domingo, 12 de dezembro de 2010

Quando a Paixão se cansa de amar...


Acho que , muitas vezes, é o amor sereno que se cansa do fogo da paixão...


Quando a Paixão se cansa de amar...

nelson antonio, médico de almas

31.12.2009




Não saber se aferir quando a paixão pesa tanto quanto o coração ... Ir-se dizendo sim, sim e mais sim, num automatismo de um boizinho de presépio, e jamais saber se dizer um simples não ! Insistente, reticente, perturbador, asfixiante, não conseguir dar trégua a si mesmo. E, como um vaso de plantas encharcado de água , inundado debaixo de uma chuva imcessante e torrencial, ver atônitamnte a flor efêmera da paixão murchar... afogada por excesso de água. Um efeito contrário ao que queríamos. Afogar-se numa simples gota de paixão arrebatadora !

Quando se está apaixonado, os segundos tornam-se séculos quando se está esperando e, quando se encontram, perde-se a completa noção das coisas e do tempo. Simplesmente, o tempo se escoa rápido entre as acrobacias e carícias dos amantes e, de repente, ele se esgota. Ficamos como atracados num porto vazio de navios , limitado pela linha do horizonte longínquo . Sem idas e sem partidas. Inertes.

É a intemporalidade da paixão. Paradoxalmente, tudo quer, sabendo -se que inexoravelmente tudo está perdendo a cda minuto. Por não haver racionalidade mínima da pausa, do dar a si mesmo um tempo para respirar, oxigenar as cordoalhas tendíneas do coração, deixar que a saudade -seja de apenas alguns dias - se faça presente... leva ao sufocamento do outro. E ao cansaço da paixão.

Sim, a paixão se cansa de amar. Demora poucos meses... e se esgota. Mas a gente não se cansa de amar... E de repetir o mesmo ciclo de queimar-se como uma palha seca ao fogo ardente da paixão que nos consome e nos faz virar cinzas por inteiro. Que o vento e o tempo tratam de volatilizar ao espalhar pelo ar.

Às vezes,sem nos deixar saudades alguma. A não ser de nós mesmos. E do quanto nos julgamos especiais ... para ninguém. Pois a paixão não tem rosto. Por ser objetal...

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