade da vida.Eles nos levam também, juntos. Aos pedacinhos , arrancados com as garras da saudade nos nossos corações doridos e angustiados. A insuportável dor da não presença deles à nossa volta.

Por isto, curtam aqueles que estão de partida, à sua volta, imperceptivelmente. Um dia eles se vão e só restará a saudade e a solidão . Nenhuma lágrima do mundo lavará esta dor de seu coração.

Beije seu pai ou mãe adoentados, aperte num abraço o amigo distante com cuidado e carinho, cuida de seus filhos como se não fossem nunca morrer e se separar de você, o que aconteça talvez amanhã.

Se não tiver ninguém a quem curtir, despeça-se de você com um lindo sorriso no espelho...

Afinal a vida é uma mera efeméride que dura alguns segundos que chamamos tempo. Que voa sem percebermos que passamos pela vida sem que a tenhamos vivido completamente. E que após este ínfimo tempo morreremos por bilhões e bilhões de anos, infinitamente sós e esquecidos no pólen das estrelas... de onde viemos.



Nelson Antonio,

numa tarde qualquer...

num anoitecer dentro de mim.

Sem luz... triste. Como a realidade...

Nenhum comentário:

Postar um comentário